De acidez a vintage, sem sofrer
Glossário Sem Frescura
Cada termo numa linha honesta. Pesquise, aprenda, e nunca mais deixe uma palavra bonita vender-lhe gato por lebre.
Guia de Bolso: os 20 termos essenciais numa página, para ler aqui mesmo, imprimir ou guardar no telemóvel. Abrir o Guia de Bolso
Ou monte o seu. Toque em + no meu guia nos termos que quiser, até 20, e descarregue o PDF pronto. Para começar:
100 termos no glossário
A
- Acidez
- O que mantém o vinho vivo e faz crescer água na boca. Acidez alta = vinho “elétrico”, ótimo com comida.
- Adega
- Em Portugal, é a casa que faz o vinho, o produtor (“adega cooperativa”). No Brasil, é onde o vinho fica guardado: um armário fresco, escuro e sem cheiros já serve. A sua, aqui no site, guarda garrafas, notas e selos, grátis. Minha Adega →
- Altitude (vinho de)
- Vinha lá no alto (Cafayate, na Argentina, e a Chapada Diamantina, no Brasil, passam dos 1.000 m): dia quente, noite fria. A uva amadurece devagar e guarda acidez, cor e aroma. Altitude é clima, não prémio.
- Amadeirado
- Passou por madeira (quase sempre carvalho) e apanhou notas de baunilha, coco, tosta.
- Aroma
- O que o nariz apanha antes da boca. O primário vem da uva (fruta, flor); o secundário, da fermentação (pão, manteiga); o terciário, do tempo (couro, tabaco, fruta seca). Sentir só “cheiro a vinho” também é resposta certa.
- Assemblage
- Assemblage → lote, ou corte. Mistura de castas ou de vinhos diferentes. É a mesma coisa. Uma das duas paga-se mais caro na carta.
- Avinagrado (acético)
- Vinho que se fez vinagre: bactérias, com a ajuda do ar, transformaram o álcool em ácido acético. Cheira a vinagre ou a verniz das unhas. Defeito de garrafa aberta há tempo a mais ou guardada ao calor, e é outro defeito, não o da rolha. Guia →
B
- Barrica
- O barril de carvalho. Madeira nova marca muito o vinho; madeira velha, quase nada.
- Blanc de blancs / blanc de noirs
- No espumante: blanc de blancs é feito só de castas brancas (Chardonnay, quase sempre); blanc de noirs, só de castas tintas prensadas sem a película (Pinot Noir, Meunier). Os dois saem claros no copo.
- Blend (lote, corte)
- Vinho de mais de uma casta. Não é defeito: alguns dos maiores vinhos do mundo são blends.
- Botrytis (podridão nobre)
- Um fungo que, com a névoa certa, mirra a uva na videira e concentra o açúcar: está na origem do Sauternes e do Tokaji, os doces mais famosos do mundo. Na uva errada ou no tempo errado, é só podridão.
- Bouquet
- O conjunto de aromas que o vinho ganha com o tempo de garrafa, diferente do aroma a fruta da juventude.
- Branco
- Vinho fermentado sem as películas: o sumo vai para a cuba e a película fica para trás. Pode até nascer de uva tinta (veja blanc de noirs). Tem mais acidez e menos tanino do que o tinto, e gosta de frio.
- Brut
- Espumante seco, com pouco açúcar (nos rótulos portugueses aparece como “bruto”). Extra-brut e nature: ainda mais secos. Guia →
C
- Carvalho (francês × americano)
- A madeira das barricas. O francês é de grão fino e marca com discrição (especiarias, tosta); o americano tem coco e baunilha à vista e custa bem menos. Nenhum é “o certo”: é tempero, e cada produtor tem a sua receita.
- Casta / cepa
- Casta é como em Portugal se chama à variedade de uva (“castas Touriga Nacional e Tinta Roriz”); no Brasil diz-se só “uva”. Cepa, na Argentina e no Chile, é a planta, e no rótulo passa a ser a casta também. As duas querem dizer variedade.
- Cava
- O espumante espanhol de método tradicional, quase todo da Catalunha, das castas Macabeo, Xarel·lo e Parellada. Bolha fina por uma fração do preço do Champagne.
- Champagne
- Espumante da região de Champagne, em França. O resto do mundo faz espumante, e alguns são tão bons por um terço do preço.
- Chaptalização
- Açúcar adicionado ao mosto antes de fermentar, para subir o álcool (não para adoçar: a levedura come tudo). No Brasil é permitida, com limite; no Reserva só até 1% de álcool a mais, e o Gran Reserva não leva. Guia →
- Charmat
- Espumante feito em cuba: mais fruta, menos pão. É o método do prosecco, e de ótimos espumantes brasileiros.
- Colheita tardia
- Uva colhida bem madura, quase passa: vinho doce de sobremesa. Também aparece como “late harvest”.
- Contrarrótulo
- O rótulo de trás, onde mora a informação a sério: casta, região, álcool, quem fez e quem importou. A frente é a montra; o contrarrótulo é o documento. Também é o nome da revista da casa. Revista →
- Corpo
- A “presença” do vinho na boca, da água (leve) ao leite gordo (encorpado).
- Crianza
- Em Espanha, o degrau abaixo do Reserva: tinto com 24 meses de envelhecimento, 6 deles em barrica (18 e 6 no branco e no rosé). É lei, não marketing: pode confiar-se no rótulo.
- Cristais (tartarato)
- Os “diamantes” no fundo da garrafa ou agarrados à rolha: tartarato, o sal do ácido natural da uva, que cristaliza com o frio. Sem sabor, sem perigo e sem vidro. Quando muito, sinal de que o produtor não passou o vinho pelo frio antes de engarrafar, etapa que muitos saltam de propósito.
- Cru / Grand Cru
- Vinha específica consagrada (Borgonha, Champagne). Geografia elevada a religião: interessante, não obrigatória.
- Cuvée
- Palavra francesa para um lote ou uma mistura específica; em Champagne, também o sumo da primeira prensagem, o mais fino. “Cuvée especial” no rótulo é o que o produtor quiser que seja.
D
- Decantar
- Passar o vinho para outro recipiente: separa o sedimento (vinhos velhos) e areja (jovens fechados). Meia hora no copo resolve na maioria dos casos. Guia →
- Demi-sec / meio-seco
- Com açúcar percetível. No espumante, vai bem com a sobremesa.
- DOC / DOCG / AOC / DO
- Selos de origem controlada (Itália, França, Portugal, Espanha, Brasil): dizem de onde vem o vinho e sob que regras. Origem, não nota de qualidade.
- Doce
- No espumante, a classe mais açucarada da lei brasileira: acima de 60 g de açúcar por litro. No vinho tranquilo, a classe correspondente (acima de 25 g) chama-se suave, no Brasil. É açúcar que a fermentação não comeu, ou que foi impedida de comer. Guia →
E
- Engaço
- O esqueleto do cacho, a parte verde que segura os bagos. Quase sempre sai antes da fermentação (o “desengace”); quando fica, dá tanino e um toque herbáceo, de propósito.
- Enólogo
- Quem faz o vinho: da uva à garrafa, decide colheita, fermentação, madeira e lote. Profissão com curso e lei própria no Brasil (desde 2007). O sommelier serve; o enólogo produz.
- Espumante
- Vinho com pressão de gás vinda de uma segunda fermentação. A categoria em que o Brasil mais brilha.
- Extra-brut
- Entre o nature e o brut: de 3 a 8 g de açúcar por litro. Seco a sério, sem a aspereza do nature. Bom de pedir quando o “brut” lhe parece doce a mais. Guia →
F
- Fermentação
- A levedura come o açúcar da uva e devolve álcool, gás e calor. É o que transforma sumo em vinho. A “segunda fermentação” do espumante é a mesma coisa, feita outra vez para prender a bolha.
- Filoxera
- O pulgão americano que devorou as raízes das vinhas da Europa no fim do século XIX. A cura foi enxertar a videira europeia em raiz americana, resistente: quase toda a vinha do mundo é assim até hoje. O Chile escapou.
- Fortificado
- Vinho com aguardente vínica adicionada (Porto, Jerez, Madeira): mais álcool, geralmente mais doçura, vida longuíssima. Em Portugal também se diz “generoso”.
- Frisante
- O meio-termo com bolha: menos pressão do que o espumante, leve, fácil, geralmente barato.
G
- Garrafão
- O vidro de 4,6 litros do vinho de mesa brasileiro, o do churrasco de família. É embalagem, não categoria: diz quanto leva, não como é. Muitos saem também em garrafa de 750 ml.
- Gran Reserva
- Em Espanha, envelhecimento longo garantido por lei (60 meses no tinto). Na Argentina, 24 meses; no Brasil, 18, com madeira. Fora de Espanha, leia com o pé atrás (veja Reserva).
- Guarda (vinho de)
- Feito para melhorar com anos de garrafa. Minoria absoluta: a maior parte dos vinhos nasce para ser bebida jovem.
H
- Harmonização
- Sugestão de casamento entre comida e vinho. Sugestão. O júri é o seu paladar.
I
- IGT / IP
- Indicações geográficas mais flexíveis (Itália / Brasil; em Portugal, o Vinho Regional, IG). Menos regras não é pior vinho: os Supertoscanos tornaram-se lenda fora da denominação, e o Sassicaia até ganhou uma DOC só para ele.
- Inox
- Cuba de aço inoxidável: não passa sabor, controla a temperatura e guarda a fruta. É onde nasce a maioria dos brancos, dos rosés e dos tintos jovens. Barrica é escolha, não obrigação.
J
- Jerez (Xerez, Sherry)
- O fortificado da Andaluzia, em Espanha. Vai do fino e da manzanilla (secos, salinos, para beber bem frescos) ao oloroso (escuro, a nozes) e ao Pedro Ximénez (doce como calda). Três nomes, o mesmo vinho: espanhol, português e inglês.
- Jovem
- Vinho para beber já, sem madeira ou com pouca, que sai da adega no ano seguinte à colheita (“joven”, no rótulo espanhol e argentino). Jovem não é inferior: a maior parte do vinho do mundo é assim.
L
- Lágrimas (pernas)
- Os fios que escorrem no copo depois de o rodar. São o álcool a evaporar mais depressa do que a água, e só: lágrima grossa quer dizer vinho mais alcoólico (ou mais doce), não vinho melhor.
- Levedura
- O fungo que faz o vinho: come o açúcar da uva e devolve álcool e gás. Pode ser a que já vive na película (a “selvagem”) ou uma selecionada, mais previsível. Sem ela, é sumo.
M
- Maceração
- O tempo em que o sumo fica em contacto com as películas (e as grainhas) da uva: é daí que o tinto tira cor, tanino e aroma. Horas dão rosé; semanas dão tinto de guarda. O branco quase não macera; o vinho laranja macera como um tinto.
- Magnum (e outros tamanhos)
- A garrafa de 1,5 litro, duas normais. Envelhece mais devagar (menos ar por litro) e enfeita a mesa. A meia garrafa tem 375 ml; a normal, 750; de 3 litros para cima os nomes mudam de região para região (jeroboam, matusalém…).
- Maloláctica
- A segunda transformação, feita por bactérias e não por leveduras: o ácido málico (de maçã verde) passa a láctico (de leite). Amacia quase todos os tintos e dá o toque de manteiga a certos Chardonnays.
- Método tradicional
- Segunda fermentação dentro da garrafa: bolha fina, notas de pão e brioche. Mais caro de fazer; é o método do Champagne.
- Mineralidade
- Sabor a pedra molhada → termo vago que a ciência ainda discute. Toda a gente usa, ninguém sabe definir. Use sem culpa.
- Moscatel
- A casta (moscato, muscat) que cheira a uva, e o espumante doce brasileiro feito dela, de uma fermentação só, parada a meio para sobrar açúcar. Farroupilha, no Rio Grande do Sul, é a capital, com indicação de procedência só para ele. Guia →
- Mosto
- O sumo da uva antes de fermentar, com ou sem as películas. É a matéria-prima: o que a levedura vai transformar em vinho.
N
- Nature
- O espumante mais seco de todos: até 3 g de açúcar por litro, quase nada (régua do decreto brasileiro de 2014, revogado em 2025, que os rótulos ainda seguem). Nos rótulos importados, brut nature ou zero dosage; nos portugueses, “bruto natural”. Nada a ver com vinho natural. Guia →
O
- Orgânico (biológico) / biodinâmico
- Orgânico, ou biológico, como se diz em Portugal: vinha sem pesticidas nem adubo sintético, com certificação. Biodinâmico: biológico mais um calendário lunar e preparados próprios, com certificação própria (Demeter). Dizem como a uva foi cultivada, não como o vinho é.
- Oxidado
- Vinho que apanhou do oxigénio: cor de tijolo, cheiro a maçã passada. Em Jerez é estilo, de propósito; no seu tinto de terça-feira, é defeito.
P
- Perlage
- Perlage → as bolhinhas. Finas e persistentes costumam indicar método tradicional bem feito. É só isso. Guia →
- Pét-nat
- Pétillant naturel, o espumante mais antigo que existe: engarrafado antes de a primeira fermentação acabar, com a bolha a terminar dentro da garrafa. Turvo, leve, carica de cerveja. Pode ser delicioso ou só confuso.
- Pirazina (o pimento)
- O cheiro a pimento verde de certos Cabernet, Carmenère e Sauvignon Blanc. Vem de uma molécula da uva (metoxipirazina) que desaparece com sol e maturação: muito pimento costuma ser uva colhida cedo.
- Porto
- O fortificado do Douro, em Portugal: a meio da fermentação entra aguardente, que trava a levedura e deixa o açúcar da uva no vinho. Doce e forte (cerca de 20% de álcool). Ruby e tawny, LBV e vintage são os estilos. Região →
- Prosecco
- Espumante do nordeste de Itália (Véneto e Friuli), da casta Glera, quase sempre feito em cuba (Charmat): fruta, leveza, bom preço. É nome de lugar (a aldeia de Prosecco, perto de Trieste, deu o nome à DOC); no Brasil, alguns produtores ainda escrevem a palavra no rótulo como nome da casta.
R
- Redução (cheiro a fósforo)
- O oposto do oxidado: vinho que ficou demasiado tempo sem ar e cheira a fósforo riscado, ovo ou borracha ao abrir. Quase sempre passa com uns minutos no copo ou no decantador. Se não passar, aí sim é defeito.
- Reserva
- Palavra com lei dura em Espanha, tempo mínimo na Argentina e no Brasil (no Brasil, 12 meses no tinto e 11% de álcool: regra flexível), meio grau de álcool a mais no Chile. Contexto é tudo. Guia →
- Reservado
- Não exige nada: nenhum envelhecimento, nenhuma seleção. No Brasil a lei até define: “vinho jovem pronto para consumo”. Costuma batizar a gama mais básica do produtor, com nome pomposo. Guia →
- Retrogosto (final de boca)
- O que fica na boca depois de engolir (o “finish”, o final de boca). Longo e agradável costuma ser sinal de vinho de nível.
- Rolha (bouchonné / TCA)
- Defeito da rolha: cheiro a cartão molhado, a bolor. Não é vinho “avinagrado”: é outro defeito. No restaurante, pode devolvê-lo.
- Rosé
- Feito de uva tinta com pouco contacto com as películas. Não é mistura de tinto com branco; isso é até proibido na Europa (exceto em Champagne).
S
- Safra (colheita)
- O ano da vindima, a que no Brasil se chama safra (vintage, cosecha, millésime, annata: a mesma coisa em cada rótulo). Serve para saber a idade e, em regiões de clima instável, a sorte daquele ano.
- Seco
- Sem açúcar percetível (a lei define o limite). Não confundir com amargo nem com “forte”. Guia →
- Sedimento (borra)
- O pó escuro no fundo de um tinto velho: tanino e cor que se juntaram e assentaram com os anos. Inofensivo, mas amargo na boca: por isso se decanta. No branco, o que aparece são os cristais, outra história.
- Sem álcool (desalcoolizado)
- Vinho a sério a que se retirou o álcool depois de pronto. A lei brasileira manda chamar-lhe “fermentado de uva desalcoolizado” e proíbe no rótulo as expressões “vinho sem álcool” e “vinho desalcoolizado”. Espumante e branco aromático funcionam melhor do que tinto. Guia →
- Solo (xisto, granito, argila…)
- O chão da vinha, que a garrafa adora citar: xisto no Douro, granito no Dão e no Vinho Verde, argila e calcário em tanto lado. Influencia a água e o calor na raiz; o sabor a pedra na boca é conversa (veja mineralidade).
- Sommelier (escanção)
- Profissional do serviço de vinhos, o escanção. Os bons valem ouro; frescura é achar que precisa de um para beber bem.
- Suave
- No Brasil, vinho doce (geralmente de mesa). Não é sinónimo de “leve”: é mesmo açúcar. Guia →
- Sulfitos
- O conservante (dióxido de enxofre) que quase todos os vinhos levam, natural incluído: protege do ar e das bactérias. A própria fermentação produz um pouco. O “contém sulfitos” do rótulo é aviso de rotina, não alarme.
- Sur lie / bâtonnage
- “Sobre as borras”: o vinho descansa com as leveduras mortas depois da fermentação, e o bâtonnage é mexê-las. Dá cremosidade e pão ao branco e ao espumante. Muscadet e Champagne vivem disso.
T
- Taça (copo)
- O copo de bojo largo e boca mais fechada serve para quase tudo: concentra o aroma e deixa rodar. Cristal fino ajuda; ter um copo para cada casta é passatempo, não exigência. O copo de tasca também bebe bem.
- Talha / ânfora
- Vinho fermentado em pote de barro, como faziam os romanos: no Alentejo é a talha, na Geórgia o qvevri, e o mundo chama-lhe ânfora. Sem madeira, sem inox: o barro respira e dá textura. O Alentejo certificou o Vinho de Talha na sua DOC.
- Tampa de rosca (e rolha sintética)
- Fecho de alumínio (a cápsula de rosca), padrão na Austrália e na Nova Zelândia: nunca dá o defeito da rolha e mantém o vinho jovem fresco. Não é sinal de vinho barato. A rolha sintética faz o mesmo papel, com menos elegância.
- Tanino
- A adstringência que “agarra” a língua, como chá preto forte. Vem da película, da grainha e da madeira. Amansa com tempo de garrafa e comida gorda. Guia →
- Tawny / Ruby
- Os dois Portos de todos os dias. O ruby envelhece pouco, em tonel grande, e fica cor de rubi, com fruta vermelha. O tawny envelhece em madeira pequena, oxida devagar e fica âmbar, a nozes e caramelo; os com idade (10, 20 anos) são lotes de vários anos montados para ter o sabor daquela idade, não uma conta de calendário. O tawny bebe-se fresco.
- Temperatura de serviço
- Espumante de 6 a 10 °C, branco e rosé de 8 a 12, tinto leve de 12 a 14, tinto encorpado de 16 a 18. “Temperatura ambiente” era a da Europa, 16 °C: no Brasil, o tinto vai 20 minutos ao frigorífico. Guia →
- Teor alcoólico
- O “% vol.” do rótulo: quanto do líquido é álcool. Quase todos os vinhos ficam entre 11% e 15%; o fortificado passa dos 15%. É a informação obrigatória mais útil da garrafa: de 13% para cima, comida e um copo de água por perto.
- Terroir
- O pacote completo do lugar: solo, clima, altitude e a mão de quem faz. Existe, sim; só que pelo caminho virou palavra de estatuto.
- Tinto
- Vinho fermentado com as películas da uva tinta: é delas que vêm a cor e o tanino. A polpa de quase todas as uvas é clara; tinto é decisão de vinificação, não de fruta.
V
- Varietal
- Vinho de (praticamente) uma casta só, o monovarietal, que leva o nome dela no rótulo: Malbec, Chardonnay, Tannat…
- Vindima
- A colheita da uva, o mês mais tenso do ano. No Brasil, de janeiro a março; no resto do hemisfério sul (Argentina, Chile, África do Sul, Austrália), de fevereiro a abril; na Europa, de agosto a outubro. O Vale do São Francisco, no Brasil, tira duas colheitas por ano e a Chapada Diamantina faz vindima de inverno. Viagens →
- Vinhas velhas
- Videiras antigas (30, 50, 80 anos) dão menos cachos e mais concentração. Não há idade mínima na lei da maioria dos países: “vinhas velhas”, “vieilles vignes” e “old vines” no rótulo valem o que o produtor disser.
- Vinho de mesa
- No Brasil, o que o rótulo chama só “vinho de mesa” (sem o “fino”) é feito de uvas americanas ou híbridas (Isabel, Bordô); na lei brasileira, “de mesa” é a categoria-mãe, e o fino é o de mesa só de viníferas. Outra categoria, outra proposta, outro preço, sem pedir desculpa.
- Vinho fino
- No Brasil, feito de castas viníferas (Cabernet, Merlot, Chardonnay…). “Fino” é categoria legal, não elogio.
- Vinho laranja
- Branco feito como tinto: a uva branca fermenta com as películas durante dias ou meses e sai âmbar, com tanino e cheiro a casca de laranja e chá. Invenção da Geórgia, com milhares de anos, virou moda nos anos 2000. Não leva laranja.
- Vinho natural
- Movimento de intervenção mínima (pouco ou nenhum sulfito). Definição legal ainda frouxa: pode ser ótimo — ou só turvo e caro.
- Vinho Verde
- Região do noroeste de Portugal, não vinho novo nem cor: branco leve, fresco, de álcool baixo e às vezes com uma agulha de gás. Alvarinho e Loureiro são as castas com nome. Também há tinto e rosé de lá. Região →
- Vinícola (adega, bodega, château, domaine…)
- Quem faz o vinho, em cada língua: vinícola no Brasil, adega e quinta em Portugal, bodega em Espanha e na Argentina, château e domaine em França, cantina e tenuta em Itália, weingut na Alemanha, winery em inglês. O nome muda; a função é a mesma.
- Vinífera (e americana, híbrida)
- Vitis vinifera é a espécie europeia: Cabernet, Merlot, Chardonnay, tudo o que faz vinho fino. As americanas (Isabel, Bordô, Niágara) são de outras espécies, rústicas e com aroma a uva (a Isabel é a casta do “morangueiro” de Portugal); as híbridas cruzam as duas. No Brasil, é a linha que separa o vinho fino do vinho de mesa.
- Vintage / LBV
- No Porto: vintage é o de uma colheita excecional, engarrafado cedo para envelhecer décadas na garrafa (e que se decanta); LBV (late bottled vintage) é de uma colheita só, mas ficou 4 a 6 anos na madeira e sai pronto a beber, por uma fração do preço. Fora do Porto, vintage é só a palavra inglesa para colheita (a safra, no Brasil).
- Vinhozinho
- s.m. A maneira sem frescura de aprender vinho. A descomplicar desde 2012 · Brasil.