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Vinho Verde: o nome é da região, não da cor

Vinho Verde não é a cor do vinho: é o nome de uma região do noroeste de Portugal, demarcada em 1908. De lá sai branco, tinto, rosé e espumante. O mais famoso é o branco leve e fresco, às vezes com uma pontinha de gás, que se dá muito bem com o calor brasileiro.

64 rótulos da casa são daqui51 brancos · 10 rosés · 3 espumantesNo mapa de Viagens

Onde fica e como é o lugar

A região ocupa o canto noroeste de Portugal. Começa no rio Minho, que faz fronteira com Espanha, desce pelo litoral até à cidade do Porto e, para sul, chega às margens do rio Vouga. É a maior denominação de origem do país.

Quem manda aqui é o Atlântico. O vento do mar entra pelos vales dos rios, chove bastante e a temperatura quase nunca chega a extremos. A uva amadurece sem pressa e guarda a acidez, aquela sensação fresca que enche a boca de água. O chão é quase todo de granito.

A exceção é Monção e Melgaço, no vale do Minho. Rodeada de montanhas que travam o vento do mar, tem invernos mais frios e verões mais quentes e secos do que o resto da região.

O Atlântico à esquerda, um rio entre montes verdes com vinha, vento a vir do mar e nuvens de chuva.
fig. 1Vinho Verde: quem manda é o Atlântico; o vento do mar entra pelos vales dos rios e chove bastante.

Verde de quê, afinal?

Não há veredicto sobre a origem do nome. Uma explicação liga o verde à acidez, que lembra fruta que ainda não amadureceu. A outra, à paisagem, que continua verde até no inverno, de tanta chuva. Certo mesmo é que o nome é do lugar: desde 1973 o registo internacional reserva Vinho Verde aos vinhos desta região.

As castas da região

Nos brancos, as estrelas são o Loureiro e o Alvarinho. O Loureiro é a casta mais plantada da região e gosta dos vales mais perto do mar, como o do rio Lima, onde se sente em casa. Dá brancos perfumados, de flor e limão.

O Alvarinho nasceu no vale do rio Minho e é a base de Monção e Melgaço. Dá brancos mais encorpados, que aguentam bem anos de guarda. Completam a equipa Arinto (a que lá chamam Pedernã), Trajadura, Avesso e Azal.

Nos tintos manda o Vinhão, de cor tão escura que chega a roxa. No rosé, as castas típicas são Espadeiro e Padeiro.

Que vinho sai de lá

O branco clássico é leve, de álcool baixo, bem fresco, às vezes com um pouco de gás e um fundinho de fruta doce. Mas a região também faz brancos mais sérios e encorpados, fermentados em inox ou em barrica, pensados para guardar.

O tinto tradicional é outra história: escuro, de tanino firme e acidez alta, às vezes com espuma rosada no copo. Hoje bebe-se mais lá mesmo do que fora. O rosé, que era discreto, cresceu muito na última década. E desde 1999 a denominação inclui espumante.

O que diz o rótulo

Vinho Verde no rótulo é a denominação de origem. Para usar o nome, o vinho segue a lei (que castas, quanto rende cada hectare, como é feito) e ainda passa por análise laboratorial e por uma câmara de provadores. Menções como Reserva também têm regras próprias.

O rótulo pode trazer uma das nove sub-regiões: Monção e Melgaço, Lima, Cávado, Ave, Basto, Sousa, Amarante, Baião e Paiva. Viu Minho em vez de Vinho Verde? É o Vinho Regional Minho: a mesma área, mas aceita castas de fora da tradição local, como Touriga Nacional, Chardonnay e Sauvignon Blanc. A garrafa certificada leva selo de garantia, e Monção e Melgaço tem selo próprio.

Com que combina

O branco leve é companhia de comida de praia e de tasca: pastel de camarão, casquinha de siri, peixe frito, pastel de bacalhau, sushi. Um Alvarinho mais encorpado aguenta uma moqueca ou um peixe grelhado. O rosé vai com salada, pizza e petiscos. E o tinto de Vinhão, ácido e tânico, corta a gordura: experimente com torresmos, linguiça ou feijoada. É sugestão, não lei: o melhor par é aquele de que gostar.

Um pouco de história

A fama da região começou pelos tintos. Os brancos só ganharam espaço a partir do fim do século XIX e passaram para a frente na segunda metade do século XX. A demarcação saiu a 18 de setembro de 1908, e a comissão que cuida da denominação, a CVRVV, nasceu em 1926.

Uma forma antiga de plantar por lá tem um nome curioso: vinha de enforcado, com a videira a subir e a enroscar-se nas árvores.

As castas dos rótulos daqui

Nos 64 rótulos da casa do Vinho Verde, as castas que mais aparecem. O número diz em quantos rótulos.

Para começar: vinhos do Vinho Verde por faixa de preço

A faixa de preço que a casa viu nas grandes lojas do Brasil, no mês indicado ao lado. O preço muda; a faixa costuma ficar.

Vai dar uma festa? Quantas garrafas comprar →

Os mais bem avaliados do Vinho Verde

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.

Ver os rótulos do Vinho Verde na pesquisa →

Resumo sem frescura: Vinho Verde é lugar, não cor. Ponha a refrescar, sirva e descubra qual é o seu: o levezinho de verão, o Alvarinho mais sério ou o tinto que tinge o copo.

Fontes desta página

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