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Mendoza: o Malbec que bebe água do degelo dos Andes

Mendoza é o endereço principal do vinho argentino: 71,7% da área de vinha do país está lá, segundo o INV, o instituto oficial do vinho na Argentina. É um deserto ao pé dos Andes, onde a videira vive da água do degelo e o Malbec se tornou a cara do país.

468 rótulos da casa são daqui329 tintos · 96 brancos · 19 espumantes · 16 rosés · 8 de sobremesa ou PortoNo mapa de ViagensRoteiro de viagem

Onde fica e como é o lugar

Mendoza fica no centro-oeste da Argentina, encostada à Cordilheira dos Andes, que ali tem o Aconcágua, com 6.961 metros (6.960,8 na medição oficial de 2012), o pico mais alto das Américas. A montanha trava a humidade que vem do Pacífico, e o resultado é um clima seco: chove em média 220 milímetros por ano. Bordéus, em França, recebe uns 850.

Com tão pouca chuva, a videira depende da água que desce das montanhas quando a neve derrete. Chega às vinhas por canais de rega, as acequias, e também pela rega gota a gota. E as vinhas sobem: vão dos 430 aos 2.000 metros de altitude.

Os Andes nevados ao fundo, um deserto com fileiras de vinha e um canal de água a descer da montanha.
fig. 1Mendoza: deserto ao pé dos Andes, com 220 mm de chuva por ano; a videira bebe a água do degelo, que chega pelas acequias.

As castas da região

A rainha é a Malbec, com 28,3% das vinhas da província, segundo o INV (dados de 2025). Mais de 8 em cada 10 hectares de Malbec da Argentina estão em Mendoza. Seguem-se Bonarda, Cereza, Criolla Grande e Cabernet Sauvignon. Cereza e Criolla Grande são castas criollas, de película rosada.

A Malbec é francesa de nascença, da região de Cahors, no sudoeste de França. Chegou a Mendoza em 1853, com o agrónomo francês Michel Aimé Pouget, contratado para dirigir a Quinta Agronómica da província. Por isso o Dia Mundial do Malbec é a 17 de abril: foi nesse dia, em 1853, que o projeto da Quinta foi apresentado à legislatura de Mendoza.

Nos brancos, as que mais aparecem são Pedro Giménez, Chardonnay e Torrontés Riojano.

Que vinho sai de lá

Mendoza é terra de tinto: 65% da área de uva para vinho é de castas tintas, segundo o INV. O Malbec daqui costuma ter uma cor bem escura e muita fruta, e aparece em várias versões: jovem e sem madeira, para beber já; com passagem por barrica, mais encorpado e com fôlego para guarda; e em blend com Cabernet Sauvignon, Bonarda ou Syrah.

O que diz o rótulo

Na Argentina, a origem no rótulo segue a lei 25.163. A IG (Indicação Geográfica) diz de onde vem o vinho. Pode ser a província inteira (“Mendoza”), um departamento (“Luján de Cuyo”, “Tupungato”) ou um lugar pequeno, como “Paraje Altamira” ou “Los Chacayes”. O Valle de Uco é IG desde 2002.

O degrau acima é a DOC (Denominação de Origem Controlada), com regras de casta e de produção. Só existem duas no país, e ambas ficam em Mendoza: Luján de Cuyo, reconhecida pelo INV em 2005, e San Rafael, em 2007.

A DOC Luján de Cuyo nasceu da vontade de produtores de proteger vinhas velhas de Malbec, e os primeiros vinhos com o nome saíram em 1991. A regra pede videiras com mais de 10 anos, no máximo 10 toneladas de uva por hectare e pelo menos um ano de barrica, com dois anos de espera antes da venda.

Com que combina

Malbec e carne são velhos amigos: picanha, fraldinha, costela, hambúrguer. Também vai bem com pizza de calabresa, lasanha à bolonhesa e feijão tropeiro. Um Malbec mais leve, sem madeira, aguenta até a pizza de mozzarella de sexta à noite. A Chardonnay mendocina fica ótima com frango assado e moqueca de peixe. Harmonização é sugestão: o melhor par é aquele de que gostar.

As cinco Mendozas

A Wines of Argentina divide a província em cinco grandes zonas. Vale a pena conhecê-las, porque muitos destes nomes são IG e aparecem no rótulo:

  • Primera Zona (Luján de Cuyo e Maipú): vizinha da cidade de Mendoza, dos 680 aos 1.170 metros.
  • Valle de Uco (Tupungato, Tunuyán e San Carlos): alto e fresco, dos 900 aos 1.700 metros. Foi o único canto da província onde a área de vinha não encolheu nos últimos dez anos.
  • Leste (San Martín, Rivadavia, Junín, Santa Rosa e La Paz): mais baixo e quente, dos 550 aos 700 metros. San Martín é o departamento com mais vinha de Mendoza.
  • Sul (San Rafael, General Alvear e Malargüe): casa da DOC San Rafael, cujas vinhas ficam entre os 600 e os 800 metros.
  • Norte (Lavalle e Las Heras).

As castas dos rótulos daqui

Nos 468 rótulos da casa de Mendoza, as castas que mais aparecem. O número diz em quantos rótulos.

Para começar: vinhos de Mendoza por faixa de preço

A faixa de preço que a casa viu nas grandes lojas do Brasil, no mês indicado ao lado. O preço muda; a faixa costuma ficar.

Vai dar uma festa? Quantas garrafas comprar →

Os mais bem avaliados de Mendoza

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.

Ver os rótulos de Mendoza na pesquisa →

Resumo sem frescura: Mendoza é um deserto que se tornou vinha à custa de água de neve. Prove um Malbec simples e depois um do Valle de Uco, lado a lado, e repare no que a altitude muda no seu copo.

Fontes desta página

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