As regiões · Argentina
Mendoza: o Malbec que bebe água do degelo dos Andes
Mendoza é o endereço principal do vinho argentino: 71,7% da área de vinha do país está lá, segundo o INV, o instituto oficial do vinho na Argentina. É um deserto ao pé dos Andes, onde a videira vive da água do degelo e o Malbec se tornou a cara do país.
Onde fica e como é o lugar
Mendoza fica no centro-oeste da Argentina, encostada à Cordilheira dos Andes, que ali tem o Aconcágua, com 6.961 metros (6.960,8 na medição oficial de 2012), o pico mais alto das Américas. A montanha trava a humidade que vem do Pacífico, e o resultado é um clima seco: chove em média 220 milímetros por ano. Bordéus, em França, recebe uns 850.
Com tão pouca chuva, a videira depende da água que desce das montanhas quando a neve derrete. Chega às vinhas por canais de rega, as acequias, e também pela rega gota a gota. E as vinhas sobem: vão dos 430 aos 2.000 metros de altitude.
As castas da região
A rainha é a Malbec, com 28,3% das vinhas da província, segundo o INV (dados de 2025). Mais de 8 em cada 10 hectares de Malbec da Argentina estão em Mendoza. Seguem-se Bonarda, Cereza, Criolla Grande e Cabernet Sauvignon. Cereza e Criolla Grande são castas criollas, de película rosada.
A Malbec é francesa de nascença, da região de Cahors, no sudoeste de França. Chegou a Mendoza em 1853, com o agrónomo francês Michel Aimé Pouget, contratado para dirigir a Quinta Agronómica da província. Por isso o Dia Mundial do Malbec é a 17 de abril: foi nesse dia, em 1853, que o projeto da Quinta foi apresentado à legislatura de Mendoza.
Nos brancos, as que mais aparecem são Pedro Giménez, Chardonnay e Torrontés Riojano.
Que vinho sai de lá
Mendoza é terra de tinto: 65% da área de uva para vinho é de castas tintas, segundo o INV. O Malbec daqui costuma ter uma cor bem escura e muita fruta, e aparece em várias versões: jovem e sem madeira, para beber já; com passagem por barrica, mais encorpado e com fôlego para guarda; e em blend com Cabernet Sauvignon, Bonarda ou Syrah.
O que diz o rótulo
Na Argentina, a origem no rótulo segue a lei 25.163. A IG (Indicação Geográfica) diz de onde vem o vinho. Pode ser a província inteira (“Mendoza”), um departamento (“Luján de Cuyo”, “Tupungato”) ou um lugar pequeno, como “Paraje Altamira” ou “Los Chacayes”. O Valle de Uco é IG desde 2002.
O degrau acima é a DOC (Denominação de Origem Controlada), com regras de casta e de produção. Só existem duas no país, e ambas ficam em Mendoza: Luján de Cuyo, reconhecida pelo INV em 2005, e San Rafael, em 2007.
A DOC Luján de Cuyo nasceu da vontade de produtores de proteger vinhas velhas de Malbec, e os primeiros vinhos com o nome saíram em 1991. A regra pede videiras com mais de 10 anos, no máximo 10 toneladas de uva por hectare e pelo menos um ano de barrica, com dois anos de espera antes da venda.
Com que combina
Malbec e carne são velhos amigos: picanha, fraldinha, costela, hambúrguer. Também vai bem com pizza de calabresa, lasanha à bolonhesa e feijão tropeiro. Um Malbec mais leve, sem madeira, aguenta até a pizza de mozzarella de sexta à noite. A Chardonnay mendocina fica ótima com frango assado e moqueca de peixe. Harmonização é sugestão: o melhor par é aquele de que gostar.
As cinco Mendozas
A Wines of Argentina divide a província em cinco grandes zonas. Vale a pena conhecê-las, porque muitos destes nomes são IG e aparecem no rótulo:
- Primera Zona (Luján de Cuyo e Maipú): vizinha da cidade de Mendoza, dos 680 aos 1.170 metros.
- Valle de Uco (Tupungato, Tunuyán e San Carlos): alto e fresco, dos 900 aos 1.700 metros. Foi o único canto da província onde a área de vinha não encolheu nos últimos dez anos.
- Leste (San Martín, Rivadavia, Junín, Santa Rosa e La Paz): mais baixo e quente, dos 550 aos 700 metros. San Martín é o departamento com mais vinha de Mendoza.
- Sul (San Rafael, General Alvear e Malargüe): casa da DOC San Rafael, cujas vinhas ficam entre os 600 e os 800 metros.
- Norte (Lavalle e Las Heras).
As castas dos rótulos daqui
Nos 468 rótulos da casa de Mendoza, as castas que mais aparecem. O número diz em quantos rótulos.
Para começar: vinhos de Mendoza por faixa de preço
A faixa de preço que a casa viu nas grandes lojas do Brasil, no mês indicado ao lado. O preço muda; a faixa costuma ficar.
- Nieto Senetiner Benjamin Suave & Refrescanteaté R$ 60conferida em set/2026
- Trapiche Roble MalbecR$ 60 a 100conferida em set/2026
- Bodega Norton Malbec D.O.C.R$ 100 a 150conferida em set/2026
- Zuccardi Serie A MalbecR$ 150 a 200conferida em set/2026
- Rutini Cabernet-MalbecR$ 200 a 300conferida em set/2026
Vai dar uma festa? Quantas garrafas comprar →
Os mais bem avaliados de Mendoza
Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.
- Catena Zapata Estiba Reservadanota ★ 4,8
- Viña Cobos Cobos Marchiori Estate Malbecnota ★ 4,8
- El Enemigo Gran Enemigo Single Vineyard Gualtallary Cabernet Francnota ★ 4,7
- Nosotros Rednota ★ 4,7
- Catena Zapata Nicola Catena Parcela Bonardanota ★ 4,7
- El Enemigo Gran Enemigo Single Vineyard Agrelo Cabernet Francnota ★ 4,7
- El Enemigo Gran Enemigo Single Vineyard Chacayes Cabernet Francnota ★ 4,6
- Viña Cobos Bramare Marchiori Vineyard Malbecnota ★ 4,6
Ver os rótulos de Mendoza na pesquisa →