vinhozinho

As regiões · Brasil

Campanha Gaúcha: o vinho do pampa, na fronteira

A Campanha Gaúcha é o vinho do pampa: campo aberto, gado, coxilhas e videiras no sudoeste do Rio Grande do Sul, colada ao Uruguai e à Argentina. É a região de vinho mais quente e com menos chuva do Sul do Brasil, e desde 2020 tem indicação geográfica própria.

47 rótulos da casa são daqui36 tintos · 8 brancos · 2 espumantes · 1 roséNo mapa de ViagensRoteiro de viagem

Onde fica e como é o lugar

A área da indicação é enorme: 44.365 km², em 14 municípios, como Santana do Livramento, Bagé, Dom Pedrito, Candiota e Uruguaiana. É paisagem de pampa, com planície a oeste e coxilhas, aquelas colinas baixas e arredondadas, no centro e a leste. A altitude média anda pelos 150 metros, e as vinhas preferem a faixa entre 160 e 220.

O clima é o oposto do da Serra Gaúcha. O inverno chega perto dos 0 °C, o verão pode chegar aos 40 °C, e chove menos. Com tanto calor, dá para cultivar desde castas que amadurecem cedo até castas de ciclo longo.

Colinas baixas e arredondadas de pampa, com fileiras de vinha, um boi a pastar e o sol.
fig. 1Campanha Gaúcha: pampa de planície e coxilhas, as colinas baixas e arredondadas, com as vinhas entre 160 e 220 metros.

As castas da região

A regra da IP lista 36 castas, todas viníferas, a família europeia do vinho fino. As castas americanas e híbridas, como a Isabel, ficam fora da indicação.

Nos tintos aparecem Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Cabernet Franc, Pinot Noir, Tempranillo, Malbec e Pinotage, com Syrah e Petit Verdot a entrar nos lotes. Nos brancos, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer e Pinot Gris. A lista tem até uma surpresa portuguesa: Touriga Nacional, Alvarinho e Alfrocheiro.

Vale a pena estar atento à Tannat. Do outro lado da fronteira, o Uruguai fez dela a sua casta-símbolo. Dá um tinto potente, daqueles que a casa acha que pedem comida na mesa.

Que vinho sai de lá

Um pouco de tudo: branco, rosé, tinto e espumante. Os tintos vão do jovem, para beber logo, ao de guarda, feito para aguentar anos na garrafeira. Muitos brancos são varietais, ou seja, de uma casta só.

O rosé costuma sair de castas tintas, como Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir. O espumante é, sobretudo, de Chardonnay, sozinha ou com Pinot Noir, e pode ser feito pelo método tradicional (a segunda fermentação acontece na garrafa) ou pelo Charmat (a segunda fermentação acontece numa cuba grande e fechada).

O que diz o rótulo

Procure “Campanha Gaúcha — Indicação de Procedência” no rótulo e um selo de controlo numerado na garrafa. IP quer dizer que o lugar ganhou fama por aquele vinho. É diferente de DO, a Denominação de Origem, que exige mostrar que o lugar deixa marca no próprio vinho.

Para levar o nome, o vinho segue algumas regras. A uva é 100% colhida dentro da área, em vinha conduzida em espaldeira (fileiras retas, como uma vedação). A produção tem limite por hectare: 10 toneladas para tinto, 12 para branco e rosé, 15 para espumante. O varietal tem pelo menos 85% da casta do rótulo, e o ano de colheita escrito vale para pelo menos 85% do vinho. No fim, uma comissão prova tudo às cegas.

Com que combina

É terra de churrasco, e o vinho daqui entende o recado. Tannat ou Cabernet Sauvignon com costela gorda e picanha: o tanino e a gordura dão-se bem. O pampa cria gado e ovelhas, por isso borrego assado com Merlot ou Cabernet Franc é programa certo. Arroz de carreteiro vai bem com tinto jovem ou rosé, e Chardonnay combina com frango assado e peixe grelhado. É sugestão, não regra: vale o que lhe agradar.

Uma região nova com raiz antiga

A uva chegou cedo, com as reduções jesuíticas e os colonizadores portugueses. Mas o vinho de hoje começou nas décadas de 1970 e 1980, quando Santana do Livramento ganhou grandes vinhas e as primeiras adegas. Na década de 2000, novos investimentos levaram a vinha a vários municípios, e em 2015 já eram 1.560 hectares de uva vinífera.

Os produtores fundaram a sua associação em 2010 e, entre 2013 e 2017, estudaram solo, clima e vinho num projeto coordenado pela Embrapa. Daí saiu o pedido ao INPI, que registou a Indicação de Procedência em 2020.

As castas dos rótulos daqui

Nos 47 rótulos da casa da Campanha Gaúcha, as castas que mais aparecem. O número indica em quantos rótulos.

Para começar: vinhos da Campanha Gaúcha por faixa de preço

A faixa de preço que a casa viu nas grandes lojas do Brasil, no mês indicado ao lado. O preço muda; a faixa costuma ficar.

Vai dar uma festa? Quantas garrafas comprar →

Os mais bem avaliados da Campanha Gaúcha

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.

Ver os rótulos da Campanha Gaúcha na pesquisa →

Resumo sem frescura: a Campanha é vinho de sol, de campo aberto e de churrasco. No próximo, leve um Tannat da fronteira e tire as suas próprias conclusões.

Fontes desta página

  • Embrapa Uva e Vinho — IP Campanha Gaúcha — www.embrapa.br
  • Vinhos da Campanha Gaúcha — Regulamento de Uso da IP Campanha Gaúcha (2019) — www.vinhosdacampanha.com.br
  • MAPA/Sebrae — Vinhos brasileiros com Indicação Geográfica (catálogo, 2022) — www.gov.br
  • Lei n.º 7.678/1988 (redação da Lei n.º 10.970/2004), art. 11 — www.planalto.gov.br
  • INAVI — Vinos de Uruguay: Tannat — www.vinosdeluruguay.com
  • Rótulos, notas, castas e regiões da lista da casa: X-Wines, base científica aberta (de Azambuja, R. X. et al., 2023), verificada pela casa — github.com

✓ Regra da casa: sem fonte, não se publica.

A casa está aberta. Deixe o e-mail e deguste prove primeiro cada novidade: rondas novas, roteiros e a próxima Contrarrótulo.

O primeiro gole de informação será para si.

VEJA TAMBÉM ↓