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Serra Gaúcha: o vinho brasileiro com sotaque italiano

A Serra Gaúcha é o vinho brasileiro com sotaque italiano, plantado nos montes do nordeste do Rio Grande do Sul. Foi lá, no Vale dos Vinhedos, que o Brasil ganhou a sua primeira indicação geográfica, em 2002, e a primeira denominação de origem de vinho, em 2012. E há um espumante com regras só suas.

316 rótulos da casa são daqui193 tintos · 81 espumantes · 34 brancos · 4 de sobremesa ou Porto · 4 rosésNo mapa de ViagensRoteiro de viagem

Onde fica e como é o lugar

Pense em montes, vales e vinhas a perder de vista. No Vale dos Vinhedos, entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, as vinhas ficam entre os 500 e os 700 metros de altitude. Na vizinha Pinto Bandeira, sobem até aos 770 metros.

O clima foge ao manual: chovem cerca de 1.700 milímetros por ano, bem distribuídos, inclusive no verão, quando a uva amadurece e é vindimada (janeiro e fevereiro). É diferente da maioria das regiões vinícolas do mundo, e isso dá ao vinho daqui um jeito próprio.

O vinho da Serra começou com famílias italianas que chegaram a partir de 1875 e faziam vinho para a própria mesa. Até hoje é coisa de família: no Vale dos Vinhedos, mais de oito em cada dez propriedades têm menos de 5 hectares de vinha.

Montes verdes cobertos de vinha, uma casinha de telhado vermelho e nuvens de chuva.
fig. 1Serra Gaúcha: montes, vales e vinhas a perder de vista, e chuva o ano inteiro, até na vindima.

As castas da região

Aqui convivem dois mundos. Um é o das castas americanas e híbridas, como a Isabel, que dão sumo e vinho de mesa. São elas que dominam a paisagem: em 2012, só 11% das vinhas do miolo da Serra (a microrregião de Caxias do Sul) eram de uva vinífera, a família europeia do vinho fino.

O outro mundo é o do vinho fino, com Cabernet Sauvignon, Merlot, Moscato Branco, Chardonnay, Riesling Itálico e Tannat entre as mais plantadas. No Vale dos Vinhedos, as bandeiras são a Merlot, a vinífera mais plantada por lá, e a Chardonnay.

Que vinho sai de lá

O espumante é a estrela. O brut, o de pouco açúcar, pode ser feito das duas maneiras que a lei reconhece: com a segunda fermentação na própria garrafa (o método tradicional) ou num tanque grande e fechado (o Charmat). E há o moscatel espumante, doce e perfumado, especialidade de Farroupilha, a maior produtora de uva moscatel do Brasil.

Nos tintos, a Merlot aparece sozinha ou em blend com Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat. Nos brancos, mandam a Chardonnay e a Riesling Itálico. No copo, para a casa, a marca da Serra é ser fresco: vinho de acidez viva, que pede comida.

O que diz o rótulo

Pela lei brasileira, “vinho fino” no rótulo quer dizer só uva vinífera. Depois vêm os selos de origem. IP (Indicação de Procedência) diz que o lugar ficou conhecido por aquele vinho. DO (Denominação de Origem) vai mais longe: o lugar deixa marca no vinho, e as regras apertam.

Com “Vale dos Vinhedos — Denominação de Origem”, a uva é 100% da área. O tinto é varietal de Merlot ou lote com pelo menos 60% dela; o branco faz a mesma conta com a Chardonnay e completa com Riesling Itálico. O espumante é só de método tradicional, com pelo menos 60% de Chardonnay e/ou Pinot Noir. Antes de sair, o tinto espera no mínimo 12 meses, o branco 6, e o espumante passa 9 meses com as leveduras, os bichinhos da fermentação.

Desde 2022 existe também “Altos de Pinto Bandeira — Denominação de Origem”, só para espumante: método tradicional, Chardonnay e Pinot Noir (a Riesling Itálico entra com 25% no máximo) e pelo menos 12 meses em garrafa antes de lhe tirarem as borras. Segundo a Embrapa, é a primeira DO exclusiva de espumante do Novo Mundo.

Com que combina

Comida de colónia italiana pede vinho da colónia. Um espumante brut vai bem com pastel de feira, coxinha e torresmo. O Merlot da Serra combina com galeto, polenta frita e sopa de capeletti. O moscatel espumante faz par com panetone, salada de fruta e bolo de fubá. Tudo sugestão: manda o seu gosto.

As outras indicações da Serra

Além do Vale dos Vinhedos, a Serra tem outras indicações de procedência:

  • Pinto Bandeira (2010): espumante, tinto e branco, em vinhas acima dos 500 metros.
  • Altos Montes (2012): Flores da Cunha e Nova Pádua, clima mais ameno e vindima mais tardia.
  • Monte Belo (2013): mais quente que as vizinhas, com uva que amadurece mais cedo.
  • Farroupilha (2015): dedicada à uva moscatel, do vinho tranquilo ao espumante.

As castas dos rótulos daqui

Nos 316 rótulos da casa da Serra Gaúcha, as castas que mais aparecem. O número diz em quantos rótulos.

Para começar: vinhos da Serra Gaúcha por faixa de preço

A faixa de preço que a casa viu nas grandes lojas do Brasil, no mês indicado ao lado. O preço muda; a faixa costuma ficar.

Vai dar uma festa? Quantas garrafas comprar →

Os mais bem avaliados da Serra Gaúcha

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.

Ver os rótulos da Serra Gaúcha na pesquisa →

Resumo sem frescura: a Serra é o sítio certo para perceber o vinho brasileiro de perto. Comece por um espumante e um Merlot do Vale e veja qual dos dois tem mais a ver consigo.

Fontes desta página

  • Embrapa Uva e Vinho — Indicações Geográficas de Vinhos do Brasil — www.embrapa.br
  • Embrapa Uva e Vinho — DO Vale dos Vinhedos — www.embrapa.br
  • Embrapa Uva e Vinho — DO Altos de Pinto Bandeira — www.embrapa.br
  • MAPA/Sebrae — Vinhos brasileiros com Indicação Geográfica (catálogo, 2022) — www.gov.br
  • Embrapa — A viticultura na delimitação da DO Vale dos Vinhedos: cadastro vitícola (Mello e Machado) — www.cnpuv.embrapa.br
  • Lei n.º 7.678/1988 (redação da Lei n.º 10.970/2004), arts. 9 e 11 — www.planalto.gov.br
  • Rótulos, notas, castas e regiões da lista da casa: X-Wines, base científica aberta (de Azambuja, R. X. et al., 2023), verificada pela casa — github.com

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