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As regiões · Itália

Toscana: a terra da Sangiovese, do Chianti ao Brunello

A Toscana é a região do centro de Itália onde ficam Florença e Siena, e onde a Sangiovese manda. Dela saem Chianti, Chianti Classico, Brunello di Montalcino, Vino Nobile di Montepulciano, os tintos de Bolgheri e um branco antigo, a Vernaccia. São muitos nomes no rótulo, mas quase todos contam a mesma história: a casta é a mesma, o que muda é o pedaço de terra.

1.216 rótulos da pesquisa são daqui1137 tintos · 63 brancos · 12 rosés · 2 de sobremesa ou Porto · 2 espumantes

Onde fica e como é o lugar

A Toscana fica no centro de Itália, entre o mar Tirreno, a oeste, e os Apeninos, a leste. É terra de colinas: a vinha divide a encosta com oliveiras, bosques e filas de ciprestes, aquela paisagem de postal. O Chianti Classico, por exemplo, ocupa uns 71.800 hectares entre Florença e Siena, em municípios como Greve, Radda, Gaiole e Castellina in Chianti.

Cada canto tem o seu feitio. Montalcino, uns 40 km a sul de Siena, é uma colina só, com vinhas de 120 a 650 metros de altitude e chuva de uns 700 mm por ano; o Monte Amiata, com 1.740 metros, protege do granizo. Já Bolgheri fica no litoral: vinhas de 10 a 380 metros, vento em pelo menos 250 dias do ano e média de 15,5 °C.

Colinas suaves em camadas, uma casa de quinta de pedra no alto, uma fila de ciprestes, oliveiras e fileiras de vinha.
fig. 1Toscana: colinas suaves, ciprestes em fila e a vinha a dividir a encosta com a oliveira.

As castas da região

A dona da casa é a Sangiovese, casta tinta que aparece em quase todas as denominações toscanas. O consórcio do Chianti descreve o vinho dela como seco, levemente tânico (tanino é aquele aperto na gengiva) e com aroma a violeta e pequenos frutos vermelhos. Em Montalcino, o povo chamava à casta Brunello, e o nome passou a ser o do vinho. No Chianti Classico, pode dividir a garrafa com castas locais, como Canaiolo, Colorino e Ciliegiolo, ou com Cabernet Sauvignon e Merlot.

No litoral, a conversa é outra. Em Bolgheri, o tinto costuma ser o lote bordalês, a mistura de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, às vezes com Syrah e Petit Verdot. Nos brancos, a Vernaccia reina em San Gimignano, o Vermentino espalhou-se pelas colinas da costa, e Trebbiano e Malvasia transformam-se no Vin Santo.

Que vinho sai de lá

Sai de tudo, mas o forte é o tinto seco. Há o tinto do dia a dia, fresco e frutado, para beber jovem; há o tinto com passagem por barrica, que aguenta anos de guarda, como o Brunello, que o consórcio diz durar de 10 a 30 anos na adega certa. Há branco fresco, rosé e tinto de lote ao estilo de Bordéus. E há o Vin Santo, o vinho de sobremesa da região: feito com Malvasia e Trebbiano secas em parte antes de fermentar, e amadurecido em barrica pequena de carvalho.

O que diz o rótulo

Em Itália, a escada da origem tem três degraus. IGT (Indicação Geográfica Típica) é o mais largo: na Toscana, a IGT Toscana vale para a região inteira e aceita qualquer casta autorizada ali. DOC (Denominação de Origem Controlada) já tem zona, casta e modo de fazer definidos. DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) é o degrau de cima, com regra mais apertada e um selo numerado do Estado na garrafa. Segundo a Regione Toscana, são 11 DOCG, 41 DOC e 6 IGT. Riserva quer dizer mais tempo de espera antes da venda, e cada denominação define quanto.

Os nomes que mais aparecem por aqui, e onde ficam dentro da Toscana:

  • Chianti DOCG: zona grande, em seis províncias (Arezzo, Florença, Pisa, Pistoia, Prato e Siena), com pelo menos 60% de Sangiovese. Pode trazer o nome de uma subzona: Colli Aretini, Colli Fiorentini, Colli Senesi, Colline Pisane, Montalbano, Rufina, Montespertoli ou Terre di Vinci.
  • Chianti Classico DOCG: o miolo histórico entre Florença e Siena, com o galo negro no gargalo ou no contrarrótulo. Pede pelo menos 80% de Sangiovese e tem três degraus: Annata (12 meses de espera), Riserva (24 meses) e Gran Selezione (30 meses, uvas da própria adega e pelo menos 90% de Sangiovese).
  • Brunello di Montalcino DOCG: Sangiovese pura, só no município de Montalcino. Chega à loja a 1 de janeiro do quinto ano depois da colheita, com pelo menos dois anos em madeira; a Riserva espera mais um ano. O Rosso di Montalcino é o irmão mais novo, também só de Sangiovese, vendido a partir de 1 de setembro do ano seguinte à colheita.
  • Vino Nobile di Montepulciano DOCG: no município de Montepulciano, com vinhas de 250 a 600 metros, pelo menos 70% de Sangiovese e dois anos de estágio (três na Riserva).
  • Bolgheri DOC: no município de Castagneto Carducci, na costa. Os grandes tintos de lote bordalês moram aqui.
  • Morellino di Scansano DOCG: nas colinas da província de Grosseto, no sul da Toscana, com pelo menos 85% de Sangiovese. Maremma Toscana DOC é a denominação que cobre toda a província de Grosseto.
  • Vernaccia di San Gimignano DOCG: o branco da cidade das torres, com pelo menos 85% da casta Vernaccia, que também tem versão Riserva.

Com que combina

A Sangiovese foi feita para a mesa italiana, e a mesa brasileira tem muito dela. Um Chianti jovem cai bem com pizza, a massa de domingo, lasanha e almôndegas ao sugo: a acidez da casta conversa com o molho de tomate. Um Brunello ou um Chianti Classico Riserva pede coisa mais forte, como costela, carne estufada, borrego, queijo curado. A Vernaccia vai com peixe grelhado, salada e frango. E o Vin Santo fecha a noite com biscoitos para molhar no copo, à moda toscana. Tudo sugestão: se gostou de outro par, vá por outro par.

O galo negro e as fronteiras de 1716

Em 1716, o grão-duque da Toscana, Cosimo III de Médici, assinou um decreto a marcar os limites da zona onde se fazia o vinho Chianti, entre Florença e Siena. No mesmo ano, outro decreto criou uma equipa para fiscalizar a produção e o comércio, porque já havia Chianti falsificado a seguir para Inglaterra. Para o consórcio do Chianti Classico, é ali que, pela primeira vez, a ligação entre o vinho e o lugar ganha força de lei.

O galo negro vem de antes: era o símbolo da Lega del Chianti, criada pela República de Florença no fim do século XIV. Em 1924, 33 produtores fundaram em Radda o primeiro consórcio de vinho de Itália e escolheram o galo como marca. Com o tempo, o Chianti espalhou-se por boa parte da Toscana, e a palavra Classico passou a separar o original: DOC em 1967, DOCG em 1984 e denominação própria, separada do Chianti, em 1996.

As castas dos rótulos daqui

Nos 1.216 rótulos da pesquisa da Toscana, as castas que mais aparecem. O número diz em quantos rótulos.

Os mais bem avaliados da Toscana

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.

Ver os rótulos da Toscana na pesquisa →

Resumo sem frescura: na Toscana, quase tudo é Sangiovese, e o nome no rótulo diz de que colina ela veio. Prove um Chianti jovem com a pizza de sexta e, num dia especial, um Brunello com a carne estufada: é a mesma casta em dois tempos.

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