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As castas da casa · tinta

Sangiovese: a casta que manda na Toscana

Sangiovese é a casta tinta que manda na Toscana. É dela o Chianti, o Brunello di Montalcino e o Vino Nobile di Montepulciano. Dá um vinho de cor rubi, aroma a cereja e um gole que faz crescer água na boca, com acidez viva e aquele aperto do tanino. Se já bebeu um tinto italiano com a pizza, há uma boa probabilidade de ter sido ela.

1.254 rótulos da pesquisa levam Sangiovese914 só de Sangiovesede 12 países

De onde vem

A Sangiovese é italiana. No VIVC, o catálogo internacional de castas, o nome principal dela é mesmo Sangiovese, tinta, com origem em Itália. Quem são os pais ainda é assunto em aberto: o catálogo regista mais de uma hipótese tirada de testes de ADN e avisa que falta análise para pôr um ponto final na questão. O que o ADN já mostrou é que ela tem filhos, ou seja, entrou na família de outras castas italianas.

O registo oficial de castas de Itália, mantido pelo Ministério da Agricultura, separa a Sangiovese em dois grupos de tipos: o de bago grande (Sangiovese grosso) e o de bago pequeno (Sangiovese piccolo). Os nomes locais Brunello, de Montalcino, e Prugnolo Gentile, de Montepulciano, aparecem ligados ao grupo de bago grande. É a mesma casta, com pequenas variações de cacho e de bago que cada lugar foi selecionando ao longo dos séculos.

Como é no copo

Cor rubi, que com o tempo passa a granada, um vermelho a puxar para o tijolo. No nariz, fruta vermelha, sobretudo cereja. Em Montepulciano, na Toscana, os estudos de solo citados na regra do Vino Nobile apontam três marcas da casta por lá: cereja ácida (a amarena dos italianos), violeta e especiaria. Com passagem por barrica, o vinho ganha notas de madeira e fica mais macio.

Na boca, a Sangiovese é viva. A acidez (aquela frescura que faz salivar) é a marca dela, e o tanino, o aperto na gengiva, aparece firme. A regra do Brunello descreve o vinho como seco, quente e um pouco tânico. É um tinto que pede comida ao lado: sozinho pode parecer duro, à mesa encaixa. Por isso costuma render mais ao jantar do que no aperitivo.

Uma folha de videira, um cacho de uva tinta e um copo com o vinho da Sangiovese.
fig. 1Do cacho ao copo: cor rubi que passa a granada, cereja no nariz e acidez que faz salivar.

Com que combina

A Sangiovese nasceu para a mesa italiana, e a mesa brasileira herdou boa parte dela. Pizza de mozzarella ou de chouriço, a massa de domingo com molho de tomate, lasanha à bolonhesa, bife à parmegiana, polpetone e frango assado. A acidez da casta conversa com a do tomate, e o tanino limpa a boca da gordura do queijo. Os mais encorpados, como um Brunello, vão bem com carne estufada, borrego, cogumelos e queijo curado. É sugestão: se gostou com outra coisa, vale o seu gosto.

Onde brilha hoje

Na Toscana, é a base de quase tudo. O Chianti Classico leva no mínimo 80% de Sangiovese; o Chianti, de 70% a 100%; o Vino Nobile di Montepulciano, no mínimo 70%; o Morellino di Scansano, no mínimo 85%. O Brunello di Montalcino e o Rosso di Montalcino são feitos só com ela. Na Romagna, do outro lado dos Apeninos, o Romagna Sangiovese pede pelo menos 85% da casta.

Fora de Itália, a Sangiovese aparece em quantidade bem menor. Os dados de área do VIVC, que são antigos, registam vinhas dela na Argentina, em França, na Austrália, no Chile e na África do Sul. No Brasil, o cadastro vitícola da Embrapa contava cerca de 17 hectares no Rio Grande do Sul em 2012: existe, mas é raridade. Na prática, quem quer conhecer a casta começa pela Toscana.

Os outros nomes dela

O VIVC regista 115 sinónimos para a Sangiovese, e alguns deles aparecem no rótulo como se fossem castas diferentes. Em Montalcino chama-se Brunello, e daí vem o nome do vinho. Em Montepulciano, Prugnolo Gentile. No sul da Toscana, Morellino; a tradição local diz que o nome vem dos morelli, cavalos baios que puxavam as carruagens até Scansano. Há ainda Sangioveto, o nome que o barão Ricasoli usava em 1872 e que a Toscana ainda usa.

A receita do barão Ricasoli

Em 1716, o grão-duque da Toscana, Cosimo III, demarcou a área do Chianti, que hoje é o Chianti Classico, para proteger o vinho das falsificações. Mais de um século depois, o barão Bettino Ricasoli experimentou misturas de castas e escreveu, em 1872, que o Chianti recebe do Sangioveto a maior parte do seu perfume. Foi a primeira receita do vinho, com a Sangiovese no centro.

Durante muito tempo, essa receita levou até uva branca. O registo oficial de castas de Itália, num texto de 1965, conta que era comum o Chianti ter um quinto de uvas brancas e que a Sangiovese sozinha dava um vinho meio rústico. A viragem veio depois: o Chianti Classico passou a aceitar 100% Sangiovese em 1996, e a colheita de 2006 foi a primeira sem nenhuma uva branca.

Os mais bem avaliados com Sangiovese

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.

Ver os 1.254 rótulos com Sangiovese na pesquisa →

Sangiovese é o tinto que pede um prato ao lado. Abra um na próxima pizza ou na massa de domingo, repare na cereja e na frescura, e veja se a Toscana é o seu lado do vinho.

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