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As castas da casa · branca

Riesling: a branca alemã que acorda a boca

Riesling é uma casta branca que dá vinho de acidez viva, aroma a pêssego, maçã e limão, e que vai do muito seco ao muito doce. Nasceu na Alemanha, onde é a casta mais plantada do país, e também brilha na Alsácia, em França, e na Austrália. Se um dia um branco lhe pareceu ao mesmo tempo azedinho e frutado, como uma limonada de pêssego, pode ter sido um Riesling.

559 rótulos da pesquisa levam Riesling484 só de Rieslingde 21 países

De onde vem

A Riesling é alemã. No VIVC, o catálogo internacional de castas, o nome oficial dela é Riesling Weiss, casta branca com origem na Alemanha. O teste de ADN encontrou um dos pais: a Heunisch Weiss, casta antiga a que os franceses chamam Gouais Blanc. O outro pai continua desconhecido. A mesma Heunisch é mãe da Chardonnay, juntamente com a Pinot. Ou seja: Riesling e Chardonnay são meias-irmãs, com um dos pais em comum.

O nome tem data de estreia: 13 de março de 1435, quando a palavra Riesling apareceu pela primeira vez num documento, segundo o Deutsches Weininstitut, o instituto do vinho alemão. Por isso, 13 de março tornou-se o aniversário da casta. As tradições mais antigas são as do Rheingau e do Mosel, com papéis de 1435 e 1465. Nos séculos XVII e XVIII, as próprias autoridades já recomendavam plantar Riesling.

Como é no copo

Cor amarelo-clara, a puxar para o verde. No nariz, o instituto alemão fala de pêssego e maçã; o comité dos vinhos da Alsácia, o CIVA, acrescenta limão, toranja, pera e flores brancas. O que manda é a acidez, aquela sensação viva que faz crescer água na boca e deixa o gole limpo. É uma casta que amadurece devagar e por isso combina com lugares frios, onde acaba de amadurecer ao sol fraco do outono.

Com os anos, alguns Riesling ganham um aroma que lembra querosene. Isso tem nome: TDN, uma molécula estudada pelo AWRI, o instituto australiano de investigação do vinho. Nasce de pigmentos da uva, os carotenoides, e aparece mais em uva que apanhou muito sol e em garrafa envelhecida. Segundo o AWRI, metade das pessoas consegue perceber o TDN na maioria dos Riesling. Há quem adore e há quem torça o nariz: as duas reações valem.

Uma folha de videira, um cacho de uva branca e um copo com o vinho da Riesling.
fig. 1Do cacho ao copo: amarelo-claro a puxar para o verde, pêssego e maçã, e a acidez que acorda a boca.

Com que combina

A acidez é a grande parceira da comida. O comité da Alsácia sugere peixe, marisco, ostra, frango e carne branca com molho, e queijo de cabra. Na mesa brasileira, pense em moqueca de peixe, salmão grelhado, camarão na moranga, frango assado, pastel de queijo e uma tábua com queijo de cabra. Um Riesling com um toque de açúcar costuma aguentar bem comida picante, como um yakisoba apimentado. É sugestão: se gostou com outra coisa, vale o seu gosto.

Onde brilha hoje

Na Alemanha, é rainha. Em 2024 eram 24.233 hectares, 23,4% de toda a vinha do país, bem à frente da segunda, a Müller-Thurgau, segundo os números do organismo de estatística alemão reunidos pelo Deutsches Weininstitut. Isso dá cerca de 45% de todo o Riesling do mundo. A Pfalz tem a maior área, com uns 5.900 hectares, seguida de Rheinhessen e do Mosel. No Rheingau, ocupa quase 78% das vinhas.

Na Alsácia, segundo o CIVA, a Riesling chegou no fim do século XV, mas só se tornou a casta mais plantada da região depois dos anos 1960. Na Austrália, o Clare Valley e o Eden Valley são as casas dela: juntos, responderam por cerca de 41% do Riesling vindimado no país na colheita de 2026, segundo a Wine Australia. No Brasil, a Campanha Gaúcha tinha pouca área dela em 2015, com o nome de Riesling Renano, e inclui-a entre as castas autorizadas da sua Indicação de Procedência.

Os outros nomes dela

No VIVC, o nome oficial é Riesling Weiss, e a lista de sinónimos tem 167 nomes. Os que mais aparecem são Riesling, Weisser Riesling, Rheinriesling (ou Rhine Riesling, em inglês), Johannisberger Riesling e White Riesling. Em Baden, no sul da Alemanha, o instituto alemão lembra que o rótulo pode trazer Klingelberger. No Brasil, a verdadeira Riesling aparece como Riesling Renano, para não ser confundida com a prima de nome parecido.

A armadilha é esta: Riesling Itálico é outra casta. No VIVC chama-se Welschriesling, com origem registada em Itália e outros pais, e o instituto alemão diz que não tem nada em comum com a Riesling. Foi precisamente a Riesling Itálico, e não a Renano, que fez história na Serra Gaúcha: a Embrapa aponta-a como uma das brancas viníferas mais importantes da região, usada em branco varietal e em base de espumante desde os anos 1970.

O rótulo alemão em seis degraus

Na Alemanha, algumas palavras do rótulo dizem quão madura estava a uva na vindima. São os Prädikate, por ordem: Kabinett, vinho fino e delicado, de uvas maduras e pouco álcool; Spätlese, colhido mais tarde; Auslese, de cachos bem maduros, com os bagos verdes separados à mão; Beerenauslese, de bagos passados do ponto, tocados pela podridão nobre, um fungo do bem que concentra o açúcar; e Trockenbeerenauslese, de bagos murchos como passas, o topo da escada.

A meio da lista mora o Eiswein, o vinho de gelo: a uva é colhida e prensada congelada, a pelo menos 7 graus abaixo de zero, e só sai o sumo concentrado. Nestes vinhos todo o açúcar vem da uva, sem acréscimo antes da fermentação. E atenção: Prädikat fala de maturação, não de doçura. Para saber se é seco, procure trocken (até 4 gramas de açúcar por litro, ou até 9 se a acidez acompanhar), halbtrocken (meio seco) ou feinherb, palavra sem definição na lei, que fica entre o meio seco e o suave.

Os mais bem avaliados com Riesling

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.

Ver os 559 rótulos com Riesling na pesquisa →

Riesling é a prova de que o branco também tem personalidade forte. Abra um bem gelado no próximo almoço de peixe, sinta a acidez acordar a boca e descubra em que degrau da escada alemã mora.

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