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Alentejo: o vinho do sol e da talha de barro
O Alentejo fica no sul de Portugal: planície, calor e sol a rodos. Dali sai um tinto macio e cheio de fruta, fácil de gostar ao primeiro gole. E é também a terra do vinho de talha, fermentado em pote de barro à maneira dos romanos.
Onde fica e como é o lugar
O Alentejo fica a sul do rio Tejo e é enorme: ocupa cerca de um terço de Portugal continental. A paisagem é quase toda plana. A vinha divide o espaço com oliveiras, sobreiros e searas de trigo.
Quem manda é o calor. São perto de 3.000 horas de sol por ano e pouca chuva, de 550 a 650 milímetros na maior parte da região. A uva amadurece com facilidade e acumula muito açúcar e cor. A frescura vem das poucas serras: a de São Mamede, a norte, passa dos mil metros, e as serras d'Ossa e de Portel protegem Redondo e Vidigueira.
As castas da região
Nos tintos, o trio clássico é Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet. O Aragonez, que é o Tempranillo espanhol com nome português, dá fruta e macieza. A Trincadeira dá-se bem com o calor seco. A Alicante Bouschet é tintureira: tinge tanto o vinho que ganhou a alcunha de “tinta de escrever”. O Castelão, durante décadas a casta tinta mais plantada da região, hoje perde terreno.
Nos brancos, a estrela é a Antão Vaz, que brilha na Vidigueira e em Évora e dá vinho encorpado, de fruta madura. Como pode ficar com pouca acidez, costuma ir para o blend com Arinto, que traz frescura, e Roupeiro, com aroma de laranja e limão. Aliás, hoje a Antão Vaz já é a casta branca mais plantada do Alentejo; o Roupeiro, que liderou durante muito tempo, vem em terceiro, atrás também do Arinto.
Que vinho sai de lá
O tinto alentejano típico é encorpado, com fruta madura e tanino macio. Dá para abrir cedo, sem esperar anos, e os melhores ainda envelhecem bem na garrafa.
Os brancos estão em alta: em 2023 a região bateu o recorde de vendas de branco. Há também rosé, espumante pelo método tradicional (segunda fermentação na garrafa) e até fortificado, em pouca quantidade.
O que diz o rótulo
No rótulo aparecem duas palavras parecidas que não são a mesma coisa. Alentejo, com a sigla DOC, é a denominação de origem: regras mais apertadas e uva de áreas demarcadas dentro de oito sub-regiões. O nome da sub-região pode vir junto, como em Alentejo Reguengos. Já Alentejano é o Vinho Regional Alentejano, a indicação geográfica que cobre o Alentejo inteiro (os distritos de Portalegre, Évora e Beja), aceita mais castas e deixa a vinha produzir mais: até 15.000 quilos de uva por hectare, contra 8.500 no tinto DOC.
Regional não quer dizer inferior: muitos produtores clássicos escolhem o Regional pela liberdade, segundo a própria CVR Alentejana. E é a maioria: em 2023, cerca de três em cada quatro litros certificados na região saíram como Regional Alentejano. Por isso se encontram os dois nomes na lista da casa.
As primeiras denominações de origem alentejanas foram regulamentadas em 1988. As oito sub-regiões da DOC Alentejo são:
- Portalegre
- Borba
- Redondo
- Reguengos
- Évora
- Vidigueira
- Moura
- Granja-Amareleja
Vinho de talha, o método romano que voltou
A talha é um pote enorme de barro: chega a quase dois metros de altura e leva até 2.000 litros. Por dentro, leva resina de pinheiro para não verter. Os romanos espalharam esta técnica pela região, e o Alentejo nunca a largou.
A uva esmagada fermenta na talha juntamente com as películas, e alguém mexe a massa com um rodo de madeira várias vezes por dia. Depois as películas descem para o fundo e tornam-se um filtro natural. A tradição é abrir as talhas no dia de São Martinho, 11 de novembro, e beber o vinho novo nas tabernas. Há até o petroleiro, feito com uva branca e tinta misturadas.
Com as cooperativas, na década de 1950, a talha quase desapareceu do comércio. Hoje voltou, com nome próprio no rótulo: DOC Alentejo Vinho de Talha. É vinho rústico, de sabor antigo.
Com que combina
O tinto macio e frutado é amigo do churrasco: picanha, linguiça, costela. Também aguenta uma feijoada e carne estufada.
O branco de Antão Vaz, mais encorpado, vai bem com frango assado, bacalhau e moqueca. O vinho de talha pede petisco de porco, como torresmos e pernil. É sugestão, não regra; vale o que lhe agradar.
As castas dos rótulos daqui
Nos 136 rótulos da casa do Alentejo, as castas que mais aparecem. O número indica em quantos rótulos.
Para começar: vinhos do Alentejo por faixa de preço
A faixa de preço que a casa viu nas grandes lojas do Brasil, no mês indicado ao lado. O preço muda; a faixa costuma ficar.
- Esporão Alandra Tintoaté R$ 60verificada em set/2026
- Cartuxa EA TintoR$ 60 a 100verificada em set/2026
- Reguengos TintoR$ 60 a 100verificada em set/2026
- Cartuxa Pêra-Manca Tintoacima de R$ 300verificada em set/2026
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Os mais bem avaliados do Alentejo
Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.
- Cartuxa Pêra-Manca Tintonota ★ 4,8
- Cartuxa Pêra-Manca Branconota ★ 4,6
- Herdade da Maroteira Cem Reis Reserva Syrahnota ★ 4,6
- Cortes de Cima Incógnitonota ★ 4,6
- Cartuxa Scala Coeli Tintonota ★ 4,5
- Cartuxa Évora Reserva Tintonota ★ 4,4
- Dona Maria Júlio Bastos Grande Reservanota ★ 4,4
- Malhadinha Nova Tintonota ★ 4,4
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