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Serra Gaúcha: o vinho brasileiro com sotaque italiano

A Serra Gaúcha é o vinho brasileiro com sotaque italiano, plantado nos morros do nordeste do Rio Grande do Sul. Foi lá, no Vale dos Vinhedos, que o Brasil ganhou sua primeira indicação geográfica, em 2002, e a primeira denominação de origem de vinho, em 2012. E tem um espumante com regra só dele.

181 rótulos da casa são daqui101 tintos · 45 espumantes · 28 brancos · 4 rosés · 3 de sobremesa ou PortoNo mapa de ViagensRoteiro de viagem

Onde fica e como é o lugar

Pense em morro, vale e parreira a perder de vista. No Vale dos Vinhedos, entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, os vinhedos ficam entre 500 e 700 metros de altitude. Na vizinha Pinto Bandeira, sobem até 770 metros.

O clima foge do manual: chove uns 1.700 milímetros por ano, bem distribuídos, inclusive no verão, quando a uva amadurece e é colhida (janeiro e fevereiro). É diferente da maioria das regiões de vinho do mundo, e isso dá ao vinho daqui um jeito próprio.

O vinho da Serra começou com famílias italianas que chegaram a partir de 1875 e faziam vinho para a própria mesa. Até hoje é coisa de família: no Vale dos Vinhedos, mais de oito em cada dez propriedades têm menos de 5 hectares de parreira.

As uvas da região

Aqui convivem dois mundos. Um é o das uvas americanas e híbridas, como a Isabel, que viram suco e vinho de mesa. Elas dominam a paisagem: em 2012, só 11% dos parreirais do miolo da Serra (a microrregião de Caxias do Sul) eram de uva vinífera, a família europeia do vinho fino.

O outro mundo é o do vinho fino, com Cabernet Sauvignon, Merlot, Moscato Branco, Chardonnay, Riesling Itálico e Tannat entre as mais plantadas. No Vale dos Vinhedos, as bandeiras são a Merlot, a vinífera mais plantada por lá, e a Chardonnay.

Que vinho sai de lá

O espumante é a estrela. O brut, o de pouco açúcar, pode ser feito dos dois jeitos que a lei reconhece: com a segunda fermentação na própria garrafa (o método tradicional) ou num tanque grande e fechado (o Charmat). E tem o moscatel espumante, doce e perfumado, especialidade de Farroupilha, a maior produtora de uva moscatel do Brasil.

Nos tintos, a Merlot aparece sozinha ou em blend com Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat. Nos brancos, mandam Chardonnay e Riesling Itálico. No copo, a casa acha que a marca da Serra é o frescor: vinho de acidez viva, que pede comida.

O que diz o rótulo

Pela lei, “vinho fino” no rótulo quer dizer só uva vinífera. Depois vêm os selos de origem. IP (Indicação de Procedência) diz que o lugar ficou conhecido por aquele vinho. DO (Denominação de Origem) vai além: o lugar deixa marca no vinho, e as regras apertam.

Com “Vale dos Vinhedos — Denominação de Origem”, a uva é 100% da área. O tinto é varietal de Merlot ou corte com pelo menos 60% dela; o branco faz a mesma conta com a Chardonnay e completa com Riesling Itálico. O espumante é só de método tradicional, com pelo menos 60% de Chardonnay e/ou Pinot Noir. Antes de sair, o tinto espera no mínimo 12 meses, o branco 6, e o espumante passa 9 meses com as leveduras, os bichinhos da fermentação.

Desde 2022 existe também “Altos de Pinto Bandeira — Denominação de Origem”, só para espumante: método tradicional, Chardonnay e Pinot Noir (a Riesling Itálico entra com no máximo 25%) e pelo menos 12 meses na garrafa antes de tirar a borra. Segundo a Embrapa, é a primeira DO exclusiva de espumante do Novo Mundo.

Com o que combina

Comida de colônia italiana pede vinho da colônia. Um espumante brut vai bem com pastel de feira, coxinha e torresmo. O Merlot da Serra combina com galeto, polenta frita e sopa de capeletti. O moscatel espumante é par de panetone, salada de frutas e bolo de fubá. Tudo sugestão: vale o seu gosto.

As outras indicações da Serra

Além do Vale dos Vinhedos, a Serra tem outras indicações de procedência:

As uvas dos rótulos daqui

Nos 181 rótulos da casa da Serra Gaúcha, as uvas que mais aparecem. O número é em quantos rótulos.

Pra começar: vinhos da Serra Gaúcha por faixa de preço

A faixa de preço que a casa viu nas lojas grandes, no mês ao lado. O preço muda; a faixa costuma ficar.

Vai dar festa? Quantas garrafas comprar →

Os mais bem avaliados da Serra Gaúcha

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque pra ver a ficha.

Ver os rótulos da Serra Gaúcha na busca →

Resumo sem frescura: a Serra é o lugar pra entender o vinho brasileiro de perto. Comece por um espumante e um Merlot do Vale e veja qual dos dois tem mais a ver com você.

Fontes desta página

  • Embrapa Uva e Vinho — Indicações Geográficas de Vinhos do Brasil — www.embrapa.br
  • Embrapa Uva e Vinho — DO Vale dos Vinhedos — www.embrapa.br
  • Embrapa Uva e Vinho — DO Altos de Pinto Bandeira — www.embrapa.br
  • MAPA/Sebrae — Vinhos brasileiros com Indicação Geográfica (catálogo, 2022) — www.gov.br
  • Embrapa — A viticultura na delimitação da DO Vale dos Vinhedos: cadastro vitícola (Mello e Machado) — www.cnpuv.embrapa.br
  • Lei nº 7.678/1988 (redação da Lei nº 10.970/2004), arts. 9 e 11 — www.planalto.gov.br
  • Rótulos, notas, uvas e regiões da lista da casa: X-Wines, base científica aberta (de Azambuja, R. X. et al., 2023), conferida pela casa — github.com

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