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As uvas da casa · tinta

Pinot Noir: o tinto leve (e cheio de manha)

Pinot Noir é o tinto de cor clara, corpo leve, pouco tanino e cheiro de morango, cereja e framboesa. É o tinto pra quem acha tinto pesado demais. E, de quebra, é uma das uvas do Champagne e do espumante brasileiro.

81 rótulos da casa levam Pinot Noir26 só de Pinot Noirde Brasil, Chile, Argentina e Portugal

De onde vem

É da Borgonha, na França, e é antiga de verdade: o registro escrito mais antigo, segundo o órgão dos vinhos da Borgonha, é de 1375. O nome vem do cacho pequeno e apertado, que lembra uma pinha.

É também uva de família grande: dela descendem a Chardonnay, a Gamay e a Aligoté.

E tem fama de manhosa. É difícil de cultivar, pega doença com facilidade e precisa de clima fresco pra mostrar tudo o que tem.

Como é no copo

A casca é fina e o suco sai praticamente sem cor: a cor do tinto vem da casca. Resultado: vinho rubi claro, que deixa ver o fundo da taça, com tanino baixo, que quase não aperta a boca, e acidez fresca.

No nariz, fruta vermelha: morango, cereja, framboesa. Às vezes aparece beterraba e terra molhada. Com alguns anos de garrafa, surge um cheiro de cogumelo e folha seca.

Dica da casa: sirva um pouco mais fresco que o ar de um dia de verão brasileiro. Uns minutos na geladeira ajudam.

Com o que combina

É o tinto que conversa com peixe: salmão grelhado, atum selado, bacalhau ao forno. Vai muito bem com cogumelo em qualquer versão, como risoto, estrogonofe de cogumelos ou pizza de funghi.

Frango assado, pato, lombo de porco e comida japonesa também formam boa dupla. No churrasco, brilha com frango, linguiça e as carnes mais magras. E se você gosta dele com picanha gorda, pode: harmonização é sugestão, não lei.

Onde ela brilha hoje

Na Borgonha, é a uva dos tintos, tradicionalmente sozinha. Em Champagne, é a mais plantada: 38% dos vinhedos, dominante na Montagne de Reims e na Côte des Bar.

No Brasil, é peça do espumante da Serra Gaúcha. Na Denominação de Origem Altos de Pinto Bandeira, reconhecida em 2022, só três uvas entram no espumante: Pinot Noir, Chardonnay e Riesling Itálico, esta com no máximo 25%. E ele é feito só pelo método tradicional, com a segunda fermentação na garrafa.

No Chile, os vales frios perto do mar, como Casablanca e San Antonio, onde fica Leyda, e o Bío Bío, mais ao sul, viraram endereço de Pinot.

Na Argentina, a Patagônia, com Neuquén e Río Negro, é terra das uvas que gostam de frio, e a Pinot Noir entra na maior parte dos espumantes feitos por lá.

Em Portugal, é rara: menos de 1% da vinha da Bairrada e pouco mais de 2% em Távora-Varosa, segundo o IVV, o instituto oficial do vinho.

Os outros nomes dela

O VIVC, o catálogo internacional de variedades de uva, registra 447 sinônimos. Os que você pode encontrar em rótulo: Spätburgunder e Blauburgunder (em alemão), Pinot Nero (em italiano) e Pinot Negro (em espanhol). Tem também Morillon Noir.

Tinta por fora, branca por dentro

Como uma uva tinta vira espumante branco? O segredo é o suco sem cor. Na prensa, o contato do suco com a casca é o mínimo possível, e o vinho sai claro.

Quando o rótulo diz Blanc de Noirs, algo como branco de tintas, o espumante foi feito só com uvas tintas, como a Pinot Noir. Costuma ter mais corpo que os que levam uvas brancas.

Pra começar: Pinot Noir por faixa de preço

A faixa de preço que a casa viu nas lojas grandes, no mês ao lado. O preço muda; a faixa costuma ficar.

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Os mais bem avaliados com Pinot Noir

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque pra ver a ficha.

Ver os 81 rótulos com Pinot Noir na busca →

Se tinto sempre te pareceu pesado, comece por aqui. Uma Pinot Noir levemente fresca, um salmão na mesa, e pronto: talvez você descubra que gosta de tinto, sim.

Fontes desta página

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