As uvas da casa · branca
Riesling: a branca alemã que acorda a boca
Riesling é uma uva branca que dá vinho de acidez viva, cheiro de pêssego, maçã e limão, e que vai do bem seco ao bem doce. Nasceu na Alemanha, onde é a uva mais plantada do país, e também brilha na Alsácia, na França, e na Austrália. Se um dia um branco te pareceu ao mesmo tempo azedinho e frutado, como uma limonada de pêssego, pode ter sido um Riesling.
De onde vem
A Riesling é alemã. No VIVC, o catálogo internacional de uvas, o nome oficial dela é Riesling Weiss, uva branca com origem na Alemanha. O teste de DNA achou um dos pais: a Heunisch Weiss, uva antiga que os franceses chamam de Gouais Blanc. O outro pai segue desconhecido. A mesma Heunisch é mãe da Chardonnay, junto com a Pinot. Ou seja: Riesling e Chardonnay são meio-irmãs, com um dos pais em comum.
O nome tem data de estreia: 13 de março de 1435, quando a palavra Riesling apareceu pela primeira vez num documento, segundo o Deutsches Weininstitut, o instituto do vinho alemão. Por isso 13 de março virou o aniversário da uva. As tradições mais antigas são as do Rheingau e do Mosel, com papéis de 1435 e 1465. Nos séculos 17 e 18, as próprias autoridades já recomendavam plantar Riesling.
Como é no copo
Cor amarelo-clara, puxando pro verde. No nariz, o instituto alemão fala em pêssego e maçã; o comitê dos vinhos da Alsácia, o CIVA, acrescenta limão, toranja, pera e flores brancas. O que manda é a acidez, aquela sensação viva que dá água na boca e deixa o gole limpo. É uma uva que amadurece devagar e por isso combina com lugares frios, onde termina de ficar madura no sol fraco do outono.
Com os anos, alguns Riesling ganham um cheiro que lembra querosene. Isso tem nome: TDN, uma molécula estudada pelo AWRI, o instituto australiano de pesquisa do vinho. Ela nasce de pigmentos da uva, os carotenoides, e aparece mais em uva que tomou muito sol e em garrafa envelhecida. Segundo o AWRI, metade das pessoas consegue perceber o TDN na maioria dos Riesling. Tem quem ame e tem quem torça o nariz: as duas reações valem.
Com o que combina
A acidez é a grande parceira da comida. O comitê da Alsácia sugere peixe, frutos do mar, ostra, frango e carne branca com molho, e queijo de cabra. Na mesa brasileira, pensa em moqueca de peixe, salmão grelhado, camarão na moranga, frango assado, pastel de queijo e uma tábua com queijo de cabra. Um Riesling com um toque de açúcar costuma segurar bem comida picante, como um yakisoba apimentado. É sugestão: se você gostou com outra coisa, vale o seu gosto.
Onde ela brilha hoje
Na Alemanha, ela é rainha. Em 2024 eram 24.233 hectares, 23,4% de todo o vinhedo do país, bem à frente da segunda, a Müller-Thurgau, segundo os números do órgão de estatística alemão reunidos pelo Deutsches Weininstitut. Isso dá cerca de 45% de todo o Riesling do mundo. A Pfalz tem a maior área, com uns 5.900 hectares, seguida de Rheinhessen e do Mosel. No Rheingau, ela ocupa quase 78% das vinhas.
Na Alsácia, segundo o CIVA, a Riesling chegou no fim do século 15, mas só virou a uva mais plantada da região depois dos anos 1960. Na Austrália, o Clare Valley e o Eden Valley são as casas dela: juntos, responderam por cerca de 41% do Riesling colhido no país na safra de 2026, segundo a Wine Australia. No Brasil, a Campanha Gaúcha tinha pouca área dela em 2015, com o nome de Riesling Renano, e a inclui entre as uvas autorizadas da sua Indicação de Procedência.
Os outros nomes dela
No VIVC, o nome oficial é Riesling Weiss, e a lista de sinônimos tem 167 nomes. Os que mais aparecem são Riesling, Weisser Riesling, Rheinriesling (ou Rhine Riesling, em inglês), Johannisberger Riesling e White Riesling. Em Baden, no sul da Alemanha, o instituto alemão lembra que o rótulo pode trazer Klingelberger. No Brasil, a verdadeira Riesling aparece como Riesling Renano, pra não ser confundida com a prima de nome parecido.
A pegadinha é essa: Riesling Itálico é outra uva. No VIVC ela se chama Welschriesling, com origem registrada na Itália e outros pais, e o instituto alemão diz que ela não tem nada em comum com a Riesling. Foi justamente a Riesling Itálico, e não a Renano, que fez história na Serra Gaúcha: a Embrapa a aponta como uma das brancas viníferas mais importantes da região, usada em branco varietal e em base de espumante desde os anos 1970.
O rótulo alemão em seis degraus
Na Alemanha, algumas palavras do rótulo contam o quanto a uva estava madura na colheita. São os Prädikate, em ordem: Kabinett, vinho fino e delicado, de uvas maduras e pouco álcool; Spätlese, colhido mais tarde; Auslese, de cachos bem maduros, com os bagos verdes separados à mão; Beerenauslese, de bagos passados do ponto, tocados pela podridão nobre, um fungo do bem que concentra o açúcar; e Trockenbeerenauslese, de bagos murchos como passa, o topo da escada.
No meio da lista mora o Eiswein, o vinho de gelo: a uva é colhida e prensada congelada, a pelo menos 7 graus abaixo de zero, e só sai o suco concentrado. Nesses vinhos o açúcar todo vem da uva, sem acréscimo antes da fermentação. E atenção: Prädikat fala de maturação, não de doçura. Pra saber se é seco, procure trocken (até 4 gramas de açúcar por litro, ou até 9 se a acidez acompanhar), halbtrocken (meio seco) ou feinherb, palavra sem definição na lei, que fica entre o meio seco e o suave.
Os mais bem avaliados com Riesling
Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque pra ver a ficha.
- Egon Müller-Scharzhof Scharzhofberger Riesling Auslesenota ★ 4,7
- Franz Hirtzberger Singerriedel-Riesling Smaragdnota ★ 4,6
- Trimbach Clos Sainte Hune Riesling Alsacenota ★ 4,6
- Keller Kirchspiel Riesling GGnota ★ 4,5
- Egon Müller-Scharzhof Scharzhofberger Riesling Spätlesenota ★ 4,5
- Keller Riesling Hubacker GGnota ★ 4,5
- Egon Müller-Scharzhof Scharzhofberger Riesling Kabinettnota ★ 4,5
- Markus Molitor Zeltinger Sonnenuhr Riesling Auslese***nota ★ 4,5
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