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As uvas da casa · branca

Chardonnay: a branca que muda de roupa

Chardonnay é a uva branca que muda de roupa conforme a adega. Pode virar um vinho leve, com gosto de limão e maçã verde, ou um branco cremoso, que lembra manteiga, baunilha e castanha tostada. E ainda é uma das uvas do Champagne e do espumante da Serra Gaúcha.

136 rótulos da casa levam Chardonnay78 só de Chardonnayde Brasil, Chile, Argentina e Portugal

De onde vem

É francesa, da Borgonha, a mesma terra da Pinot Noir. E o parentesco vai além da vizinhança: em 1999, um estudo de DNA da Universidade da Califórnia em Davis, publicado na revista Science, mostrou que a Chardonnay é filha da Pinot com uma uva chamada Gouais Blanc.

A surpresa estava do outro lado da família. A Gouais Blanc tinha fama tão ruim que, na Idade Média, houve tentativas de bani-la, sem sucesso. O estudo achou 16 uvas filhas desse mesmo casal, entre elas a Gamay e a Aligoté. Na videira, nobreza também é questão de mistura.

Como é no copo

Sozinha, a uva tem cheiro discreto. Quem define o vinho é o lugar onde ela cresce e a mão de quem faz. Por isso, na prática, existem três Chardonnays:

Como saber antes de abrir

Na prateleira, o contrarrótulo costuma entregar o estilo. Se fala em barrica, carvalho ou madeira, espere o branco cremoso. Se não fala nada disso, a aposta é no fresco. Se ainda ficar em dúvida, pergunte na loja: essa pergunta é bem mais comum do que parece.

Com o que combina

A fresca vai bem com o que você comeria com um limão espremido por cima: peixe grelhado, casquinha de siri, salada com frango, sushi, pastel de camarão.

A de barrica aguenta prato mais gordo e cremoso: frango assado, bacalhoada, camarão na moranga, moqueca baiana, risoto de cogumelos e até estrogonofe.

A de bolha combina com o boteco inteiro: coxinha, bolinho de bacalhau, pastel, pipoca. É sugestão, não lei. Gostou de Chardonnay com churrasco? Pode, e que bom que você descobriu o que gosta.

Onde ela brilha hoje

Na França, faz os grandes brancos da Borgonha e ocupa 31% dos vinhedos de Champagne, onde é a estrela da Côte des Blancs.

No Brasil, o palco é a Serra Gaúcha. Na Denominação de Origem Vale dos Vinhedos, a primeira do país, a Chardonnay é obrigatória nos brancos finos. No espumante, que ali só se faz pelo método tradicional, com a segunda fermentação dentro da garrafa, é obrigatório usar Chardonnay, Pinot Noir ou as duas.

No Chile, ela prefere os vales frescos, com brisa do mar: Casablanca, San Antonio, Aconcagua e, mais ao norte, Limarí, onde o solo calcário dá um toque mineral.

Na Argentina, é uma das três brancas mais plantadas (5,5 mil hectares em 2024, atrás só da Pedro Giménez e do Torrontés Riojano) e faz de tudo: base de espumante, branco fresco sem madeira e branco encorpado fermentado em barrica.

Em Portugal, país com mais de 250 castas nativas, ela é coadjuvante: fica fora da lista das mais plantadas do continente e ocupa só cerca de 2% da vinha na Bairrada e em Távora-Varosa.

Os outros nomes dela

O VIVC, o catálogo internacional de variedades de uva, registra 173 sinônimos. Alguns que você pode encontrar por aí: Beaunois, Aubaine, Morillon Blanc e Pinot Chardonnay.

Este último chega perto do parentesco, mas troca o grau: a Chardonnay não é uma Pinot, é filha da Pinot.

Pra começar: Chardonnay por faixa de preço

A faixa de preço que a casa viu nas lojas grandes, no mês ao lado. O preço muda; a faixa costuma ficar.

Vai dar festa? Quantas garrafas comprar →

Os mais bem avaliados com Chardonnay

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque pra ver a ficha.

Ver os 136 rótulos com Chardonnay na busca →

Faça o teste: abra uma Chardonnay sem madeira e uma com barrica na mesma noite e veja de que lado você fica. Os dois lados estão certos.

Fontes desta página

✓ Padrão da casa: sem fonte, não publica.

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