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Sicília: o Nero d'Avola, o vinho do vulcão e o Marsala
A Sicília é a maior ilha do Mediterrâneo, no pé da bota italiana, e faz vinho desde antes dos gregos. Dela saem o Nero d'Avola, tinto de cor funda, brancos de Grillo e Catarratto, os vinhos das encostas do vulcão Etna e o Marsala, vinho fortificado do oeste da ilha. No rótulo, a origem costuma vir como Sicilia DOC, Terre Siciliane IGT ou Etna DOC, entre outros nomes.
Onde fica e como é o lugar
A Sicília tem 25.460 km² e é a maior ilha do Mediterrâneo, segundo o consórcio da DOC Sicilia. A região inclui ilhas menores, como as Eólias, as Égadas e Pantelleria. A vinha está na costa, na colina e na montanha, em solos que vão do calcário do sudeste (Pachino, Vittoria, Siracusa) à argila e areia do centro-sul.
No leste, a norte de Catânia, fica o Etna, o vulcão ativo mais alto da Europa, com mais de 3.300 metros e cerca de 45 km de diâmetro. A vinha sobe pelas encostas em socalcos de pedra de lava, em solo de cinza e cascalho vulcânico, e a diferença entre o calor do dia e o frio da noite chega aos 20 ou 25 °C.
As castas da região
O consórcio da DOC Sicilia conta mais de 70 castas nativas na ilha. A tinta símbolo é a Nero d'Avola, que cresce na ilha toda e chega ao auge entre Siracusa e Agrigento: dá vinho de cor funda, corpo cheio e aroma a fruta madura e especiarias. Nos brancos, o Grillo, filho de um cruzamento de Catarratto com Zibibbo, é forte na província de Trapani; o Catarratto, casta antiga e generosa, aparece em duas versões, a Comune e a Lucido.
No Etna, o elenco é outro. A Nerello Mascalese é a tinta principal: amadurece tarde, em meados de outubro, e dá vinho de cor clara, mas com tanino (aquele aperto na gengiva), acidez alta e um jeito mineral. A Nerello Cappuccio entra no lote, e a Carricante é a branca da montanha. Castas internacionais, como Syrah, Merlot, Chardonnay e Pinot Grigio, também cabem na DOC Sicilia.
Que vinho sai de lá
No dia a dia, a Sicília é tinto de Nero d'Avola, encorpado e com bastante fruta, e branco de Grillo, perfumado, com aroma a erva e citrinos, boa acidez e um sabor levemente salgado. Do Etna saem tintos de Nerello Mascalese, mais claros e elegantes, que lembram mais um tinto de montanha do que um tinto de sol; brancos de Carricante, de flor de laranjeira e fruta branca; rosés e espumantes. E no oeste, perto de Trapani, nasce o Marsala, um vinho licoroso: recebe álcool vínico ou aguardente vínica, como o vinho do Porto, e pode sair seco, meio seco ou doce, com cor de ouro, âmbar ou rubi.
O que diz o rótulo
Aplica-se a escada italiana. IGT (Indicação Geográfica Típica) é a mais larga: a Sicília tem seis, e uma delas é Terre Siciliane. DOC (Denominação de Origem Controlada) tem zona e regra; a Sicília tem 23, segundo a lista do Ministério da Agricultura de Itália. DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) é o degrau de cima, com selo do Estado na garrafa, e a ilha tem uma só: Cerasuolo di Vittoria. Os nomes que mais aparecem:
- Sicilia DOC: criada a 22 de novembro de 2011, cobre quase a ilha inteira, com castas nativas, como Nero d'Avola e Grillo, e internacionais.
- Terre Siciliane IGT: uma das seis IGT da ilha, no degrau mais largo do rótulo.
- Etna DOC: de 1968, a primeira DOC da Sicília. Etna Rosso e Rosato levam pelo menos 80% de Nerello Mascalese; Etna Bianco, pelo menos 60% de Carricante (80% no Bianco Superiore). O Etna Rosso Riserva espera pelo menos quatro anos, um deles em madeira. O rótulo pode trazer uma das 133 contrade, as localidades oficiais do vulcão.
- Marsala DOC: na província de Trapani. O nome diz o tempo de espera: Fine (um ano), Superiore (dois), Superiore Riserva (quatro), Vergine ou Soleras (cinco) e Vergine Stravecchio ou Riserva (dez). Oro e Ambra vêm de uva branca, como Grillo, Catarratto e Inzolia; a uva tinta fica reservada ao Rubino.
- Cerasuolo di Vittoria DOCG: a única DOCG da ilha, no sudeste.
Com que combina
O Nero d'Avola é tinto para mesa farta: pizza, massa, beringela à parmegiana, linguiça na brasa, entrecosto. O Grillo, fresco e com um toque salgado, vai com peixe grelhado, camarão, lulas, salada e até moqueca. O tinto do Etna, mais leve, combina com atum braseado, cogumelos, frango assado e massa ao sugo; o branco de Carricante, com marisco. E o Marsala doce acompanha bolo, cannoli e queijo curado, enquanto o seco brilha como aperitivo. Tudo sugestão: se gostou de outro par, vá por outro par.
Fenícios, gregos e um inglês chamado Woodhouse
Segundo o consórcio da DOC Sicilia, foram os fenícios que levaram a videira cultivada para a ilha e venderam o vinho siciliano pelo Mediterrâneo, provavelmente doce, de uva sobremadura. Depois vieram os gregos, no século VIII antes de Cristo, com o alberello, a maneira de conduzir a videira como arbusto baixo que ainda se vê no Etna. Júlio César gostava do Mamertino, da região de Messina.
O Marsala nasceu muito depois, entre os séculos XVIII e XIX, quando a frota britânica rondava o Mediterrâneo e o comerciante inglês John Woodhouse passou a vender o vinho de lá pela Europa. No fim do século XIX chegou a filoxera, a praga que mata a raiz da videira. No Etna, o solo vulcânico travou a praga, e ainda hoje há vinhas centenárias sem enxerto, com raiz própria.
As castas dos rótulos daqui
Nos 323 rótulos da pesquisa da Sicília, as castas que mais aparecem. O número indica em quantos rótulos.
Os mais bem avaliados da Sicília
Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.
- Gabrio & Giotto Bini-Serragghia Zibibbo Secco Bianconota ★ 4,5
- Passopisciaro Franchettinota ★ 4,4
- Donnafugata Mille E Una Nottenota ★ 4,4
- Tenuta delle Terre Nere Prephylloxera La Vigna di Don Peppino Etna Rossonota ★ 4,3
- Occhipinti Nero d'Avola Sicilia Siccagnonota ★ 4,3
- Pietradolce Vigna Barbagalli Etna Rossonota ★ 4,3
- Occhipinti Il Frappato Sicilianota ★ 4,3
- Cellaro Due Lune Nerello Mascalese-Nero d'Avolanota ★ 4,3
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