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Languedoc-Roussillon: sol, mar e o maior vinhedo da França

O Languedoc-Roussillon é o arco de vinhedo que acompanha o Mediterrâneo no sul da França, de Nîmes até a fronteira com a Espanha. É o maior vinhedo do país. É de lá o Pays d'Oc, que desde 1987 aposta no vinho com o nome da uva em destaque no rótulo, e também os tintos de Grenache e Carignan e os vinhos doces naturais do Roussillon.

331 rótulos da busca são daqui219 tintos · 75 brancos · 31 rosés · 4 espumantes · 2 de sobremesa ou Porto

Onde fica e como é o lugar

O Languedoc-Roussillon é um anfiteatro virado pro mar: o vinhedo segue em arco os 200 quilômetros de costa do Golfo de Leão, de Nîmes, passando pela Camargue, até a fronteira com a Espanha. Atrás ficam as Cévennes, a Montagne Noire e os Pirineus. É o maior vinhedo da França, segundo o Inter Oc. E pela estatística oficial do Ministério da Agricultura francês, Hérault e Aude, dois departamentos do coração do Languedoc, são o segundo e o terceiro com mais vinha no país, atrás só da Gironde, a de Bordeaux.

No sul, colado na Espanha, o Roussillon é outro anfiteatro, nos Pirineus Orientais: aberto pro mar de um lado e cercado pelas Corbières ao norte, pelos Pirineus e o monte Canigou a oeste e pelas Albères ao sul. É a região de vinho mais ensolarada da França, segundo o conselho dos vinhos do Roussillon: 2.530 horas de sol por ano e só 500 a 600 milímetros de chuva. Um dia em cada três sopra a tramontana, vento forte do norte que seca a vinha.

O chão muda o tempo todo: areia na beira do mar; calcário, xisto, argila e cascalho nas planícies e encostas. Em meados dos anos 1970, o vinhedo chegou a 430 mil hectares e fazia vinho em quantidade, com rendimento alto em três quartos das vinhas. Depois, num trabalho de uns trinta anos, a região reestruturou o vinhedo e trocou volume por qualidade.

O mar e a praia na frente, uma planície enorme riscada de vinha até as serras ao fundo, arbustos baixos e o sol.
fig. 1Languedoc-Roussillon: um mar de vinha entre o Mediterrâneo e as serras, a maior área de vinha da França.

As uvas da região

As tintas da tradição são mediterrâneas: Grenache, Syrah, Carignan, Mourvèdre e Cinsault, as cinco principais que a AOC Languedoc lista pro tinto e pro rosé. A Syrah ocupa uns 40 mil hectares no Languedoc-Roussillon. A Carignan, que veio de Aragão, na Espanha, ganhou fama ruim nas planícies porque rendia demais, mas voltou à moda: aguenta bem a seca e brilha em vinha velha, sobre xisto ou argila e calcário. A Grenache chegou da Espanha na Idade Média e fez a fama dos doces do Roussillon.

E tem as uvas do mundo inteiro. O Pays d'Oc autoriza 58 uvas e, segundo o Inter Oc, o órgão que reúne os produtores desse vinho, tem uns 21 mil hectares de Merlot e quase 13.800 de Chardonnay. Nos brancos da tradição aparecem Grenache Blanc, Clairette, Bourboulenc, Piquepoul, Roussanne, Marsanne, Rolle (o Vermentino) e Viognier; no Roussillon, também Macabeu e as Muscat.

Que vinho sai de lá

De tudo um pouco: tinto, rosé, branco, espumante e doce. O tinto da tradição costuma ser de corte, o blend, com fruta madura e o sol do Sul no copo. Nos brancos, o Picpoul de Pinet, feito só de Piquepoul Blanc à beira da lagoa de Thau, fica ótimo com ostra e marisco. Em Limoux, perto de Carcassonne, sai a Blanquette de Limoux, espumante pelo método tradicional (a segunda fermentação dentro da garrafa), com pelo menos 90% de Mauzac.

No Roussillon, a estrela é o vinho doce natural (vin doux naturel): a fermentação é parada com álcool no meio do caminho, e o açúcar da própria uva fica no vinho. O conselho do Roussillon diz que a região faz a maior parte desses vinhos na França. O Rivesaltes sai em várias cores: Grenat (tinto, de fruta escura), Tuilé (cor de telha, com café e cacau), Ambré (âmbar, com casca de laranja e caramelo) e Rosé. O Muscat de Rivesaltes é branco, de Muscat. E o Banyuls nasce em terraços de xisto sobre o mar, até 400 metros de altitude, em quatro comunas na fronteira com a Espanha.

O que diz o rótulo

São duas famílias. A primeira são as AOCs, de regras mais apertadas. A AOC Languedoc, que em 2007 substituiu a antiga Coteaux du Languedoc, cobre o arco inteiro; depois vêm as AOCs de lugar, como Corbières, Minervois, Picpoul de Pinet e Limoux e, no Roussillon, Côtes du Roussillon e Côtes du Roussillon Villages. A ideia é uma escada de três degraus: a região, a sub-região e a sub-região com nome de lugar. Em Corbières, a regra pede pelo menos duas uvas no tinto, e a Carignan fica em até metade. O Côtes du Roussillon Villages é só tinto e pode trazer nomes como Caramany, Latour-de-France ou Tautavel.

A segunda família é o IGP, a indicação geográfica protegida, como o Pays d'Oc, que nasceu como vin de pays em 1987 e virou IGP em 1º de agosto de 2009. A regra é mais solta e deixa pôr o nome da uva e a safra em destaque: é o Merlot, o Chardonnay, o Sauvignon que você reconhece de longe na prateleira. Nos doces, Hors d'Âge é Rivesaltes que envelheceu pelo menos cinco anos, e Rancio é o gosto de castanha e fruta seca que vem do tempo.

Com o que combina

Tinto de Grenache, Syrah e Carignan é de churrasco e de comida de panela: costela, linguiça, cordeiro, feijoada, cassoulet. O rosé vai com salada, peixe e petisco de praia. O Picpoul de Pinet acompanha ostra, camarão, casquinha de siri e moqueca leve. A Blanquette de Limoux brut fica bem com salgadinho e queijo; a demi-sec encara sobremesa de fruta e até de chocolate, como sugere o conselho do Languedoc. E um Rivesaltes Tuilé ou um Banyuls vai com bolo de chocolate, pudim ou queijo azul. Tudo sugestão: gostou de outro par, vá de outro par.

Gregos, romanos e um médico de Perpignan

A vinha chegou com os gregos, no século 6 antes de Cristo. Depois vieram os romanos, que fundaram a colônia de Narbonne em 118 a.C. e deram terra aos veteranos das legiões, muitos deles filhos de vinhateiros da Campânia. A Via Domitia, a primeira estrada romana da Gália, cortava o Languedoc por mais de 200 quilômetros, ligando a Itália à Espanha, e ainda hoje atravessa os vinhedos.

O vinho doce do Roussillon tem até um pai na história: no século 13, Arnau de Vilanova, médico da corte dos reis de Maiorca em Perpignan, foi o pioneiro do mutage, o truque de parar a fermentação com álcool. Em Limoux, os escritos mais antigos sobre a Blanquette são de 1544, e a AOC saiu em 1938, entre as primeiras da França. E um tal de Thomas Jefferson, quando era embaixador dos Estados Unidos na França, provou o tinto de Saint-Georges-d'Orques, ao lado de Montpellier, e gostou tanto que, já presidente dos Estados Unidos, baixou o imposto dos vinhos do Languedoc.

As uvas dos rótulos daqui

Nos 331 rótulos da busca do Languedoc-Roussillon, as uvas que mais aparecem. O número é em quantos rótulos.

Os mais bem avaliados do Languedoc-Roussillon

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque pra ver a ficha.

Ver os rótulos do Languedoc-Roussillon na busca →

Resumo sem frescura: Languedoc-Roussillon é sol, mar, Grenache e Carignan, com um bocado de liberdade no Pays d'Oc. Prove um tinto de Corbières e depois um Rivesaltes ou um Banyuls, e repare como a mesma Grenache vira duas coisas bem diferentes.

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