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Califórnia: sol do oeste e neblina do Pacífico
A Califórnia faz, em média, 81% de todo o vinho dos Estados Unidos, segundo o Wine Institute, a associação dos produtores do estado. É sol forte do oeste americano refrescado por uma neblina que sobe do Pacífico, e é a terra da Cabernet Sauvignon, da Chardonnay e de uma uva que os americanos chamam de sua: a Zinfandel.
Onde fica e como é o lugar
A Califórnia é a costa oeste dos Estados Unidos, e tem vinhedo do condado de San Diego, no sul, até Mendocino, no norte. Perto do mar ficam as duas costas mais conhecidas: a Costa Norte (North Coast, que junta Sonoma, Mendocino, Lake e Napa, que tem página própria aqui no site) e a Costa Central (Central Coast, com Monterey, Paso Robles e Santa Barbara). No interior fica Lodi. E, no leste, o pé da Serra Nevada tem região própria, a Sierra Foothills.
O que muda tudo é o Pacífico. Do Pacífico vem uma neblina fria que entra pelos vales no começo da noite. Em Russian River Valley, em Sonoma, a associação dos produtores conta que ela chega à noite e derruba a temperatura em uns 20 graus em relação à máxima do dia. Quanto mais perto do mar e da neblina, mais fresco o lugar, e mais a uva guarda acidez, aquele frescor que dá água na boca.
Longe do mar, a conversa é outra. Em Paso Robles, na Costa Central, a diferença entre o dia e a noite fica entre uns 19 e 28 graus, a maior do estado segundo a associação local, e o chão tem calcário, coisa rara na Califórnia.
As uvas da região
No levantamento oficial do governo, a Cabernet Sauvignon e a Chardonnay seguem como as uvas de vinho mais plantadas do estado. Em Paso Robles, a Cabernet é quase metade de tudo o que se planta. As áreas mais frescas, como Russian River Valley e a costa de Sonoma, são casa de Chardonnay e Pinot Noir, uva que gosta de frio.
E tem a Zinfandel. A Universidade da Califórnia em Davis a chama de o tinto próprio da Califórnia, a única grande uva de vinho ligada tão de perto ao estado. Ela chegou por volta de 1850 e, pelo DNA, é a mesma Primitivo da Itália e a Tribidrag da Croácia, de onde veio. Lodi, no interior, faz quase 40% da Zinfandel de qualidade do estado e tem muita parreira velha, de pé-franco (sem enxerto).
Que vinho sai de lá
Com sol de sobra, o tinto californiano costuma vir maduro, de fruta escura e álcool generoso, e muitos passam por barrica, o barril de carvalho. A Cabernet sai encorpada, com tanino firme; tanino é aquele aperto na gengiva, parecido com o de chá preto forte. A Zinfandel é fruta vermelha e geleia, com um toque de especiaria.
A Chardonnay aparece de dois jeitos: com madeira, cremosa e com nota de baunilha, ou sem madeira, mais cítrica. Das zonas de neblina sai Pinot Noir mais leve e perfumado, e a Chardonnay de lá tende a ser mais fresca, com mais acidez.
O que diz o rótulo
Nos Estados Unidos, quem manda no rótulo é o governo federal, pelo TTB, o órgão de impostos e comércio de bebidas. Pela regra federal, o nome de um estado ou de um condado (Sonoma County, Monterey County) pede pelo menos 75% de uva de lá. A Califórnia aperta mais: pela lei do estado, vinho com California no rótulo, ou com qualquer região dela, é 100% de uva californiana. Se o rótulo diz uma AVA, a área vitícola americana, pelo menos 85% da uva vem de dentro dela.
AVA é uma região de uva com limite desenhado no mapa e características próprias, reconhecida pelo TTB. Em 2026, os Estados Unidos tinham 280, e a Califórnia, 154, mais que qualquer outro estado. Uma AVA pode ficar dentro da outra: Paso Robles, de 1983, ganhou 11 sub-regiões em 2014. A primeira AVA da Califórnia foi Napa Valley, em 1981.
Duas regras ajudam na prateleira. Pra estampar o nome de uma uva, o vinho precisa ter pelo menos 75% dela. E a safra no rótulo exige 95% de uva daquele ano quando o vinho traz uma AVA, ou 85% nos outros casos. A regra da AVA fala de limite no mapa e de porcentagem de uva, não de tempo de barrica nem de jeito de fazer: diz de onde o vinho veio.
Com o que combina
Cabernet da Califórnia, encorpado e maduro, é parceiro de picanha, costela e hambúrguer gordo. A Zinfandel vai bem com costelinha com molho barbecue, linguiça na brasa e pizza de calabresa. A Chardonnay com madeira acompanha frango assado, peixe com molho de manteiga e moqueca. A Pinot Noir das áreas de neblina combina com salmão, cogumelos e pato. Tudo sugestão: gostou de outro par, vá de outro par.
Das missões à Lei Seca
O vinho californiano começou com religiosos. Em 1769, o frei Junípero Serra abriu em San Diego a primeira de uma corrente de missões espanholas plantando sementes e mudas de uva, segundo o Wine Institute. A Zinfandel veio quase um século depois, por volta da Corrida do Ouro.
Em 1919 a Califórnia já era o maior estado produtor de vinho do país, com mais de mil vinícolas. No ano seguinte veio a Lei Seca, a proibição nacional do álcool. Os vinhedos viveram na incerteza até a revogação, em 5 de dezembro de 1933, e no ano seguinte produtores e viticultores se juntaram pra fundar o próprio Wine Institute.
As uvas dos rótulos daqui
Nos 1.554 rótulos da busca da Califórnia, as uvas que mais aparecem. O número é em quantos rótulos.
Os mais bem avaliados da Califórnia
Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque pra ver a ficha.
- Kosta Browne Keefer Ranch Pinot Noirnota ★ 4,8
- Kosta Browne Gap's Crown Vineyard Pinot Noirnota ★ 4,7
- Saxum Broken Stonesnota ★ 4,7
- Marcassin Pinot Noirnota ★ 4,7
- Kosta Browne Russian River Valley Pinot Noirnota ★ 4,7
- Saxum James Berry Vineyardnota ★ 4,7
- Sea Smoke Ten Pinot Noirnota ★ 4,7
- Kosta Browne Sonoma Coast Pinot Noirnota ★ 4,6
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