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Vale do Loire: o rio dos brancos frescos, do Atlântico aos castelos

O Vale do Loire acompanha o rio Loire desde o Atlântico, perto de Nantes, até ao centro de França. É terra de branco: Sauvignon Blanc em Sancerre e Pouilly-Fumé, Chenin em Vouvray, Melon no Muscadet. Nos tintos, manda a Cabernet Franc de Chinon. E tudo isto no meio dos castelos que fizeram parte do vale tornar-se Património Mundial.

274 rótulos da pesquisa são daqui186 brancos · 56 tintos · 15 rosés · 13 espumantes · 4 de sobremesa ou Porto

Onde fica e como é o lugar

A vinha segue o rio de oeste para leste: começa no Atlântico, no Pays Nantais, sobe pelo Anjou e por Saumur, atravessa a Touraine e chega ao Centre-Loire, onde ficam Sancerre e Pouilly. Ao todo são uns 57 mil hectares em 14 departamentos, da Vendée ao Puy-de-Dôme, o que faz do Loire a terceira região de vinho de França, segundo o InterLoire, o organismo que reúne os produtores do vale. Só de Nantes a Vendôme são 42 mil hectares.

O clima muda pelo caminho. Em Nantes e no Anjou, manda o oceano: inverno ameno, verão moderado e pouca diferença de temperatura. Mais para leste, na Touraine, entra o continente, com mais sol e mais variação de temperatura. O rio, com os seus afluentes, ajuda a segurar a temperatura das encostas.

O chão é uma manta de retalhos. No oeste, rocha antiga, como gnaisse, xisto e granito, onde nasce o Muscadet. No Anjou e em Saumur aparece o tuffeau, um calcário; na Touraine, areia e argila com sílex; no Centre-Loire, os calcários e o sílex de Sancerre e Pouilly. E o troço do vale entre Sully-sur-Loire e Chalonnes-sur-Loire, com as suas cidades, castelos e vinhas, é Património Mundial da UNESCO desde 30 de novembro de 2000.

Um castelo de torres redondas e cones altos à beira de um rio manso, com o reflexo na água, e vinha nas encostas suaves dos dois lados.
fig. 1Vale do Loire: o rio mais longo de França, castelos na margem e vinha nas encostas suaves.

As castas da região

O InterLoire conta mais de 100 castas, com sete principais: Cabernet Franc, Chenin Blanc, Melon, Sauvignon Blanc, Gamay, Chardonnay e Grolleau. A marca do Loire é a casta sozinha na garrafa: Melon no Muscadet; Chenin, Cabernet e Gamay em Anjou, Saumur e Touraine; Sauvignon Blanc e Pinot Noir no Centre-Loire. A Chenin, também chamada Pineau de la Loire, nasceu lá, e a Cabernet Franc é a tinta número um do vale.

No Centre-Loire, a Sauvignon Blanc responde por 80,9% da produção, e a Pinot Noir, por 16,4%. Em Pouilly, a Sauvignon tem alcunha, Blanc-Fumé, por causa da pruína, aquele pó fino e meio esfumado que cobre o bago maduro. Já a Grolleau, nascida na Touraine, dá rosé fácil, frutado e meio seco.

Que vinho sai de lá

O Loire faz as quatro cores, branco, tinto, rosé e espumante, e o branco é a que mais sai. A Chenin é a casta dos extremos: colhida no começo da vindima, dá branco seco e espumante; colhida no fim, dá os grandes doces do vale, como os de Coteaux du Layon. Vouvray, a leste de Tours, é só Chenin e sai seco, meio seco, doce ou espumante, este pelo método tradicional, com a bolha feita na garrafa. Saumur também é terra de espumante.

O Muscadet, no oeste, é branco seco e leve de Melon, feito para ostras. O Muscadet Sèvre et Maine responde por quase 75% do volume da família. Muitos levam no rótulo sur lie: o vinho descansa sobre as borras finas (as leveduras que sobram da fermentação) pelo menos até 1 de março do ano seguinte, passa no máximo um verão na cuba e pode guardar um leve picar de gás natural. Nos tintos, Chinon, Bourgueil e Saumur-Champigny são de Cabernet Franc, e o Rosé d'Anjou é um rosé macio, com um toque de doce.

O que diz o rótulo

O Loire tem 34 AOP, as denominações de origem, e uma IGP, a Val de Loire. No rótulo, o nome do lugar quase sempre já diz a casta, mesmo quando ela não aparece escrita: Sancerre e Pouilly-Fumé brancos são Sauvignon Blanc; Vouvray é Chenin; Muscadet é Melon; Chinon tinto é Cabernet Franc, sozinha ou como maioria; e Sancerre tinto ou rosé é Pinot Noir. Pouilly-sur-Loire, vizinho do Pouilly-Fumé, é outra coisa: um branco de Chasselas.

Algumas palavras ajudam: sec é seco, demi-sec é meio seco, moelleux e liquoreux são doces, e sur lie é o Muscadet que descansou nas borras. No Muscadet Sèvre et Maine, o rótulo pode trazer nomes de lugar, como Clisson, Gorges ou Château-Thébaud; esses ficam nas borras pelo menos até 1 de outubro do segundo ano depois da vindima. E as datas: Sancerre tornou-se AOC em 1936 para o branco e em 1959 para o tinto e o rosé; Pouilly-Fumé, em 1937.

Com que combina

Muscadet com ostras é casamento antigo; vale também para mexilhões, camarão, casquinha de siri, sushi e peixe grelhado, como sugere o próprio InterLoire. Sancerre e Pouilly-Fumé vão com queijo de cabra, salada e peixe com ervas. O Chenin seco enfrenta frango e porco; o Vouvray meio seco, comida asiática e moqueca. Um Chinon mais leve acompanha charcutaria, frango assado e pizza; o de guarda, carne estufada. E o Rosé d'Anjou vai do aperitivo à sobremesa, ótimo com petiscos agridoces. Tudo sugestão: se gostou de outro par, vá por outro par.

Sancerre já foi terra de Pinot Noir

Quem pensa em Sancerre pensa em Sauvignon Blanc, mas a fama começou no tinto. A vinha de lá aparece nos escritos de Gregório de Tours, em 582, e cresceu no século XII com os monges agostinhos de Saint-Satur. O vinho que deu nome a Sancerre era tinto de Pinot Noir, levado pelo rio. No fim do século XIX, a filoxera, uma praga que ataca a raiz, destruiu a vinha, e no lugar do Pinot replantaram Sauvignon Blanc, que se deu bem com o clima.

Pouilly, na outra margem do Loire, também mudou de rumo. No começo do século XIX, com o comboio, a vinha passou a enviar Chasselas como uva de mesa para os mercados de Paris, e isso fez a fortuna dos viticultores até à concorrência do Sul, ao míldio e à filoxera, nos anos 1880. A área foi demarcada em 1929, e hoje restam só uns 24 hectares de Chasselas, no Pouilly-sur-Loire, ao lado dos 1.400 de Sauvignon do Pouilly-Fumé.

As castas dos rótulos daqui

Nos 274 rótulos da pesquisa do Vale do Loire, as castas que mais aparecem. O número indica em quantos rótulos.

Os mais bem avaliados do Vale do Loire

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.

Ver os rótulos do Vale do Loire na pesquisa →

Resumo sem frescura: o Loire é rio, frescura e uma casta por garrafa. Prove um Sancerre e um Vouvray seco lado a lado e repare como a Sauvignon e a Chenin mudam o branco.

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