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As regiões · Itália

Véneto: do Prosecco ao Amarone, entre os Alpes e o Adriático

O Véneto é a região do nordeste de Itália onde ficam Veneza e Verona. Dela saem o Prosecco, o espumante do aperitivo, e tintos como o Valpolicella e o Amarone, feito de uva que descansa meses antes de se tornar vinho. Há ainda um branco antigo, o Soave, e um tinto leve da beira do lago, o Bardolino.

800 rótulos da pesquisa são daqui552 tintos · 136 espumantes · 97 brancos · 9 rosés · 6 de sobremesa ou Porto

Onde fica e como é o lugar

O Véneto vai do mar Adriático até ao sopé das Dolomitas, a parte dos Alpes no nordeste de Itália. A paisagem do vinho muda pelo caminho: há planície perto do mar, colina perto da montanha e a margem leste do lago de Garda, perto de Verona. O lago funciona como um grande ar condicionado e torna mais ameno o clima da Valpolicella.

As colinas de Conegliano e Valdobbiadene, a cerca de 50 km de Veneza, são encostas íngremes, com vinha em faixas estreitas na encosta. Em 2019, a Unesco pôs estas colinas na lista do Património Mundial. Mais a oeste, perto de Verona, o Soave cresce em colinas de origem vulcânica, com basalto e calcário, de 50 a 500 metros de altitude.

Colinas íngremes riscadas de vinha em socalcos e, ao lado, um armazém aberto com cachos de uva pendurados a secar.
fig. 1Véneto: colinas íngremes de vinha e, no armazém, cachos a secar durante meses antes de se tornarem Amarone.

As castas da região

Cada vinho famoso tem a sua casta. O Prosecco é feito de Glera, uma casta branca que pode receber até 15% de outras castas, como Verdiso, Bianchetta, Chardonnay e Pinot. O Soave é pelo menos 70% Garganega, branca que, segundo o consórcio, está naquelas colinas há pelo menos mil anos, com Trebbiano di Soave ou Chardonnay a completar.

Nos tintos, a dona é a Corvina. Na Valpolicella, ocupa 56% das vinhas, seguida pela Rondinella (19%) e pela Corvinone (18%), todas castas nativas da região. O Bardolino usa a mesma equipa: Corvina à frente, com Rondinella e Molinara.

Que vinho sai de lá

Há bolha, há branco, há tinto leve e há tinto de guarda. O Prosecco ganha a espuma numa segunda fermentação em cuba fechada, o método Martinotti, que guarda a fruta da uva; o consórcio recomenda bebê-lo jovem, até ao ano seguinte ao da vindima. O Soave é branco fresco, de flor branca e fruta, com um final que lembra amêndoa.

Na Valpolicella, a escada vai do tinto jovem e fresco do dia a dia ao Ripasso, mais encorpado, ao Amarone, potente e seco, e ao Recioto, doce. O Bardolino é tinto leve, de pouco álcool e tanino macio (o tanino é aquele aperto na gengiva), e o Chiaretto di Bardolino é o rosé da mesma beira de lago.

O que diz o rótulo

Vale a escada italiana: DOC (Denominação de Origem Controlada) tem zona e regra; DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) é o degrau de cima, com controlo mais apertado e um selo do Estado, numerado, em cada garrafa. Segundo a lista do Ministério da Agricultura de Itália, o Véneto tem 14 DOCG e 29 DOC, contando as que divide com as regiões vizinhas, como a DOC Prosecco, repartida com o Friuli. Classico, no rótulo, quer dizer o núcleo histórico da zona. Superiore pede uma regra mais apertada, que muda de vinho para vinho: no Valpolicella, por exemplo, é um ano de espera. Os nomes que mais aparecem:

  • Prosecco DOC: zona grande, em nove províncias do Véneto e do Friuli Venezia Giulia (Treviso, Veneza, Vicenza, Pádua, Belluno, Gorizia, Pordenone, Trieste e Udine). Sai frisante, espumante ou rosé.
  • Conegliano Valdobbiadene Prosecco Superiore DOCG: as colinas históricas, 15 municípios, DOCG desde 2009. Rive é a vinha de encosta de um só município, com a colheita no rótulo; Cartizze é uma subzona de 107 hectares em Valdobbiadene. A doçura vai de Extra Brut, Brut, Extra Dry a Dry, por esta ordem, do menos para o mais doce, a mesma régua do Prosecco DOC: o Extra Dry é mais doce do que o Brut.
  • Valpolicella DOC: tinto jovem de Corvina e companhia, em 19 municípios da província de Verona. A zona Classica fica nas localidades e vales de Sant'Ambrogio, San Pietro in Cariano, Fumane, Marano e Negrar. O Superiore espera pelo menos um ano.
  • Valpolicella Ripasso DOC: o Valpolicella que volta a fermentar sobre as películas do Amarone e do Recioto.
  • Amarone della Valpolicella DOCG e Recioto della Valpolicella DOCG: os dois de uva seca; o Amarone sai seco, o Recioto, doce.
  • Soave DOC e Soave Superiore DOCG: o branco de Garganega a leste de Verona. O Soave Classico vem dos municípios de Soave e Monteforte d'Alpone. O Recioto di Soave, de Garganega seca, foi o primeiro DOCG do Véneto.
  • Bardolino DOC e Chiaretto di Bardolino: tinto leve e rosé da margem leste do lago de Garda.

Com que combina

O Prosecco é o vinho do aperitivo: coxinha, rissóis, pastéis de bacalhau, pão de queijo, e também a pizza de sexta-feira. O Soave vai com peixe, frango e, segundo o próprio consórcio, até com sushi. O Bardolino, tinto leve, enfrenta massa com molho de tomate, pizza, risoto e fritos; no calor, pode ir um pouco mais fresco. O Ripasso acompanha churrasco, charcutaria e queijo meia-cura. O Amarone pede carne estufada, cozido, cabrito e queijo bem curado, ou um gole sozinho no fim da noite. E o Recioto, doce, fecha com bolo de chocolate. Tudo sugestão: se gostou de outro par, vá por outro par.

A uva que descansa antes de se tornar vinho

O segredo do Amarone é o appassimento, palavra italiana para a uva que seca. Depois da vindima, os cachos descansam 100 a 120 dias em salas arejadas, os fruttai. A uva perde água e concentra o açúcar e as substâncias da película. Só no inverno vai para a fermentação, que é lenta e vai até ao fim: o açúcar transforma-se em álcool, e sai um tinto seco, de álcool alto, que passa um bom tempo em madeira e aguenta décadas.

Com a mesma uva seca nasce o Recioto, a que o consórcio chama o antepassado do Amarone: a fermentação é parada a meio, sobra açúcar, e o vinho sai doce. E o que fica na cuba também é aproveitado. No Ripasso, o Valpolicella jovem passa de novo sobre as películas que sobraram do Amarone e do Recioto, fermenta outra vez e ganha corpo e álcool. É o irmão do meio da família.

As castas dos rótulos daqui

Nos 800 rótulos da pesquisa do Véneto, as castas que mais aparecem. O número indica em quantos rótulos.

Os mais bem avaliados do Véneto

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.

Ver os rótulos do Véneto na pesquisa →

Resumo sem frescura: no Véneto, o Prosecco abre a festa e o Amarone fecha o jantar. Prove um Valpolicella jovem e um Ripasso lado a lado e repare no que uma segunda fermentação muda no copo.

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Fontes desta página

  • Consorzio per la Tutela dei Vini Valpolicella — www.consorziovalpolicella.it
  • Consorzio di Tutela della DOC Prosecco — O Prosecco — www.prosecco.wine
  • Consorzio Tutela Conegliano Valdobbiadene Prosecco Superiore DOCG — A denominação — www.prosecco.it
  • Consorzio Tutela Conegliano Valdobbiadene — Tipologias — www.prosecco.it
  • Consorzio Tutela Vini Soave — Disciplinare e castas — www.ilsoave.com
  • Consorzio di Tutela Chiaretto e Bardolino — Bardolino DOC — consorziobardolino.it
  • MASAF — Elenco alfabetico dei vini DOP italiani (atualizado em 18/03/2026) — www.masaf.gov.it
  • Rótulos, notas, castas e regiões da lista da casa: X-Wines, base científica aberta (de Azambuja, R. X. et al., 2023), verificada pela casa — github.com

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