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As castas da casa · branca

Pinot Grigio: a casta cinzenta de dois sotaques

Pinot Grigio é uma casta de película cinza-rosada que nasceu de uma mutação da Pinot Noir. Em italiano chama-se Pinot Grigio; em francês, Pinot Gris. É a mesma casta, mas os dois nomes tornaram-se duas maneiras de fazer vinho: a italiana, fresca e fácil, para beber bem fria; e a alsaciana, mais cheia, com aroma a fruta seca e um toque fumado. Aquele branco italiano da mesa ao lado na pizzaria era, provavelmente, um deles.

338 rótulos da pesquisa levam Pinot Grigio292 só de Pinot Grigiode 18 países

De onde vem

A Pinot Grigio é francesa e é da família Pinot. No VIVC, o catálogo internacional de castas, o nome oficial dela é Pinot Gris, com origem em França e a cor da película registada como cinzenta, nem branca nem tinta. O catálogo regista a origem como uma mutação da Pinot Noir, o mesmo caminho da Pinot Blanc. Ou seja: Noir, Gris e Blanc são praticamente a mesma planta, que mudou a cor da película.

O consórcio de vinhos do Alto Ádige, no norte de Itália, explica o truque: a película tem camadas de células geneticamente diferentes, umas por cima das outras. Por isso a cor é instável, e de vez em quando aparece um cacho, ou só um bago, azul ou branco no meio da vinha. No Alto Ádige, a primeira plantação registada foi em 1848, em Eppan, e no início era plantada misturada com a Pinot Blanc.

Como é no copo

Depende de onde vem. No estilo italiano, a regra da denominação Delle Venezie descreve um vinho de cor palha a dourada, aroma frutado e por vezes floral, sabor fresco e harmonioso, do seco ao ligeiramente adocicado, com um mínimo de 11% de álcool. É o branco dos dias quentes, para beber jovem e bem frio. Na Campanha Gaúcha, a Embrapa resume o aroma do Pinot Grigio varietal numa palavra: pera.

Na Alsácia, a mesma casta dá outro vinho. O CIVA, o comité dos vinhos de lá, fala de cor amarelo-dourada, aroma fumado, fruta seca, damasco, mel e cera de abelha, e uma boca ampla e carnuda, sustentada por uma acidez que segura o conjunto. No Alto Ádige, os vinhos do fundo do vale lembram maçã madura, pera e marmelo; os das encostas mais altas puxam para o limão e para o pêssego branco, com acidez mais presente.

Uma folha de videira, um cacho de uva branca e um copo com o vinho da Pinot Grigio.
fig. 1Do cacho ao copo: película cinza-rosada, vinho de cor palha a dourada, fresco, para beber jovem e bem frio.

Com que combina

O italiano, fresco, é um trunfo do dia a dia: salada, bruschetta, peixe grelhado, camarão ao alho, risotto de limão, sushi e pizza margherita. O alsaciano, mais encorpado, enfrenta pratos com personalidade: o CIVA sugere foie gras, porco assado, pato, cogumelos e queijos curados. Na mesa brasileira, vai bem com lombo de porco, frango com cogumelos, risotto de funghi e queijo canastra. Tudo sugestão: se gostou de outro par, vá por outro par.

Onde brilha hoje

A Itália é a maior casa dela: 25 mil hectares em 2015, segundo a OIV, a organização internacional do vinho, e uma das duas únicas castas que cresceram em área no país de 2000 a 2015. Quase tudo fica no nordeste, na denominação Delle Venezie, que junta o Véneto, o Friuli Venezia Giulia e a província de Trento. O consórcio fala hoje de 27 mil hectares, cerca de 230 milhões de garrafas por ano e 85% do Pinot Grigio italiano.

Mais a norte, no Alto Ádige, é a branca mais plantada há mais de três décadas, com 715 hectares, segundo o consórcio local. Na Alemanha, com o nome de Grauburgunder, eram 8.404 hectares em 2024, a terceira branca do país. Em França, quase toda a área fica na Alsácia. No Oregon, nos Estados Unidos, era a segunda casta mais plantada em 2018. No Brasil, aparece na Campanha Gaúcha, entre as castas autorizadas da Indicação de Procedência.

Os outros nomes dela

No VIVC, o nome oficial é Pinot Gris, e a lista de sinónimos tem 249 nomes. Os que mais aparecem são Pinot Grigio, como a Itália escreve, e Pinot Gris, como a França escreve. Na Alemanha, Grauer Burgunder ou Ruländer; na Hungria, Szürkebarát, que quer dizer monge cinzento. No Alto Ádige, a tradição é escrever Ruländer: o consórcio conta que o nome vem de um comerciante de Speyer chamado Ruland, que terá espalhado a casta no século XVIII.

O Tokay que nunca foi Tokay

A Alsácia chamou Tokay a esta casta durante mais de um século. A lenda, contada pelo CIVA, diz que por volta de 1565 um barão, Lazare de Schwendi, trouxe estacas da cidade de Tokaj, na Hungria, famosa pelo vinho de lá. Só que o vinho húngaro é feito de Furmint, e os ampelógrafos acham mais provável que a casta plantada na Alsácia fosse a Pinot Gris da Borgonha. O nome foi mudando: Grauer Tokayer, Tokay d'Alsace, Tokay Pinot Gris e, desde 1 de abril de 2007, só Pinot Gris.

Em Itália, a película cinza-rosada deu origem a outra tradição: o ramato, palavra que quer dizer cor de cobre. A regra da denominação Delle Venezie conta que os termos ramato, mais usado no Friuli, e rosato, no Véneto e em Trento, já aparecem em escritos da época da República de Veneza. Pela regra da denominação, na versão publicada em 2021, o rótulo pode trazer Pinot Grigio ramato ou rosato, incluindo nas versões frisante e espumante, para quem prefere o vinho com aquele tom acobreado.

Os mais bem avaliados com Pinot Grigio

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.

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Pinot Grigio é o branco que muda de sotaque conforme a terra. Prove um italiano bem fresco num dia de calor e um alsaciano num jantar de outono, e descubra qual dos dois é o seu.

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Fontes desta página

  • VIVC — Pinot Gris, passaporte n.º 9275 — www.vivc.de
  • Gazzetta Ufficiale, 29/07/2021 — disciplinare da DOC delle Venezie (publicado pelo Consorzio) — dellevenezie.it
  • Consorzio DOC Delle Venezie — La DOC delle Venezie — dellevenezie.it
  • CIVA — Pinot Gris d'Alsace — www.vinsalsace.com
  • Consorzio Vini Alto Adige — ficha da casta Ruländer / Pinot Grigio — www.suedtirolwein.com
  • OIV — Distribution of the world's grapevine varieties (Focus 2017) — www.oiv.int
  • Embrapa — Campanha Gaúcha: Indicação Geográfica de Vinhos (Tonietto e Falcade) — www.infoteca.cnptia.embrapa.br
  • Deutsches Weininstitut — Deutscher Wein Statistik 2025/2026 (dados do Statistisches Bundesamt) — www.deutscheweine.de
  • Rótulos, notas, castas e regiões da lista da casa: X-Wines, base científica aberta (de Azambuja, R. X. et al., 2023), verificada pela casa — github.com

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