As castas da casa · tinta
Corvina: a casta do Amarone e do Valpolicella
Corvina é uma casta tinta de Verona, no nordeste de Itália, e a mais plantada do Valpolicella. É a base do Valpolicella, do Amarone e do Bardolino, este à beira do Lago di Garda. Sozinha, dá um tinto de cor rubi, aroma a cereja e um gole fresco, com tanino que não pesa. O truque mais famoso dela acontece depois da vindima: os cachos descansam meses a secar antes de se tornarem Amarone, um tinto seco e potente.
De onde vem
A Corvina é italiana, da região de Verona, no Véneto. No VIVC, o catálogo internacional de castas, o nome principal dela é Corvina Veronese, tinta, com origem em Itália. Os pais não aparecem no passaporte, mas o catálogo regista que ela tem ligação de pai e filho com outras castas. Em dialeto veronês, ela é a Cruina, nome que até a regra do Amarone escreve entre parênteses.
O registo oficial de castas de Itália descreve um bago de película azul-violeta, coberta por uma camada fina e esbranquiçada (a pruína), grossa e bem resistente. E faz uma observação que explica muita coisa: a uva conserva-se bem tanto na videira como no fruttaio, o armazém arejado onde os cachos secam. É essa película firme que aguenta meses de secagem sem se estragar.
Como é no copo
No Valpolicella do dia a dia, o consórcio descreve aroma a cereja, amêndoa amarga e rosa, e um gole fresco, seco, com tanino agradável e um leve amargor no final. Cor rubi, que passa a granada (um vermelho mais tijolo) com o tempo. É um tinto vivo, daqueles que abrem o apetite. Não é um tinto que impressione pelo peso, e sim pela frescura.
No Bardolino, perto do lago, a Corvina torna-se um tinto leve e fresco, com álcool contido e tanino macio, segundo o consórcio de lá. Já no Amarone, com as uvas secas, ela muda de figura: o vinho fica seco, de álcool alto e encorpado, que o consórcio descreve com notas de café, flor, fruta e especiaria. A mesma casta dá desde o tinto para beber com petiscos até ao tinto para meditar.
Com que combina
Depende de qual Corvina está no copo. O Valpolicella e o Bardolino vão bem com charcutaria, pizza, massa com molho leve, frango assado e até um peixe mais gordo; servidos um pouco frescos, aguentam o verão brasileiro. O Ripasso enfrenta lasanha, carne assada e queijo meia-cura. O Amarone pede carne estufada, borrego, guisado e queijo bem curado, e o consórcio lembra que também vai bem sozinho, como vinho de meditação, para beber devagar. O Recioto, que é doce, vai com chocolate, bolo e queijo. É sugestão: se gostou com outra coisa, vale o seu gosto.
Onde brilha hoje
No Valpolicella, é ela quem manda: o consórcio diz que a Corvina é 56% das uvas da denominação, seguida da Rondinella e do Corvinone. A regra do Amarone pede de 45% a 95% de Corvina e/ou Corvinone e de 5% a 30% de Rondinella, com até 25% de outras castas. Quase metade das garrafas da região é de Valpolicella Ripasso, e cerca de um quarto é de Amarone e Recioto.
No Bardolino, do lado leste do Lago di Garda, a regra pede de 35% a 95% de Corvina, com até 20% de Corvinone no lugar dela, e de 5% a 40% de Rondinella. Do mesmo lugar sai o Chiaretto di Bardolino, o rosé da casa. Fora de Verona, a Corvina é rara: no Brasil, o cadastro da Embrapa registava uma fração de hectare no Rio Grande do Sul em 2012.
Os outros nomes dela
O VIVC lista 25 sinónimos para a Corvina Veronese, como Corvina, Cruina, Corvina Nostrana, Corvina Comune e Crovina. Agora, atenção: Corvinone não é alcunha dela. No VIVC, o Corvinone Veronese tem passaporte próprio, com outro número, ou seja, é outra casta. Por isso a regra do Amarone escreve “Corvina e/ou Corvinone”: as duas podem dividir a mesma fatia do vinho, mas são plantas diferentes.
Uvas que descansam antes de se tornarem vinho
O Amarone começa com a vindima, mas o vinho só nasce meses depois. Os cachos de Corvina e das outras castas descansam no fruttaio durante 100 a 120 dias, diz o consórcio, e nesse tempo perdem água e concentram açúcar e sabor. A regra do Amarone diz que, em regra, a uva seca só se torna vinho a partir de 1 de dezembro (o Véneto pode antecipar quando o clima obriga), tem de chegar a pelo menos 14% de álcool potencial e o vinho envelhece no mínimo dois anos.
Com a mesma uva seca nasce o Recioto, que o consórcio chama de antepassado do Amarone: a fermentação é interrompida para guardar açúcar, e o vinho sai doce. E há o Ripasso, o meio-termo: o Valpolicella volta a fermentar sobre as películas que sobraram do Amarone e do Recioto, e ganha mais álcool e mais corpo. Três vinhos, uma casta, um armazém cheio de cachos.
Os mais bem avaliados com Corvina
Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.
- Quintarelli Giuseppe Recioto della Valpolicella Classiconota ★ 4,8
- Dal Forno Romano Amarone della Valpolicella Monte Lodolettanota ★ 4,8
- Zýmē La Mattonara Amarone della Valpolicella Classico Riservanota ★ 4,8
- Stefano Accordini Vigneto Il Fornetto Amarone della Valpolicella Classico Riservanota ★ 4,8
- Brunelli Campo del Titari Amarone della Valpolicella Classico Riservanota ★ 4,7
- Bussola Amarone della Valpolicella Classico Vigneto Alto TBnota ★ 4,7
- Ferragù Amarone della Valpolicellanota ★ 4,7
- Brunelli Campo Inferi Amarone della Valpolicella Classico Riservanota ★ 4,7
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