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Guia Sem Frescura · Nº 14

Como escolher vinho no supermercado sem sofrer: sete passos

Corredor comprido, duzentos rótulos, ninguém a quem perguntar. Resolvemos isto em sete passos, sem sommelier-ês, e com uma ferramenta no bolso: a pesquisa da casa, que diz o que cada garrafa é.

1. Comece pelo prato, não pela garrafa

Vai comer o quê? Carne vermelha pede tinto com corpo; peixe e salada, branco; pizza e massa, tinto leve ou rosé; churrasco, Malbec e Cabernet. Não é lei, é atalho: aqui ninguém diz “não pode”. Não há prato? Aposte no espumante, que combina com quase tudo, inclusive com nada.

Um bife com um copo de tinto, um peixe com um copo de branco e um copo de espumante sozinho.
fig. 1Comece pelo prato: carne vermelha pede tinto com corpo; peixe e salada, branco; pizza e massa, tinto leve ou rosé. Sem prato? Espumante.

2. Seco ou suave: decida antes de olhar para o preço

A maior desilusão do corredor é comprar o oposto do que se esperava. Procure a palavra no rótulo: seco, meio seco ou suave. Importado sem aviso na frente é quase sempre seco; no Brasil, a classificação obrigatória vem no contrarrótulo, em português.

3. Leia só quatro coisas no rótulo

Casta, região, colheita e teor alcoólico. O resto é design. O guia de ler o rótulo mostra onde está cada uma. Colheita: para o vinho de supermercado, quanto mais recente, melhor; três anos para trás é sinal de prateleira parada.

4. Desconfie das palavras que não valem nada

“Reservado” é o vinho de entrada com nome pomposo (no Brasil, a lei diz isso quase com estas palavras: vinho jovem pronto a beber). “Reserva” é tempo de envelhecimento, e a régua muda com o país (a régua está aqui). “Selecionado”, “Premium”, “Gran” e a medalha dourada impressa no rótulo (não colada) são decoração. O que vale está no passo 3.

5. Escreva o nome na pesquisa da casa

Com a garrafa na mão, abra Que vinho é esse? e escreva o nome como conseguir. Se ele estiver entre os mais de 23 mil da pesquisa (os mais avaliados de cada país), aparecem a casta, o corpo, o que combina e a nota de quem bebeu, não de crítico. Não está? A nota que falta também é informação: rótulo muito novo ou muito local.

6. A faixa de preço que compensa

Abaixo de R$ 30, o supermercado brasileiro tem pouco vinho fino honesto; entre R$ 40 e R$ 100 está a maior parte dos “bons e baratos” do Chile, da Argentina, de Portugal e do Sul do Brasil (é a faixa a que o Garimpo chama dia a dia); acima disso, o preço sobe mais depressa do que a qualidade. O Garimpo é a nossa caçada semanal ao vinho que vale o que custa, com o preço visto na loja.

7. Olhe para a garrafa, não só para o rótulo

Rolha a sair, vinho a verter pela cápsula ou nível abaixo do ombro: apanhou calor, deixe ficar. Garrafa com pó na prateleira de cima, de frente para a montra ao sol: idem. Vinho é comida; mal guardado, estraga-se.

Duas garrafas: uma normal e outra com a rolha a sair, vinho a escorrer e o nível abaixo do ombro.
fig. 2Olhe para a garrafa: 1 rolha a sair ou vinho a verter pela cápsula, 2 nível abaixo do ombro. Apanhou calor: deixe-a na prateleira.
Enganou-se? Faz parte. Anote aquilo de que não gostou (doce demais? muito tanino?) e da próxima vez compra melhor. É assim que toda a gente aprende, inclusive quem hoje se arma em entendido.

Fontes desta página

  • Lei n.º 7.678/1988, a Lei do Vinho do Brasil (classes: fino, de mesa, seco, meio seco, suave; frisante, espumante, moscatel) — planalto.gov.br
  • Decreto n.º 8.198/2014 (Brasil), arts. 31 a 35 (a escala de açúcar em gramas por litro que os rótulos seguem; revogado em 3/11/2025 pelo Decreto n.º 12.709/2025, que deixou os padrões para os atos do MAPA) — planalto.gov.br
  • X-Wines, a base científica aberta por detrás da pesquisa da casa (de Azambuja, R. X. et al., 2023) — github.com

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