As regiões · Itália
Piemonte: o Barolo, a Barbera e o Moscato do pé dos Alpes
O Piemonte é a região do noroeste da Itália, encostada nos Alpes, de onde vêm o Barolo, o Barbaresco, a Barbera e o Moscato d'Asti. Aqui, o costume é fazer vinho de uma uva só, e cada morro tem nome próprio no rótulo. É também a terra da trufa branca de Alba e da avelã: o vinho é só metade da mesa piemontesa.
Onde fica e como é o lugar
O coração do vinho piemontês são três áreas de colina: Langhe, Roero e Monferrato, no sul da região, entre os Alpes e o litoral da Ligúria. O nome Langhe é celta e quer dizer línguas de terra: são morros compridos e paralelos, com vales fundos e estreitos entre eles. Em 2014, essa paisagem de vinhedo virou Patrimônio Mundial da Unesco.
O clima das Langhe é temperado frio, de inverno rigoroso e verão quente. Os Alpes protegem, e do mar da Ligúria chega um ar mais ameno e úmido. O chão é antigo fundo de mar: sedimentos que se acumularam entre uns 12 e 5 milhões de anos atrás e viraram marga, uma mistura de calcário e argila, com faixas de areia. Cada colina tem seu solo, e por isso o vinho muda de um morro pro outro.
As uvas da região
O Piemonte é terra de uva nativa. A rainha é a Nebbiolo, a tinta do Barolo, do Barbaresco, do Roero e do Nebbiolo d'Alba. A mais plantada é a Barbera: segundo o consórcio da Barbera d'Asti, ela ocupa cerca de 30% dos 43 mil hectares de vinhedo da região. Ainda tem Dolcetto, Freisa e Grignolino nas tintas, e a Brachetto, que entra no Asti rosé.
Nos brancos, o Moscato Bianco é o mais famoso: é a uva do Asti e do Moscato d'Asti. A Cortese faz o Gavi, no sudeste da região. A Arneis é a branca do Roero. E as internacionais também aparecem, como Chardonnay, Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon e Merlot, e podem levar o nome da uva no rótulo, como a Piemonte DOC permite.
Que vinho sai de lá
O tinto de guarda é a fama: Barolo e Barbaresco são Nebbiolo pura, de cor granada, cheiro de rosa, cereja e especiarias, e tanino elegante, aquele aperto na gengiva que pede tempo e comida. A Barbera é o tinto do dia a dia, de acidez alta (a boca salivando) e fruta de amora, cereja e morango; há versões mais frescas, de tanque de aço, e versões com barrica. O Dolcetto é tinto jovem e frutado, com um amarguinho de amêndoa no fim.
E tem o espumante doce que o mundo conhece. O Asti Spumante é feito de Moscato e pode sair do brut nature ao doce. O Moscato d'Asti é frisante: a fermentação para quando o vinho chega a uns 5% de álcool, e sobra o açúcar da própria uva. Do outro lado, o Gavi é branco seco e fresco, de fruta e flor branca.
O que diz o rótulo
A escada italiana vale aqui: DOC (Denominação de Origem Controlada) tem zona e regras; DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) é o degrau de cima, com regra mais apertada e controle de cada garrafa. Segundo a lista do Ministério da Agricultura da Itália, o Piemonte tem 19 DOCG e 41 DOC. Riserva quer dizer mais tempo de espera antes de vender. E muita garrafa traz o nome da uva junto do lugar: Barbera d'Alba é Barbera de Alba; Barbera d'Asti, de Asti.
Os nomes que mais aparecem, e o que eles querem dizer:
- Barolo DOCG: Nebbiolo pura, em 11 municípios ao sul de Alba. Espera pelo menos três anos e dois meses, um ano e meio em carvalho; Riserva, cinco anos. Desde 2010 o rótulo pode trazer o nome do vinhedo oficial, a Menção Geográfica Adicional.
- Barbaresco DOCG: Nebbiolo pura, em Barbaresco, Neive, Treiso e parte de Alba. Espera pelo menos dois anos, nove meses em carvalho; Riserva, quatro.
- Langhe DOC: a denominação larga das Langhe e do Roero, 96 municípios. Aceita vinho de uma uva só ou de mistura, inclusive Langhe Nebbiolo, Langhe Rosso e Langhe Bianco.
- Roero DOCG: o tinto do Roero é pelo menos 95% Nebbiolo; o Roero Arneis, pelo menos 95% Arneis.
- Barbera d'Asti DOCG: pelo menos 90% Barbera, nas províncias de Asti e Alessandria. A versão Superiore espera pelo menos 14 meses, seis deles em madeira. Nizza, que era uma subzona, virou DOCG própria.
- Asti DOCG: o Moscato Bianco de 51 municípios das províncias de Asti, Alessandria e Cuneo, em três versões: Asti Spumante, Asti Rosé e Moscato d'Asti.
- Gavi DOCG (ou Cortese di Gavi): o branco da uva Cortese, em 11 municípios da província de Alessandria, em versão tranquila, frisante, espumante e Riserva.
- Piemonte DOC: a denominação da região inteira, criada no fim de 1994, pra tinto, branco e rosé, com ou sem nome de uva.
Com o que combina
Barolo e Barbaresco pedem prato de sustância e tempo: carne de panela, costela no forno, cordeiro, risoto de cogumelos, queijo curado. Na terra deles, a dupla é a trufa branca. A Barbera é coringa da mesa brasileira: a acidez dela conversa com molho de tomate, então vai com pizza, lasanha, macarronada e linguiça. O Dolcetto acompanha tábua de frios. O Gavi vai com peixe, frango e massa ao pesto. E o Moscato d'Asti, gelado e com pouco álcool, fecha o almoço com panetone, bolo de frutas ou salada de frutas. Tudo sugestão: gostou de outro par, vá de outro par.
O conde, a marquesa e o rei dos vinhos
O Barolo do jeito que se conhece hoje nasceu em meados do século XIX, segundo o consórcio das Langhe, graças à teimosia de Camillo Benso, o conde de Cavour, e de Giulia Colbert Falletti, a última marquesa de Barolo. O vinho virou o embaixador do Piemonte da casa de Savoia nas cortes da Europa, e daí ficou o apelido: o rei dos vinhos, o vinho dos reis.
Do outro lado de Alba, na mesma época, o professor Domizio Cavazza, primeiro diretor da Escola Enológica de Alba, ajudou a definir o Barbaresco. O nome vem do latim barbarica silva, a floresta dos bárbaros, como os romanos chamavam a mata fechada onde os lígures se escondiam. Os dois tintos andaram juntos: consórcio em 1934, DOC em 1966 e DOCG em 1980.
As uvas dos rótulos daqui
Nos 899 rótulos da busca do Piemonte, as uvas que mais aparecem. O número é em quantos rótulos.
Os mais bem avaliados do Piemonte
Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque pra ver a ficha.
- Giacomo Conterno Barolo Riserva Monfortinonota ★ 4,8
- Giuseppe Rinaldi Cannubi San Lorenzo-Ravera Barolonota ★ 4,7
- Gaja Costa Russi (Barbaresco) Langhenota ★ 4,7
- Gaja Sorì Tildìn (Barbaresco) Langhenota ★ 4,7
- Gaja Sperss Barolonota ★ 4,7
- Gaja Sorì San Lorenzonota ★ 4,6
- Aldo Conterno Barolo Bussia Romirasconota ★ 4,6
- Giuseppe Rinaldi Brunate-Le Coste Barolonota ★ 4,6
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