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As uvas da casa · tinta

Nebbiolo: a uva do Barolo e do Barbaresco

Nebbiolo é a uva tinta mais antiga do Piemonte, no norte da Itália, e a única do Barolo e do Barbaresco. Dá um vinho perfumado, com cheiro de rosa e de cereja, e um tanino que aperta a boca com vontade. É vinho que melhora com o tempo na garrafa. Se alguém já te disse que um tinto “precisa de anos pra ficar pronto”, é bem provável que estivesse falando dela.

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De onde vem

A Nebbiolo é italiana, do Piemonte. No VIVC, o catálogo internacional de uvas, o nome principal dela é Nebbiolo mesmo, tinta, com origem na Itália. Os pais não aparecem no passaporte: um estudo de DNA de 2020, feito por pesquisadores italianos, achou sete uvas ligadas a ela por relação de pai e filho, mas nenhuma com boa chance de ser mãe ou pai dela. O mesmo estudo lembra que ela é das uvas mais antigas da Europa com registro escrito.

O consórcio que cuida do Barolo e do Barbaresco a chama de a uva tinta nativa mais antiga do Piemonte. É uma planta exigente: brota cedo, entre meados e o fim de abril, e só amadurece na primeira metade de outubro, mais tarde que as vizinhas. Por isso pede encosta bem virada pro sol, entre 200 e 450 metros de altitude, longe das geadas da primavera.

Como é no copo

O consórcio descreve o Barolo com cor granada (aquele vermelho que puxa pro tijolo), cheiro de frutinhas vermelhas, cereja em calda de álcool e geleia, com toques de rosa e violeta murcha, canela e pimenta. Às vezes aparecem também alcaçuz, cacau, tabaco e couro. É um perfume que costuma surpreender quem espera um tinto pesado: tem flor, tem fruta e tem especiaria no mesmo copo, e cada gole mostra uma coisa diferente.

Na boca, o que manda é o tanino, aquele aperto na gengiva. A casca da Nebbiolo é rica em tanino, diz o consórcio, e os vinhos saem fortes e potentes, do tipo que se mostra melhor depois de um envelhecimento lento. E a própria uva já avisa: o registro oficial de uvas da Itália descreve a polpa como acidulada e adstringente. Jovem, pode parecer duro; com o tempo, o tanino se acalma e o vinho fica mais redondo.

Uma folha de videira, um cacho de uva tinta e uma taça com o vinho da Nebbiolo.
fig. 1Do cacho ao copo: cor granada, perfume de rosa e tanino que aperta a gengiva.

Com o que combina

Tanino forte pede comida com gordura e sabor. Vai bem com carne de panela, costela assada devagar, cordeiro, ossobuco e cupim. Risoto de cogumelos e massa com ragu de carne são pares clássicos da região dela. Queijo curado, tipo parmesão ou um canastra mais velho, também segura o vinho. Os mais jovens e simples aguentam uma pizza de linguiça ou um hambúrguer caprichado. É sugestão: se você gostou com outra coisa, vale o seu gosto.

Onde ela brilha hoje

A casa dela são as colinas das Langhe, perto da cidade de Alba. O Barolo é feito só com Nebbiolo, em 11 comunas da região, e precisa envelhecer pelo menos 38 meses, 18 deles em madeira, antes de sair; o Riserva, 62 meses. O Barbaresco, também só de Nebbiolo, nasce nas comunas de Barbaresco, Neive e Treiso e em parte de Alba, com mínimo de 26 meses, 9 em madeira; o Riserva, 50.

Fora das Langhe, a uva aparece em outros cantos do norte da Itália com outros nomes: no norte do Piemonte, em Valle d'Aosta e na Valtellina, já na Lombardia. Fora da Itália, ela é rara. O VIVC registra área na Argentina, com dados de 1991, e no Brasil o cadastro da Embrapa contava menos de 4 hectares no Rio Grande do Sul em 2012.

Os outros nomes dela

O VIVC lista 110 sinônimos pra Nebbiolo, e três deles você pode achar no rótulo. Spanna é como ela é chamada nas províncias de Vercelli e Novara, no norte do Piemonte. Picotener (o VIVC também traz Picotendro) vem de “picciolo tenero” (cabinho macio) e é o nome usado em Valle d'Aosta e em Carema. Chiavennasca é o nome dela na província de Sondrio, na Valtellina. Ainda aparecem nomes de tipos locais plantados nas Langhe, como Lampia e Michet.

Um nome que vem da névoa

O nome Nebbiolo vem de “nebbia”, névoa em italiano, mas há duas explicações pra isso, registradas tanto pelo registro oficial de uvas da Itália quanto pelo consórcio. A primeira: os bagos são cobertos por uma camada fina e esbranquiçada, a pruína, e parecem enevoados. A segunda: a uva amadurece tão tarde que a colheita cai na época das névoas de outono. Ninguém bateu o martelo, e as duas são bonitas.

A uva tem papel antigo. O estudo de DNA de 2020 conta que a primeira menção à Nebbiolo é de 1266, perto de Turim, o que põe a uva entre as primeiras citadas por escrito na Itália. O Barolo e o Barbaresco viraram DOC em 1966 e DOCG em 1980. E as encostas de vinha das Langhe, do Roero e do Monferrato hoje são Patrimônio Mundial da UNESCO.

Os mais bem avaliados com Nebbiolo

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Nebbiolo é o tinto da paciência: perfume de flor e tanino de respeito. Abre um com a próxima carne de panela, dá tempo pro vinho no copo e repara como ele muda a cada gole.

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Fontes desta página

  • VIVC — Nebbiolo, passaporte nº 8417 — www.vivc.de
  • Registro Nazionale delle Varietà di Vite (MASAF) — scheda Nebbiolo — catalogoviti.politicheagricole.it
  • Consorzio di Tutela Barolo Barbaresco Alba Langhe e Dogliani — o vitigno Nebbiolo — www.langhevini.it
  • Disciplinare DOCG Barolo (Consorzio di Tutela) — www.langhevini.it
  • Disciplinare DOCG Barbaresco (Consorzio di Tutela) — www.langhevini.it
  • Raimondi et al. 2020, DNA-based genealogy reconstruction of Nebbiolo, Barbera and other ancient grapevine cultivars from northwestern Italy (Scientific Reports) — www.nature.com
  • Embrapa Uva e Vinho — Área cultivada com videiras no Rio Grande do Sul: 2008-2012 (Documentos 87) — www.infoteca.cnptia.embrapa.br
  • Rótulos, notas, uvas e regiões da lista da casa: X-Wines, base científica aberta (de Azambuja, R. X. et al., 2023), conferida pela casa — github.com

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