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Guia Sem Frescura · N.º 22

Vinho com Sprite, Coca ou gelo: pode? Pode. E cada país tem a sua mistura

Pode. O vinho é seu, e misturar é tradição em meio mundo: a sangria espanhola, o kalimotxo basco (tinto com cola), o tinto de verano (com gasosa), o spritz italiano e o nosso quentão brasileiro. Até um Master of Wine, questionado pela Decanter sobre gelo no copo, respondeu que cada um faz o que quiser com o seu vinho, desde que fique feliz. Gostou? Pode, e ainda bem que descobriu aquilo de que gosta.

As misturas de cada país

  • Sangria. No Brasil, a lei define: de 7% a 12% de álcool, pelo menos metade de vinho e 10% de sumo de fruta cítrica (2,5% se for só limão), podendo levar açúcar e gás, e sem aroma sintético. Na Europa, o nome é protegido: a sangria feita fora de Espanha e de Portugal tem de dizer onde foi produzida.
  • Kalimotxo (ou calimocho): tinto com Coca-Cola. A versão que a imprensa basca mais conta diz que o nome nasceu em 1972, numa festa em Algorta, no País Basco, quando um vinho de Rioja chegou estragado e foi salvo com cola; a mistura já existia como “Rioja libre”.
  • Tinto de verano: tinto com água com gás ou gasosa, o refresco do verão espanhol. Diz-se que nasceu numa venda de Córdoba; é tradição oral, sem provas.
  • Spritz: no fim do século XIX, os soldados austro-húngaros no norte de Itália diluíam o vinho com água com gás; o amargo veio depois. A receita oficial do Aperol Spritz é 3, 2, 1: 90 ml de prosecco, 60 ml de Aperol, 30 ml de água com gás, gelo e uma rodela de laranja.
  • Vinho quente: o glühwein alemão, pela regra europeia, é só vinho, temperado com canela ou cravinho, sem água. O quentão, segundo o dicionário, pode ser de cachaça ou de vinho, fervido com gengibre, canela e açúcar.

E o que vem pronto na garrafa

A lei brasileira também tem nome para as misturas prontas. O coquetel de vinho mistura vinho com outra bebida alcoólica e sumo de fruta, de 5% a 14% de álcool, com pelo menos metade de vinho. O cooler com vinho é a versão leve, de 3,5% a 7%, e todo o álcool tem de vir do vinho.

Gelo no vinho? Também pode

A Decanter conta que nas esplanadas do Mediterrâneo já se oferece gelo com o branco e o rosé. O único senão é que o gelo derrete e dilui; uvas congeladas no copo arrefecem sem aguar. Para arrefecer a garrafa inteira, o balde com água, gelo e sal resolve em 15 a 20 minutos.

Que vinho usar

Para misturar, não é preciso o melhor da adega: a própria lei deixa fazer sangria com vinho de mesa. Escolha um de que goste sem mistura, porque ele continua lá dentro.

Um aviso de amigo

Dois estudos pequenos, feitos com vodka, dão uma pista que deve valer também para o vinho: com água com gás, o álcool chegou mais depressa ao sangue na maioria das pessoas, e o refrigerante zero fez subir o álcool no teste do balão mais do que o normal (sem as pessoas darem por isso). Nada de grave: só convém saber que a mistura com gás bate mais depressa, e pôr um copo de água entre um e outro.

Água entre um copo e outro ajuda sempre: a hidratação, sem frescura. Vai ter gente em casa? A Festinha faz a conta das garrafas.

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Fontes desta página

  • Decanter, Should you put ice cubes in wine? (Peter Richards MW): faça o que quiser; o gelo dilui; as uvas congeladas — decanter.com
  • Instrução Normativa MAPA nº 14/2018 (com a Portaria MAPA nº 723/2024): sangria, coquetel de vinho e cooler com vinho — normasbrasil.com.br
  • Regulamento (UE) n.º 251/2014, Anexo II (cópia da WIPO Lex): Sangría, Glühwein; pelo menos 50% de vinho — wipo.int
  • elDiario.es, Iker Armentia, Salvemos el kalimotxo (2015): Algorta, 1972 — eldiario.es
  • Vinetur (2021): vino con gaseosa, de onde vem a tradição — vinetur.com
  • Decanter, Laura Foster: Summer Spritz cocktails (a origem do spritz) — decanter.com
  • Aperol (produtor): a receita oficial do Aperol Spritz, 3-2-1 — aperol.com
  • Dicionário Priberam: quentão — priberam.org
  • Roberts C, Robinson SP. Alcohol concentration and carbonation of drinks: the effect on blood alcohol levels. J Forensic Leg Med (2007) — pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
  • Marczinski CA, Stamates AL. Artificial sweeteners versus regular mixers increase breath alcohol concentrations. Alcohol Clin Exp Res (2013) — pubmed.ncbi.nlm.nih.gov

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