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Puglia: o Primitivo e o Negroamaro do salto da bota
A Puglia é o salto da bota italiana, a região comprida do sudeste da Itália, entre dois mares. É terra de sol, de oliveira e de tinto de cor funda: o Primitivo di Manduria e o Negroamaro do Salento, como o Salice Salentino. Mais ao norte, em Castel del Monte, a uva da vez é a Nero di Troia.
Onde fica e como é o lugar
A Puglia ocupa o sudeste da Itália, banhada pelo Adriático de um lado e pelo mar Jônico do outro. A ponta de baixo, o salto da bota propriamente dito, é o Salento. Mais ao norte ficam as Murge, onde está Castel del Monte. Em quase todo canto, o mar manda: segundo o consórcio do Salice Salentino, ele deixa o clima mais ameno, traz vento e deixa um gosto salgadinho nos solos mais perto da costa, de terra vermelha.
Em Manduria, perto do mar Jônico, a terra é vermelha de ferro, com pedra calcária por baixo, e vira areia nas áreas perto da praia. Ali, parte das parreiras ainda é conduzida em alberello, o jeito mais antigo de cultivar a uva: um arbusto baixo, de até um metro e meio, com três braços.
As uvas da região
Duas tintas dão o tom. A Primitivo é a estrela de Manduria, na província de Taranto: o nome vem de ela amadurecer antes das outras uvas da zona. A casca é fina, a polpa é doce quando madura e a cor do vinho sai carregada. A Negroamaro é a tinta do Salento, de Lecce e Brindisi, e divide a cena do Salice Salentino com a Malvasia Nera.
No norte, nas Murge, a uva forte é a Nero di Troia, ao lado da Bombino Nero e da Aglianico; nos brancos, Bombino Bianco, Greco e Malvasia Bianca. Ainda tem a Susumaniello, tinta pouco conhecida de Brindisi e Lecce, que costuma ir no corte com a Negroamaro, e a Moscato Bianco, que faz o Moscato di Trani.
Que vinho sai de lá
A fama é de tinto seco, forte e escuro. O Primitivo di Manduria tem cor intensa, cheiro de ameixa, cereja e amora, bastante tanino (aquele aperto na gengiva) e álcool alto: a regra pede pelo menos 13,5% no comum e 14% no Riserva. O Salice Salentino de Negroamaro é tinto encorpado, de fruta preta e ervas, com um amarguinho gostoso no fim; daí sai também um rosé leve, cor de coral.
E tem doce. O Primitivo di Manduria Dolce Naturale é um tinto doce de uva que seca no próprio pé. O Moscato di Trani sai em duas versões: o Dolce Naturale, doce de nascença, e o Liquoroso, fortificado com álcool. Em San Severo, a Bombino Bianco vira espumante.
O que diz o rótulo
Vale a escada italiana. IGT (Indicação Geográfica Típica) é o degrau mais largo: a Puglia tem seis, entre elas IGT Puglia e IGT Salento. DOC (Denominação de Origem Controlada) tem zona e regra definidas, e a Puglia tem 28, como Salice Salentino, Brindisi e Primitivo di Manduria. DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) é o degrau de cima, com selo numerado do Estado: são quatro. Os nomes que mais aparecem:
- Primitivo di Manduria DOC: pelo menos 85% de Primitivo, em 18 municípios das províncias de Taranto e Brindisi. Desde 2023 só vai ao mercado com o selo do Estado, como uma DOCG.
- Primitivo di Manduria Riserva: dois anos de amadurecimento, pelo menos nove meses em madeira, contados a partir de 1º de novembro da colheita.
- Primitivo di Manduria Dolce Naturale DOCG: o tinto doce de uva seca no pé, primeira DOCG da Puglia, em 2011.
- Salice Salentino DOC: Negroamaro e Malvasia Nera nos municípios de Salice Salentino, Veglie, Guagnano, San Pancrazio Salentino e San Donaci, entre Lecce e Brindisi. Tem tinto, rosé e branco.
- Castel del Monte: a DOC das Murge, no norte, e três DOCG: Castel del Monte Rosso Riserva, Castel del Monte Nero di Troia Riserva e Castel del Monte Bombino Nero.
- Cacc'e Mmitte di Lucera DOC: tinto de Nero di Troia com Montepulciano e Sangiovese.
Com o que combina
O tinto da Puglia é de mesa farta. O Primitivo vai com macarrão ao molho de carne, lasanha, almôndega e até moqueca de peixe com tomate; o consórcio também sugere comida apimentada, então vale com um prato oriental picante. O Primitivo Riserva pede churrasco, pernil assado e carne de caça. O Salice Salentino acompanha carne e queijo curado, e o rosé, salada e entradinha. Na Puglia, o tinto de Negroamaro vem com taralli, aquelas rosquinhas crocantes: nossa versão é o amendoim do boteco. O Primitivo doce fecha a noite com bolo de chocolate amargo ou queijo azul. Tudo sugestão: gostou de outro par, vá de outro par.
A uva que vira passa no pé
O Primitivo di Manduria Dolce Naturale tem um truque que o consórcio diz só acontecer ali. Em vez de colher a uva e deixar secar numa sala, como no Amarone do norte da Itália, o produtor deixa os cachos no pé. Com o sol forte e o vento do mar Jônico, a uva perde cerca de metade da água, concentra o açúcar e é colhida à mão, com cuidado pra não amassar.
O resultado é um tinto doce, de cor funda, com cheiro de geleia e figo seco. Foi o primeiro vinho da Puglia a ganhar DOCG, em 2011, e é a única das quatro DOCG da região feita só pra tinto doce. A denominação Primitivo di Manduria, a seca, é mais antiga: o Ministério da Agricultura a reconheceu em 30 de outubro de 1974.
As uvas dos rótulos daqui
Nos 558 rótulos da busca da Puglia, as uvas que mais aparecem. O número é em quantos rótulos.
Os mais bem avaliados da Puglia
Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque pra ver a ficha.
- Terre di San Vincenzo Dal 1947 Primitivo di Mandurianota ★ 4,6
- Gianfranco Fino Es Primitivo di Mandurianota ★ 4,6
- Varvaglione Cosimo Varvaglione Collezione Privata Primitivo di Mandurianota ★ 4,6
- Terra Rossa Vigne Vecchie Primitivo di Mandurianota ★ 4,6
- Schola Sarmenti Diciotto Primitivonota ★ 4,5
- San Marzano 60 Sessantanni Old Vines Primitivo di Mandurianota ★ 4,5
- Vigneti del Salento Vigne Vecchie Leggenda Primitivo di Mandurianota ★ 4,5
- San Marzano 60 Sessantanni Limited Edition Old Vines Primitivo di Mandurianota ★ 4,5
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