As castas da casa · tinta
Cinsault: a casta delicada por trás do rosé e da Pinotage
Cinsault é uma casta tinta francesa de fruta vermelha e feitio delicado, muito usada em rosé. Na Provença, forma com a Grenache e a Syrah o trio dos rosés de lá; no sul do Rhône e no Languedoc, completa os lotes. Na África do Sul já foi a tinta mais plantada do país e, cruzada com a Pinot Noir, deu origem à Pinotage. E no Chile mora no Itata, uma das regiões de vinho mais antigas do país.
De onde vem
A Cinsault é francesa. No VIVC, o catálogo internacional de castas, o nome principal é Cinsaut, sem o L, e o país de origem é França. A grafia com L, Cinsault, é a mais comum nos rótulos e as duas aparecem na lista de sinónimos. O VIVC também regista um pormenor curioso: é usada tanto para fazer vinho como uva de mesa.
Também viajou pelo Mediterrâneo. Na Puglia, no sul de Itália, o registo oficial de variedades descreve a Ottavianello, estudada num viveiro de Ostuni, e anota Cinsaut como o nome dela em França. A ficha italiana fala de uma planta com boa resistência à seca e ao calor forte. Na África do Sul, Abraham Perold, o professor que criou a Pinotage, escreveu em 1927 que ela tinha chegado ao Cabo nos anos 1880.
Como é no copo
É a casta da delicadeza. A regra da denominação Côtes de Provence resume o papel de cada casta no lote: a Grenache traz álcool e redondez, a Syrah traz fruta, a Mourvèdre traz fôlego para guarda e a Cinsault traz finesse e elegância. No rosé, isso traduz-se em cor clara, fruta vermelha ácida (cereja, framboesa), um toque de especiaria e boca fresca e redonda, como a regra descreve no setor de Aix.
Sozinha, como tinto, a Cinsault costuma dar vinho fácil de beber jovem. A WOSA, que representa os vinhos da África do Sul, descreve uma casta generosa na produção e muito versátil: entra em lote com Cabernet, dá tinto para beber cedo, rosé e até vinho doce ao estilo do Porto. É o tipo de tinto que vale a pena servir um pouco mais fresco, uns minutos no frigorífico antes de abrir.
Com que combina
O rosé de Cinsault é parceiro de comida leve e de calor: camarão com alho, salada de verão, peixe grelhado, sushi, quiche, pastel de feira e aquele frango assado de domingo. O tinto, levezinho e frutado, vai bem com pizza margherita, sanduíche de pernil, charcutaria, beringela grelhada e petiscos de tasca. Como não é pesado, aguenta até uma moqueca de peixe. Tudo sugestão: se gostou de outro par, vá por outro par.
Onde brilha hoje
Na Provença, a Cinsault é uma das castas principais da Côtes de Provence, onde o rosé é a grande maioria: 89% da produção em 2009, diz a regra. Também é casta principal em Bandol e está entre as 18 de Châteauneuf-du-Pape. Nas denominações do Vale do Rhône eram 2.215 hectares em 2023, segundo a Inter Rhône. Nas Corbières, no Languedoc, entra como secundária, com até 20% da vinha de tinto.
Na África do Sul, onde durante décadas foi chamada Hermitage, a WOSA lembra que já foi a tinta mais plantada do país, antes de perder espaço para outras castas. No Chile, a Wines of Chile conta 831 hectares de Cinsault no Itata, uma das regiões de vinho mais antigas do país, e mais 55 em Bío Bío e Malleco. Em cada lugar, continua a fazer o mesmo papel: fruta vermelha, frescura e delicadeza.
Os outros nomes dela
O VIVC lista 122 sinónimos. Os de rótulo: Cinsault ou Cinsaut em França e no mundo, Hermitage na história da África do Sul e Ottavianello em Itália. Na lista aparecem também Oeillade, Picardan Noir e Black Prince. Um cuidado: Samsó, que surge entre os sinónimos dela no VIVC, é também um dos nomes da Carignan em Espanha. Na dúvida, manda o rótulo de origem.
Quatro pequenas mudas e um nome novo
Em 1925, o professor Abraham Perold, da Universidade de Stellenbosch, cruzou a Pinot Noir com a Cinsault, que no Cabo se chamava Hermitage. O VIVC confirma o pedigree pelo ADN e regista o ano. Reza a lenda, conta a WOSA, que Perold esqueceu as quatro pequenas mudas no jardim quando mudou de emprego, e que elas foram salvas a tempo. Uma delas tornou-se a mãe de toda a Pinotage de hoje.
O nome tem uma história à parte. Hermitage é uma denominação do norte do Rhône, onde a tinta é a Syrah. No Cabo, a Cinsault ganhou esse nome por engano, e o próprio Perold escreveu em 1927 que ela era a Cinsaut. Em 1935, as mudas foram enxertadas em Welgevallen e, segundo a WOSA, Perold e o professor CJ Theron juntaram Pinot com o fim de Hermitage: Pinotage.
Os mais bem avaliados com Cinsault
Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque para ver a ficha.
- Porto Ferreira Vintage Portnota ★ 4,5
- Château des Tours Côtes du Rhônenota ★ 4,5
- Château Maucoil Privilège Châteauneuf-du-Papenota ★ 4,5
- Chateau de Fonsalette Réserve Côtes-du-Rhônenota ★ 4,4
- Minuty 281 Rosénota ★ 4,4
- Domaine de l'Abbaye Clos Beylesse Côtes de Provence Rosénota ★ 4,4
- Adobe Guadalupe Kerubielnota ★ 4,3
- Niepoort Douro Charme Tintonota ★ 4,3
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