Guia Sem Frescura · Nº 3
Vinho DOC, DOCG, Grand Cru: as siglas são só o bilhete de identidade do vinho
Parecem código secreto de clube privado. São certidões de origem: dizem de onde o vinho vem e que regras seguiu. Só isso, e é muito.
A ideia por detrás de todas elas
Os países produtores criaram sistemas para proteger regiões tradicionais: se o rótulo leva o nome do lugar, o vinho tem de seguir as regras do lugar (castas permitidas, rendimento, método). A sigla certifica a origem: não é nota de qualidade nem prémio. Há DOC mediano e vinho “simples” excecional.
França: AOC/AOP e os Crus
A AOC (hoje harmonizada como AOP na União Europeia) é a matriz de todas. Dentro de regiões como a Borgonha existe ainda a hierarquia das vinhas: Village, Premier Cru e Grand Cru. O “cru” é o terreno específico, e os Grand Cru são as parcelas historicamente consagradas. É geografia elevada a religião: interessante de conhecer, desnecessária para jantar bem.
Itália: DOC, DOCG e IGT
DOC = denominação de origem controlada; DOCG acrescenta a “garantia”: regras mais duras e mais fiscalização. IGT é a categoria mais livre, e repare na rasteira da frescura: alguns dos vinhos mais caros de Itália (os “Supertoscanos”) são IGT precisamente porque quiseram fugir às regras. Sigla maior ≠ vinho melhor.
Portugal: DOC e IG
O mesmo espírito: DOC para as regiões demarcadas (Douro, Dão, Alentejo...). Aliás, o Douro é uma das regiões demarcadas mais antigas do mundo (1756). IG (Vinho Regional) é o grau mais flexível.
E o Brasil? Também tem, e é recente e bonito
O Brasil usa Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO), registadas no INPI com apoio técnico da Embrapa. O marco: o Vale dos Vinhedos conquistou a primeira DO de vinhos do país. Quando vir um selo IP ou DO num rótulo brasileiro, é o mesmo mecanismo da AOC francesa e da DOC italiana, em versão brasileira e a começar a história agora.