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As uvas da casa · tinta

Corvina: a uva do Amarone e do Valpolicella

Corvina é uma uva tinta de Verona, no nordeste da Itália, e a mais plantada do Valpolicella. É a base do Valpolicella, do Amarone e do Bardolino, este à beira do Lago di Garda. Sozinha, dá um tinto de cor rubi, cheiro de cereja e um gole fresco, com tanino que não pesa. O truque mais famoso dela acontece depois da colheita: os cachos descansam meses secando antes de virar Amarone, um tinto seco e potente.

517 rótulos da busca levam Corvina91 só de Corvinade Argentina e Itália

De onde vem

A Corvina é italiana, da região de Verona, no Vêneto. No VIVC, o catálogo internacional de uvas, o nome principal dela é Corvina Veronese, tinta, com origem na Itália. Os pais não aparecem no passaporte, mas o catálogo registra que ela tem ligação de pai e filho com outras uvas. Em dialeto veronês, ela é a Cruina, nome que até a regra do Amarone escreve entre parênteses.

O registro oficial de uvas da Itália descreve um bago de casca azul-violeta, coberta por uma camada fina e esbranquiçada (a pruína), grossa e bem resistente. E faz uma observação que explica muita coisa: a uva se conserva bem tanto no pé quanto no fruttaio, o galpão arejado onde os cachos secam. É essa casca firme que aguenta meses de secagem sem estragar.

Como é no copo

No Valpolicella do dia a dia, o consórcio descreve cheiro de cereja, amêndoa amarga e rosa, e um gole fresco, seco, com tanino agradável e um leve amargor no final. Cor rubi, que vai pro granada (um vermelho mais tijolo) com o tempo. É um tinto vivo, do tipo que abre o apetite. Não é tinto de impressionar pelo peso, e sim pelo frescor.

No Bardolino, perto do lago, a Corvina vira um tinto leve e fresco, com álcool contido e tanino macio, segundo o consórcio de lá. Já no Amarone, com as uvas secas, ela muda de figura: o vinho fica seco, de álcool alto e encorpado, que o consórcio descreve com notas de café, flor, fruta e especiaria. A mesma uva dá do tinto pra beber com petisco ao tinto pra meditar.

Uma folha de videira, um cacho de uva tinta e uma taça com o vinho da Corvina.
fig. 1Do cacho ao copo: cereja e amêndoa amarga no Valpolicella; depois de meses secando no galpão, vira Amarone.

Com o que combina

Depende de qual Corvina está no copo. O Valpolicella e o Bardolino vão bem com frios, pizza, massa de molho leve, frango assado e até um peixe mais gordo; servidos um pouco frescos, aguentam o verão brasileiro. O Ripasso encara lasanha, carne assada e queijo meia-cura. O Amarone pede carne de panela, cordeiro, ensopado e queijo bem curado, e o consórcio lembra que ele também vai bem sozinho, como vinho de meditação, pra beber devagar. O Recioto, que é doce, vai com chocolate, bolo e queijo. É sugestão: se você gostou com outra coisa, vale o seu gosto.

Onde ela brilha hoje

No Valpolicella, ela manda: o consórcio diz que a Corvina é 56% das uvas da denominação, seguida da Rondinella e do Corvinone. A regra do Amarone pede de 45% a 95% de Corvina e/ou Corvinone e de 5% a 30% de Rondinella, com até 25% de outras uvas. Quase metade das garrafas da região é de Valpolicella Ripasso, e cerca de um quarto é de Amarone e Recioto.

No Bardolino, do lado leste do Lago di Garda, a regra pede de 35% a 95% de Corvina, com até 20% de Corvinone no lugar dela, e de 5% a 40% de Rondinella. Do mesmo lugar sai o Chiaretto di Bardolino, o rosé da casa. Fora de Verona, a Corvina é rara: no Brasil, o cadastro da Embrapa registrava uma fração de hectare no Rio Grande do Sul em 2012.

Os outros nomes dela

O VIVC lista 25 sinônimos pra Corvina Veronese, como Corvina, Cruina, Corvina Nostrana, Corvina Comune e Crovina. Agora, atenção: Corvinone não é apelido dela. No VIVC, o Corvinone Veronese tem passaporte próprio, com outro número, ou seja, é outra uva. Por isso a regra do Amarone escreve “Corvina e/ou Corvinone”: as duas podem dividir a mesma fatia do vinho, mas são plantas diferentes.

Uvas que descansam antes de virar vinho

O Amarone começa com a colheita, mas o vinho só nasce meses depois. Os cachos de Corvina e das outras uvas descansam no fruttaio por 100 a 120 dias, diz o consórcio, e nesse tempo perdem água e concentram açúcar e sabor. A regra do Amarone diz que, em regra, a uva seca só vira vinho a partir de 1º de dezembro (o Vêneto pode antecipar quando o clima obriga), precisa chegar a pelo menos 14% de álcool em potencial e que o vinho envelhece no mínimo dois anos.

Com a mesma uva seca nasce o Recioto, que o consórcio chama de antepassado do Amarone: a fermentação é interrompida pra guardar açúcar, e o vinho sai doce. E tem o Ripasso, o meio-termo: o Valpolicella fermenta de novo em cima das cascas que sobraram do Amarone e do Recioto, e ganha mais álcool e mais corpo. Três vinhos, uma uva, um galpão cheio de cachos.

Os mais bem avaliados com Corvina

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque pra ver a ficha.

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Corvina é a uva que sabe ser leve e sabe ser grandiosa. Começa por um Valpolicella com a pizza e, num dia especial, prova um Amarone devagar, pra sentir o que a secagem faz com ela.

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Fontes desta página

  • VIVC — Corvina Veronese, passaporte nº 2863 — www.vivc.de
  • VIVC — Corvinone Veronese, passaporte nº 2864 — www.vivc.de
  • Registro Nazionale delle Varietà di Vite (MASAF) — scheda Corvina — catalogoviti.politicheagricole.it
  • Consorzio per la Tutela dei Vini Valpolicella — os vinhos e os números — www.consorziovalpolicella.it
  • Disciplinare DOCG Amarone della Valpolicella, texto consolidado (DM 3/8/2023, Gazzetta Ufficiale n. 191, 17/08/2023, Allegato A) — www.gazzettaufficiale.it
  • Consorzio di Tutela Chiaretto e Bardolino — disciplinare e os vinhos — consorziobardolino.it
  • Embrapa Uva e Vinho — Área cultivada com videiras no Rio Grande do Sul: 2008-2012 (Documentos 87) — www.infoteca.cnptia.embrapa.br
  • Rótulos, notas, uvas e regiões da lista da casa: X-Wines, base científica aberta (de Azambuja, R. X. et al., 2023), conferida pela casa — github.com

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