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As uvas da casa · tinta

Cinsault: a uva delicada por trás do rosé e da Pinotage

Cinsault é uma uva tinta francesa de fruta vermelha e jeito delicado, muito usada em rosé. Na Provença, ela forma com a Grenache e a Syrah o trio dos rosés de lá; no sul do Rhône e no Languedoc, completa os cortes. Na África do Sul já foi a tinta mais plantada do país e, cruzada com a Pinot Noir, deu origem à Pinotage. E no Chile mora no Itata, uma das regiões de vinho mais antigas do país.

273 rótulos da busca levam Cinsault22 só de Cinsaultde 9 países

De onde vem

A Cinsault é francesa. No VIVC, o catálogo internacional de uvas, o nome principal é Cinsaut, sem o L, e o país de origem é a França. A grafia com L, Cinsault, é a mais comum nos rótulos e as duas aparecem na lista de sinônimos. O VIVC também registra um detalhe curioso: ela é usada tanto pra fazer vinho quanto como uva de mesa.

Ela também viajou pelo Mediterrâneo. Na Puglia, no sul da Itália, o registro oficial de variedades descreve a Ottavianello, estudada num viveiro de Ostuni, e anota Cinsaut como o nome dela na França. A ficha italiana fala de uma planta de boa resistência à seca e ao calor forte. Na África do Sul, Abraham Perold, o professor que criou a Pinotage, escreveu em 1927 que ela tinha chegado ao Cabo nos anos 1880.

Como é no copo

É a uva da delicadeza. A regra da denominação Côtes de Provence resume o papel de cada uva no corte: a Grenache traz álcool e redondeza, a Syrah traz fruta, a Mourvèdre traz fôlego pra guarda e a Cinsault traz finesse e elegância. No rosé, isso vira cor clara, fruta vermelha ácida (cereja, framboesa), um toque de especiaria e boca fresca e redonda, como a regra descreve no setor de Aix.

Sozinha, como tinto, a Cinsault costuma dar vinho fácil de beber jovem. A WOSA, que representa os vinhos da África do Sul, descreve uma uva generosa na produção e muito versátil: entra em corte com Cabernet, vira tinto de beber cedo, rosé e até vinho doce no estilo do Porto. É o tipo de tinto que vale servir um pouco mais fresco, uns minutos na geladeira antes de abrir.

Uma folha de videira, um cacho de uva tinta e uma taça com o vinho da Cinsault.
fig. 1Do cacho ao copo: a uva da delicadeza, cor clara e fruta vermelha ácida, a alma do rosé.

Com o que combina

O rosé de Cinsault é parceiro de comida leve e de calor: camarão no alho, salada de verão, peixe grelhado, sushi, quiche, pastel de feira e aquele frango assado de domingo. O tinto, levinho e frutado, vai bem com pizza margherita, sanduíche de pernil, frios, berinjela grelhada e comida de boteco. Como ele não é pesado, segura até uma moqueca de peixe. Tudo sugestão: gostou de outro par, vá de outro par.

Onde ela brilha hoje

Na Provença, a Cinsault é uma das uvas principais da Côtes de Provence, onde o rosé é a grande maioria: 89% da produção em 2009, diz a regra. Também é uva principal em Bandol e está entre as 18 de Châteauneuf-du-Pape. Nas denominações do Vale do Rhône eram 2.215 hectares em 2023, segundo a Inter Rhône. Nas Corbières, no Languedoc, entra como coadjuvante, com até 20% do vinhedo de tinto.

Na África do Sul, onde por décadas foi chamada de Hermitage, a WOSA lembra que ela já foi a tinta mais plantada do país, antes de perder espaço pra outras uvas. No Chile, a Wines of Chile conta 831 hectares de Cinsault no Itata, uma das regiões de vinho mais antigas do país, e mais 55 em Bío Bío e Malleco. Em cada lugar, ela segue fazendo o mesmo papel: fruta vermelha, frescor e delicadeza.

Os outros nomes dela

O VIVC lista 122 sinônimos. Os de rótulo: Cinsault ou Cinsaut na França e no mundo, Hermitage na história da África do Sul e Ottavianello na Itália. Na lista também aparecem Oeillade, Picardan Noir e Black Prince. Um cuidado: Samsó, que aparece entre os sinônimos dela no VIVC, é também um dos nomes da Carignan na Espanha. Na dúvida, o rótulo de origem manda.

Quatro mudinhas e um nome novo

Em 1925, o professor Abraham Perold, da Universidade de Stellenbosch, cruzou a Pinot Noir com a Cinsault, que no Cabo se chamava Hermitage. O VIVC confirma o pedigree pelo DNA e registra o ano. Reza a lenda, conta a WOSA, que Perold esqueceu as quatro mudinhas no jardim quando mudou de emprego, e que elas foram resgatadas a tempo. Uma delas virou a mãe de toda a Pinotage de hoje.

O nome tem uma história à parte. Hermitage é uma denominação do norte do Rhône, onde a tinta é a Syrah. No Cabo, a Cinsault levou esse nome por engano, e o próprio Perold escreveu em 1927 que ela era a Cinsaut. Em 1935, as mudas foram enxertadas em Welgevallen e, segundo a WOSA, Perold e o professor CJ Theron juntaram Pinot com o fim de Hermitage: Pinotage.

Os mais bem avaliados com Cinsault

Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque pra ver a ficha.

Ver os 273 rótulos com Cinsault na busca →

Cinsault é a uva que deixa o vinho leve e cheio de fruta, do rosé da Provença ao tinto de beber fresquinho. Abre um num almoço quente e repara como ele não pesa.

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