As regiões · Espanha
Rioja: o tinto espanhol que conta o tempo na barrica
Rioja é a região de vinho mais conhecida da Espanha, no norte do país, nas duas margens do rio Ebro. Em 1991 virou a primeira Denominação de Origem Calificada (DOCa) espanhola, o degrau mais alto da lei de lá. A fama vem do tinto de Tempranillo e de um costume que o rótulo escancara: dizer quanto tempo o vinho passou na barrica antes de chegar até você.
Onde fica e como é o lugar
Rioja acompanha o vale do Ebro por uns 100 quilômetros, de Haro, a oeste, até Alfaro, a leste, com uns 40 quilômetros de largura no ponto mais aberto. Os vinhedos sobem em terraços até uns 700 metros de altitude. A região passa por três províncias: La Rioja, Álava (no País Basco) e Navarra.
O clima é um encontro de dois vizinhos: o Atlântico, que traz frescor e chuva, e o Mediterrâneo, mais quente e seco. Chove pouco mais de 400 milímetros por ano. Ao norte, a Serra de Cantábria abriga os vinhedos como um muro. O chão mistura argila com calcário, argila com ferro e terrenos de rio, cheios de pedra rolada.
O conselho regulador divide a região em três zonas. Rioja Alta, a mais atlântica, dá vinho de acidez alta (aquele frescor que dá água na boca) e fôlego pra barrica; a Alavesa, vizinha, sai um pouco menos ácida e topa tanto beber cedo quanto esperar. Rioja Oriental, no leste, é mais quente e seca, com sol de sobra e vinho de mais álcool, muito usado nos cortes.
As uvas da região
Aqui é Tempranillo e mais um pouco. Em 2024, ela ocupava quase 80% de todo o vinhedo da região, segundo o próprio conselho regulador. Na parte que fica em Álava, passava de 96% das uvas tintas. Depois dela vêm Garnacha, Graciano, Mazuelo e Maturana Tinta, que entram nos cortes pra dar corpo, cor ou frescor.
Branco é minoria: só uma em cada dez videiras. A branca principal é a Viura, com dois terços do vinhedo branco, seguida de longe pela Tempranillo Blanco; entre as outras estão Garnacha Blanca e Malvasía. A Tempranillo Blanco é uma mutação natural da Tempranillo tinta, achada em 1988 num vinhedo velho da própria região.
Que vinho sai de lá
Nove em cada dez videiras de Rioja são de uva tinta, e o estilo tem a marca da madeira. O tinto jovem, sem barrica, é frutado e fresco, pra beber no primeiro ou no segundo ano. Com o tempo na barrica, o vinho ganha notas de baunilha, coco, especiaria e madeira tostada, e a cor vai do vermelho-cereja pro rubi com borda cor de telha.
Também saem brancos, rosados e espumantes feitos pelo método tradicional, o mesmo da Champagne, com a segunda fermentação dentro da garrafa. O espumante de Rioja passa pelo menos 15 meses nessa segunda fermentação, e 36 nos de mais alta gama.
O que diz o rótulo
A Espanha tem uma lei geral pras palavras de envelhecimento, a Ley 6/2015, e Rioja segue um regulamento próprio, mais exigente. No tinto, a conta é assim: Crianza tem pelo menos dois anos de envelhecimento, com no mínimo um ano em barrica de carvalho; Reserva, 36 meses no total, com 12 em barrica e 6 em garrafa; Gran Reserva, 60 meses, com 24 em barrica e 24 em garrafa. Pela lei geral, o Crianza pede só 6 meses de barrica e o Gran Reserva, 18.
A barrica de Rioja é a de uns 225 litros, e pedaço de madeira jogado no tanque (os chips de carvalho) não vale pra quem quer a denominação. Branco e rosado têm prazos menores: 18 meses no Crianza, 24 no Reserva e 48 no Gran Reserva, com 6 meses de barrica em todos.
Quem confere tudo isso é o Conselho Regulador, que manda uma contraetiqueta numerada pra cada garrafa. Além da idade, o rótulo pode trazer a zona (Rioja Alta, Rioja Alavesa, Rioja Oriental), o município, com o selo Vino de Pueblo, ou um Viñedo Singular, um vinhedo delimitado, de pelo menos 35 anos, com regra própria.
Com o que combina
Rioja jovem, sem madeira, encara pizza de calabresa, lasanha, espetinho de churrasco e o feijão tropeiro do almoço de domingo. Um Crianza vai bem com carne assada, cordeiro e linguiça. Reserva e Gran Reserva, mais macios e cheios de tempo, pedem carne de panela, cabrito e queijo curado. O branco de Viura acompanha bolinho de bacalhau e frango grelhado. Tudo sugestão: gostou de outro par, vá de outro par.
Uma terra que mede o vinho em meses
Rioja guarda papel antigo: o conselho regulador cita um reconhecimento jurídico dos vinhos da região pelo rei Sancho de Navarra em 1102 e o primeiro registro de proteção da qualidade em 1650. Em 1925 veio o certificado de origem que, junto com o de Jerez, faz de Rioja uma das denominações mais antigas da Espanha.
O carvalho firmou pé em meados do século 19, quando bodegueiros locais que conheciam o jeito de Bordeaux trouxeram a barrica e enólogos franceses. A madeira mais usada foi, por muito tempo, o carvalho americano, de onde vem aquela baunilha e aquele coco. Hoje a região tem uma das maiores concentrações de barricas do mundo, e o carvalho francês ganha espaço.
As uvas dos rótulos daqui
Nos 638 rótulos da busca de Rioja, as uvas que mais aparecem. O número é em quantos rótulos.
Os mais bem avaliados de Rioja
Nota média de quem bebeu (X-Wines), de 1 a 5. Toque pra ver a ficha.
- Marqués de Murrieta Castillo Ygay Gran Reserva Especial Blanconota ★ 4,7
- Bodega Contador (Benjamín Romeo) Contador Riojanota ★ 4,7
- Bodegas Roda Cirsion Riojanota ★ 4,7
- Viñedos de Páganos La Nietanota ★ 4,6
- Remírez de Ganuza Gran Reservanota ★ 4,6
- Marqués de Murrieta Castillo Ygay Gran Reserva Especial Tintonota ★ 4,6
- Remírez de Ganuza Trasnochonota ★ 4,6
- La Rioja Alta Gran Reserva 890nota ★ 4,5
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