Viagens · Roteiro Nº 8
Chapada Diamantina: vinho de altitude no meio do sertão
Quem vai à Chapada vai pelas trilhas, pelas cachoeiras e pelo Pai Inácio. Agora dá pra voltar com a mala tilintando: a mais de 1.000 m, a Bahia aprendeu a fazer vinho fino.
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Por que aqui dá vinho
Latitude de 12°, que em tese seria quente demais pra videira. O que salva é a altitude: os vinhedos de Mucugê (UVVA) ficam a cerca de 1.150 m e os de Morro do Chapéu passam de 1.000 m (a Reconvexo diz 1.200), com dia quente e noite fria, a diferença de temperatura que deixa a uva madurar sem perder o frescor. Com a dupla poda (a mesma técnica dos vinhos de inverno de Minas), a colheita que vale cai no inverno seco, entre junho e setembro conforme a casa (na UVVA, junho e julho). É o calendário ao avesso: você vê vindima de casaco, no inverno.
Na taça, a assinatura é o Syrah, com Cabernet Franc, Malbec, Marselan e brancos de Chardonnay, Sauvignon Blanc e Viognier. Tudo muito novo: os primeiros vinhedos comerciais são da década de 2010, e a região ainda está descobrindo o que faz melhor. Parte da graça é essa.
O mapa da mina: dois polos
A Chapada tem dois endereços de vinho, e eles não ficam perto: são uns 230 km entre um e outro. Escolha um por viagem, ou reserve um dia inteiro de estrada.
- Mucugê (sul da Chapada): casa da UVVA, a vinícola mais conhecida e premiada da região. Plantio começou em 2012; hoje são cerca de 52 hectares, com restaurante e visitas guiadas. É a que combina com o roteiro clássico de Lençóis, Vale do Pati e Mucugê.
- Morro do Chapéu (norte da Chapada): virou o polo com mais casas. A Santa Maria, a 1 km do centro, com capela e restaurante; a Vaz, projeto da família de Jairo Vaz, que começou a estudar solo e clima em 2008; a Reconvexo, com restaurante e chalés de glamping pra dormir no vinhedo; e a caçula Sertania, inaugurada em 2024, de rótulos mais jovens e irreverentes.
Quando ir
- Julho e agosto: vindima de inverno, noite fria de verdade (leve casaco) e céu seco pras trilhas. Alta temporada: reserve antes.
- Setembro: a Reconvexo faz o festival Vindas da Primavera; confira a data do ano.
- Verão (dez–mar): cachoeiras cheias, mas chuva de tarde e estrada de terra mais chata. As vinícolas recebem o ano todo.
Quanto custa
Degustação aqui ainda é camarada. Na Santa Maria, por exemplo, o tour guiado com degustação de dois rótulos sai por R$ 130 por pessoa (valor de 2026; agendamento obrigatório). As experiências da UVVA e da Reconvexo, com visita guiada e almoço, custam mais e valem como programa do dia. O maior custo, como no São Francisco, é chegar.
Conselhos de chapadeiro
- Carro é obrigatório. De Salvador são horas de estrada até Lençóis (a porta de entrada); o aeroporto de Lençóis tem voos só em algumas temporadas. Na região, distâncias longas e trechos de terra.
- Agende tudo. A UVVA abre de terça a domingo (segunda fecha); em Morro do Chapéu, cada casa tem seus dias: a Santa Maria abre de quarta a domingo; Vaz e Reconvexo, de terça a domingo. Reserva pelo site ou WhatsApp.
- Vinho depois da trilha, não antes. Encaixe a vinícola no fim da tarde, depois da cachoeira. E quem dirige, não prova: combine o motorista da vez ou contrate transfer.
- Durma no vinhedo se der: a pousada perto da UVVA e os chalés da Reconvexo transformam a visita em noite de céu estrelado.
Vinícolas pra conhecer
Critério declarado: casas com visitação e canal oficial pra agendar direto, em ordem alfabética, porque lista aqui não é ranking. Nenhuma pagou pra estar aqui; valores e horários mudam, confirme no agendamento.